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Política

PF acha sala-cofre ligada a Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro em SP

Polícia Federal encontrou sala-cofre blindada com máquinas de contar dinheiro e malas em hangar de Willer Tomaz em Brasília. Estrutura é investigada por suspeita de lavagem ligada a Flávio Bolsonaro.

PF acha sala-cofre ligada a Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro em SP

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Sala-cofre blindada com equipamentos para contar dinheiro foi descoberta em hangar ligado a Willer Tomaz, investigado por lavagem de dinheiro.

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A Polícia Federal localizou uma sala-cofre blindada, com máquinas de contar dinheiro e malas para transporte de numerário, em hangares usados por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz no Aeroporto Internacional de Brasília. A estrutura, descoberta em agosto durante a Operação Sem Desconto e detalhada em relatórios divulgados nesta semana, é tratada como peça central em apurações sobre lavagem de dinheiro e movimentação de grandes volumes em espécie ligados a Willer e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência.

PF descreve estrutura para guardar numerário em hangar

Os agentes chegaram ao local após uma denúncia anônima sobre a existência de uma parede falsa em um dos hangares, identificados como 36 e 37. Ao avançarem sobre a estrutura, perceberam alterações no ambiente e utilizaram força para abrir uma porta metálica “de elevada robustez, aparentemente blindada”. Atrás dela, encontraram um compartimento reservado, gradeado e compartimentado, que a PF classifica como “estrutura especialmente concebida para armazenamento de valores”.

Dentro da sala-cofre, não havia dinheiro no momento da inspeção, mas os policiais apreenderam máquinas de contar cédulas, malas vazias próprias para transporte de numerário e equipamentos compatíveis com a custódia de grandes quantias em espécie. Documentos operacionais da empresa de táxi-aéreo Direção Táxi Aéreo, registros de voo e listas de passageiros também foram recolhidos, assim como quatro aeronaves executivas.

Em relatório, a PF afirma que a descoberta reforça a linha de investigação sobre o uso de aeronaves privadas para movimentar dinheiro clandestino. “A diligência complementar, portanto, confirmou a existência de estrutura especialmente concebida para armazenamento de valores nas instalações da Direção Táxi Aéreo, circunstância compatível, em tese, com os elementos investigativos relacionados à movimentação de numerário em espécie mediante utilização de aeronaves privadas. A ausência de dinheiro no momento da inspeção não afasta a relevância dos vestígios materiais encontrados, que serão submetidos aos exames periciais e às demais análises necessárias ao aprofundamento da investigação”, registra o documento.

Defesa de Willer fala em estrutura para transportadoras de valores

Em nota, a assessoria de Willer Tomaz afirma que não há ilegalidade na sala-cofre e sustenta que o espaço serve para atender transportadoras de valores que seriam clientes da empresa de aviação. Segundo a versão da defesa, o transporte aéreo de numerário exige ambientes protegidos, malotes e máquinas contadoras, compatíveis com uma atividade “lícita e regulada”.

Willer reage com dureza às suspeitas levantadas pela PF. “É fantasiosa e beira o ridículo a insinuação de que essas instalações seriam utilizadas para armazenar ou contar dinheiro de origem ilícita. Nenhuma quantia foi encontrada no local. Causa perplexidade que a própria Polícia Federal, responsável pela fiscalização do setor de segurança privada, pretenda transformar equipamentos associados a uma atividade lícita em suspeita criminal. Atribuir conotação criminosa a essas instalações, sem qualquer prova, é uma tentativa irresponsável de fabricar suspeitas onde não existem fatos”, diz a nota.

O advogado nega ainda qualquer uso irregular das aeronaves e das estruturas de suas empresas de aviação. A PF, porém, vê no conjunto um “hub financeiro, patrimonial e logístico” supostamente colocado à disposição de investigados em fraudes contra o INSS, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Entenda o contexto

A sala-cofre foi encontrada no cumprimento de mandados da Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS e o uso de empresas e contas no exterior para reciclar recursos suspeitos. Willer Tomaz é apontado pela PF como operador financeiro e figura no centro de um esquema que incluiria o uso de jatos executivos, contas offshore e plataformas de apostas para movimentar grandes somas de origem obscura.

Em outro inquérito, que tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, Willer e o senador Flávio Bolsonaro são investigados por suposta lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de plataformas de apostas esportivas. De acordo com documentos do caso, Willer teria movimentado R$ 258 milhões em apostas em 2025, tornando-se o maior apostador individual do país naquele período. Ambos negam qualquer irregularidade.

Relatórios da PF apontam ainda que Flávio Bolsonaro figura como “usuário master” em conta bancária offshore da empresa Alcazar Holdings, controlada por Willer, com poderes operacionais relevantes. Para os investigadores, isso indica possível participação econômica ou societária de fato na companhia, dona de parte de um jato Legacy 650 utilizado pelo senador e por familiares em viagens internacionais.

