Mercados
S&P 5007.757▲ 0,58%Nasdaq26.703▲ 1,05%Dow Jones52.856▲ 0,69%Ibovespa206.495▼ 0,86%FTSE 10010.753▲ 0,19%DAX25.645▲ 1,35%Nikkei63.917▼ 1,09%DólarR$ 5,02▲ 0,02%EuroR$ 5,65▲ 0,06%BitcoinR$ 416.351▼ 1,34%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.757▲ 0,58%Nasdaq26.703▲ 1,05%Dow Jones52.856▲ 0,69%Ibovespa206.495▼ 0,86%FTSE 10010.753▲ 0,19%DAX25.645▲ 1,35%Nikkei63.917▼ 1,09%DólarR$ 5,02▲ 0,02%EuroR$ 5,65▲ 0,06%BitcoinR$ 416.351▼ 1,34%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Política

Lula aceita todas as condições de Flávio para quebra de sigilos

Campanha de Lula diz que presidente aceitou integralmente as exigências de Flávio Bolsonaro para abrir sigilos dele e da família, desde que senador faça o mesmo até quinta (22), antes do segundo turno.

Lula aceita todas as condições de Flávio para quebra de sigilos

Política

Presidente concorda com todas as exigências para abertura dos sigilos, condicionando a reciprocidade do senador até o prazo estabelecido.

Leia também: Lula pede cassação de Flávio no TSE por manipulação da Meta

Lula aceitou todas as condições impostas por Flávio Bolsonaro para a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dele, de familiares e de assessores, e deu prazo até esta quinta-feira (22), às 11h, para que o senador também libere seus dados e os de seus parentes e empresas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.

Lula aceita condições e impõe reciprocidade

Segundo o coordenador político da campanha petista, senador Camilo Santana, a resposta formal de Lula às exigências de Flávio será protocolada no TSE nesta quinta, no mesmo horário em que o PT cobra que o adversário cumpra o acordo, a três dias do segundo turno marcado para domingo (25).

Camilo afirma que o presidente topou integralmente o pacote apresentado por Flávio, que inclui a ampliação do escopo dos dados a serem divulgados, desde assessores próximos até registros de visitas ao Planalto, gastos do cartão corporativo da Presidência e agendas da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja.

“Todas as condicionantes a única resposta é que o presidente não se opõe em absolutamente nada que ele colocou, contanto que ele [Flávio Bolsonaro] faça”, disse Camilo Santana. Mais cedo, ele reforçou: “Se não tem nada a dever, que ele cumpra o que o presidente propôs. Presidente não tem nada a se opor ao que ele colocou condicionantes. Amanhã às 11h estaremos no TSE para protocolar a resposta do presidente e é o prazo para ele estar lá também”.

Pela proposta já levada por Lula ao TSE, ficam autorizadas a liberação e a ampla divulgação, em sistema de acesso público, dos sigilos bancário, fiscal e eletrônico relativos aos últimos oito anos do presidente e de seus familiares diretos.

Quem entra no pacote de cada lado

Do lado de Lula, o pedido protocolado inclui, além do próprio presidente, Janja e os filhos Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), Sandro Luís Lula da Silva e Luís Claudio Lula da Silva.

Em contrapartida, a campanha condiciona a efetivação da abertura desses dados à autorização equivalente, por parte de Flávio Bolsonaro, para a divulgação dos sigilos dele e de seus parentes mais próximos: o pai, Jair Bolsonaro; a mãe, Rogéria Bolsonaro; os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro; e a esposa, Fernanda Bolsonaro.

O pedido de Lula também alcança empresas ligadas ao senador, entre elas a Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia e a All In One Corretora de Seguros Ltda, além de outras sociedades citadas na petição. A campanha petista cobra que todas estas também tenham dados bancários e fiscais tornados públicos.

Flávio, por sua vez, respondeu ao desafio lançado no debate de domingo ampliando o raio de alcance sobre o entorno de Lula. Exigiu termos de autorização de quebra de sigilo de assessores como Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete, a abertura de contas e sigilos de empresas ligadas a familiares do presidente – incluindo sociedades de Lulinha, negócios recentes no exterior, empresas de outros filhos – e de entidades como o Instituto Lula e a empresa L.I.L.S.

