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Inteligência Artificial

OpenAI, Nvidia e Anthropic gastam US$ 5,8 mi em lobby nos EUA

OpenAI, Anthropic e Nvidia gastaram US$ 5,8 milhões em lobby em Washington entre julho e setembro, em meio à disputa por regras para inteligência artificial e infraestrutura tecnológica.

OpenAI, Nvidia e Anthropic gastam US$ 5,8 mi em lobby nos EUA

Inteligência Artificial

Empresas investem milhões em lobby para influenciar regulamentação e infraestrutura tecnológica nos EUA.

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OpenAI, Anthropic e Nvidia bateram recordes trimestrais de gastos com lobby em Washington entre julho e setembro, destinando juntas US$ 5,8 milhões a interlocução política sobre temas como segurança de inteligência artificial, proteção de crianças, exportações e política de concorrência nos Estados Unidos.

Empresas de IA ampliam ofensiva em Washington

De acordo com declarações federais de lobby, a Nvidia lidera os desembolsos, com US$ 2,2 milhões no terceiro trimestre. A Anthropic aparece em seguida, com US$ 2,1 milhões, e a OpenAI, comandada por Sam Altman, investe US$ 1,5 milhão no mesmo período. Os valores são os maiores já registrados por cada uma das três empresas em um trimestre.

A corrida por influência ocorre em meio a discussões no governo e no Congresso americanos sobre regras para o uso e o desenvolvimento de sistemas de IA, impactos nos empregos, riscos de segurança cibernética e consumo de energia da infraestrutura digital. As agendas apresentadas nos registros de lobby mostram que as gigantes tentam moldar, desde já, as linhas gerais dessas futuras normas.

O que cada empresa busca influenciar

A atuação de cada companhia reflete prioridades estratégicas diferentes. Nos registros, “a Anthropic tratou de proteção de crianças, exportações e custos de energia de data centers”, temas diretamente ligados à aceitação social dos modelos de IA e à viabilidade econômica de sua infraestrutura.

Já a OpenAI foca na governança da tecnologia que a transformou em referência global no setor. Segundo os documentos, “a OpenAI abordou segurança cibernética, supervisão de modelos e direitos autorais”, em um momento em que governos discutem como responsabilizar empresas por riscos de ataques digitais e pelo uso de conteúdo protegido no treinamento dos sistemas.

No caso da Nvidia, fornecedora central de chips para inteligência artificial, a ênfase está em garantir campo de jogo favorável em mercados altamente concentrados e regulados. Conforme os registros, “a Nvidia incluiu política de concorrência, computação quântica e controles de exportação” na sua pauta com autoridades em Washington.

Entenda o contexto

Os gastos recordes reforçam o peso estratégico da inteligência artificial na economia americana e a disputa por voz nas decisões que vão definir quem ganha e quem perde nesse novo ciclo tecnológico. Além de enfrentar propostas de regras mais duras para uso da IA, as empresas lidam com pressões sobre consumo de energia, custo de data centers, segurança de dados e concentração de mercado.

A OpenAI já vem tentando se posicionar como interlocutora central do governo nesse debate. Em iniciativa apresentada ao poder público, a empresa “já propôs alívio regulatório em troca de colaboração com o governo americano”, defendendo um modelo em que empresas líderes ajudariam a formular padrões de segurança e supervisão em troca de regras menos pesadas em algumas frentes.

Esse movimento se soma a uma rede de alianças entre desenvolvedores de modelos, fabricantes de chips, provedores de nuvem e governos, que conecta diretamente decisões regulatórias a questões como oferta de capacidade computacional, localização de data centers e acesso a mercados externos sensíveis.

Impactos e próximos passos

Na prática, o aumento das cifras destinadas ao lobby pode influenciar a redação de projetos de lei e regulamentos sobre supervisão de modelos de IA, limites a exportações de hardware avançado, regras de direitos autorais e exigências de segurança voltadas a crianças e consumidores.

O volume de recursos, porém, não garante resultado. Uma despesa de lobby registrada indica apenas o esforço de interlocução, não se traduz automaticamente em aprovação de propostas ou tratamento preferencial a uma empresa específica. Também não é possível, apenas a partir dos temas listados nos registros, concluir se cada companhia apoia ou se opõe a dispositivos específicos em discussão.

A tendência, para os próximos meses, é de intensificação das conversas entre empresas de tecnologia, órgãos federais e legisladores, em meio a um ciclo legislativo mais ativo sobre IA, infraestrutura digital e comércio internacional. Ao mesmo tempo, grupos de defesa do consumidor, privacidade e concorrência devem pressionar por salvaguardas mais rígidas e por limites ao poder político e econômico das gigantes do setor.