Os desdobramentos alcançam diferentes gabinetes do Supremo. A investigação sobre fraudes previdenciárias e o suposto hub financeiro passa pelo ministro André Mendonça, enquanto o inquérito sobre apostas e evasão de divisas está nas mãos de Alexandre de Moraes. A atuação da PF ocorre sob supervisão direta do tribunal, uma vez que Flávio tem foro privilegiado.

PF apura anotação de US$ 180 mil ligada a ex-diretor da Abin

Paralelamente à descoberta da sala-cofre, a PF também mira uma possível conexão financeira entre Willer Tomaz e o ex-diretor de operações da Abin Paulo Maurício Fortunato. Em anotações na nuvem do celular de Willer, os investigadores encontraram o nome de Paulo Maurício associado ao valor de US$ 180 mil (cerca de R$ 900 mil), além das expressões “corregedoria”, “diretor de operações” e “oficial de inteligência”.

No pedido de abertura de um inquérito específico sobre o tema, a PF relaciona essa anotação à apreensão, em uma operação anterior, de US$ 171,8 mil em espécie na casa de Fortunato. “O montante chama a atenção por sua proximidade com o valor de US$ 180 mil registrado nas anotações de Willer. Embora a proximidade entre os valores não permita, isoladamente, estabelecer relação entre os fatos, a anotação de US$ 180 mil vinculada a Paulo Maurício e a apreensão posterior de aproximadamente US$ 171,8 mil constituem elemento de interesse para aprofundamento, especialmente diante da menção expressa ao servidor no material armazenado por Willer”, diz a PF.

Fortunato é alvo de outro inquérito, sobre o funcionamento de uma “Abin paralela” no governo Jair Bolsonaro. Nesse caso, ele já foi indiciado por organização criminosa e violação de sigilo funcional, acusado de integrar uma estrutura para monitorar ilegalmente e perseguir adversários políticos. Com o fim de funções que garantiam foro especial, a parte da investigação que o envolve migrou para a primeira instância, enquanto os demais núcleos seguem no STF.

Defesas negam pagamento e qualquer relação

A assessoria de Willer Tomaz afirma que a anotação de US$ 180 mil não se refere a pagamento ou promessa de valores a Fortunato. Segundo a defesa, o advogado foi procurado em 2024 para avaliar uma possível causa ligada ao ex-dirigente da Abin, fez um registro interno de informações e, depois, recusou o caso. A versão sustenta que Willer não conhece Paulo Maurício e que jamais houve transação entre os dois.

A defesa de Fortunato também tenta afastar qualquer vínculo com o operador financeiro e o clã Bolsonaro. “Dr. Paulo Maurício Fortunato Pinto jamais teve qualquer relação pessoal ou profissional com o advogado Willer Tomaz; o dr. Paulo Maurício Fortunato Pinto não conhece o senador Flávio Bolsonaro e jamais teve qualquer relação pessoal ou profissional com o mesmo”, afirma o advogado do ex-diretor da Abin.

Mesmo com as negativas, a PF considera o cruzamento dos valores em dólares, a anotação no celular de Willer e o dinheiro encontrado em espécie com Fortunato como elementos relevantes para aprofundar a trilha financeira. O objetivo é esclarecer se houve, de fato, algum repasse não declarado e como esse movimento se encaixaria no mosaico de operações de lavagem sob escrutínio.

Efeito político e próximos passos da investigação

A descoberta da sala-cofre blindada em hangar de Willer Tomaz e as novas frentes abertas pela PF aumentam a pressão sobre o entorno financeiro de Flávio Bolsonaro em plena corrida presidencial. A ligação do senador com empresas de aviação, contas offshore e plataformas de apostas alimenta o discurso de adversários sobre transparência e origem dos recursos que sustentam seu patrimônio e sua campanha.

Do lado institucional, a Polícia Federal segue com perícias na sala-cofre, nas máquinas de contagem de cédulas, nas malas apreendidas e nos sistemas das empresas de táxi-aéreo. As quatro aeronaves retidas em Brasília passam por varredura documental e técnica, com checagem de rotas, passageiros e eventuais inconsistências em planos de voo.

O relatório final da Operação Sem Desconto ainda não tem prazo para ser concluído, mas investigadores avaliam internamente que a existência da sala-cofre, somada ao volume movimentado por Willer em apostas e à relação com estruturas offshore, consolida a hipótese de um esquema profissional de lavagem de dinheiro. Eventuais pedidos de indiciamento, novas quebras de sigilo e medidas cautelares dependem agora da análise dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, responsáveis pelos principais inquéritos no STF.

Fontes: matéria original 1 · matéria original 2 · matéria original 3