O senador também condicionou o acordo à divulgação integral dos registros de visitantes no Palácio do Planalto e detalhes da reunião de Lula com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, além de informações sobre relações do governo com a lobista Roberta Luchsinger e registros de suas entradas em palácios presidenciais e voos em aeronaves da Força Aérea Brasileira.

Outra exigência é a abertura de todos os gastos do cartão corporativo da Presidência da República desde janeiro de 2023, bem como a divulgação de agendas institucionais de Janja desde o início do mandato.

Entenda o contexto

O chamado “desafio dos sigilos” começou no debate de domingo (18), quando Lula propôs a Flávio a abertura dos dados bancários e telefônicos de ambos, de suas esposas e filhos, para, nas palavras do presidente, mostrar “quem é honesto e quem é ladrão” na disputa presidencial.

No dia seguinte, Lula foi ao TSE e apresentou um requerimento autorizando a divulgação dos próprios dados e dos de seus parentes diretos, relativos aos últimos oito anos. Flávio respondeu com um conjunto de condições mais amplo, tentando incluir assessores, terceiros e empresas ligadas ao petista.

Ao aceitar todas as exigências, mas condicioná-las à reciprocidade, a campanha de Lula tenta transformar o movimento, visto internamente como risco calculado, em instrumento de pressão sobre o adversário, agora com data e hora marcadas no tribunal.

Pressão eleitoral e impacto político

Na prática, a estratégia cria um jogo de tudo ou nada na reta final do segundo turno. Se o acordo for cumprido pelas duas partes, o eleitor poderá ter acesso a um volume inédito de informações financeiras, fiscais e eletrônicas sobre os dois candidatos, seus núcleos familiares e redes de apoio.

Camilo Santana classifica as exigências de Flávio como “manobra”, mas diz que a aceitação integral por Lula expõe o senador caso ele recue. “Se ele não deve nada, ele deveria ter aceito o desafio do presidente Lula naquele domingo”, afirmou o coordenador.

Em ato de campanha em Belo Horizonte, Lula adotou tom de desafio e recorreu a uma metáfora do truco para descrever a troca de petições no TSE. “Essa semana eu pedi para o Flávio abrir sigilo. Hoje ele inventou um monte de mentiras e trucou 6. Eu vou meter um 9 na cara dele amanhã. Vou meter um 9. Ele não tem nenhuma carta boa, só tem mentira. As cartas dele são todas falsas. Eu tô com zap, sete copas, espada e ouro. E ainda tenho três de reserva. Ele vai saber o que é um campeão de truco que aprendeu a jogar como mineiro”, discursou.

O entorno de Flávio avalia que a ampliação da lista de nomes e empresas a terem sigilos quebrados redistribui o desgaste e pode atingir quadros do governo e do PT. Já aliados de Lula apostam que, se o senador não aparecer no TSE até as 11h de quinta com as autorizações, o episódio será explorado como sinal de falta de transparência do adversário.

O embate ocorre enquanto Flávio é alvo de dois inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal, um sobre lavagem de dinheiro em negócios ligados ao advogado Willer Tomaz e outro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, envolvendo recursos do Banco Master.

Paralelamente ao duelo dos sigilos, a campanha de Lula mantém ofensiva na Justiça Eleitoral contra a Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp. A área jurídica do PT informou que apresenta ainda nesta quarta representações no TSE contra a empresa, sob alegação de que suas políticas afetam o ambiente informacional da disputa. “A Meta é motivo de grande preocupação pra gente e para o mundo democrático. Não vamos aceitar esse tipo de interferência, esse tipo de coisa”, disse Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação.

Com o relógio eleitoral correndo, a quinta-feira no TSE tende a concentrar atenções: de um lado, o protocolo da resposta formal de Lula às condições de Flávio; de outro, a expectativa sobre se o senador repetirá o gesto e abrirá seus sigilos e os de sua rede familiar e empresarial antes que o eleitor vá às urnas.

Fontes: matéria original 1 · matéria original 2 · matéria original 3