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Inteligência Artificial

American Express corta 5% dos funcionários e acelera aposta em IA

American Express vai eliminar 5% da força de trabalho global em uma reestruturação de US$ 336 milhões para enxugar a gestão, automatizar processos e ampliar o uso de inteligência artificial.

American Express corta 5% dos funcionários e acelera aposta em IA

Inteligência Artificial

A American Express promove reestruturação global para otimizar operações com automação e IA.

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A American Express anunciou nesta sexta-feira que vai cortar 5% de sua força de trabalho global, em uma reestruturação de US$ 336 milhões para tornar a gigante de cartões de crédito mais enxuta, acelerar a automação e preparar a empresa para um uso mais intenso de inteligência artificial.

Amex enxuga gestão para automatizar processos

Em teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre, o CEO Stephen Squeri afirmou que a decisão faz parte de um plano para simplificar a estrutura interna e ganhar velocidade na adoção de novas tecnologias. A companhia tinha quase 77 mil funcionários ao fim do ano passado, o que coloca o corte na casa de alguns milhares de postos.

“Estamos em um bom ritmo, mas, para acelerar a inovação e obter sucesso nos próximos anos, precisávamos nos tornar uma organização mais ágil e eficiente”, disse Squeri a analistas.

O diretor financeiro, Christophe Le Caillec, explicou que a reestruturação passa pela redução de camadas hierárquicas e pelo aumento da abrangência de cada gestor, abrindo espaço para automatizar tarefas repetitivas com IA. “Não se deve automatizar processos que não estejam estruturados de forma otimizada”, afirmou. “Portanto, o que estamos fazendo aqui é reduzir camadas hierárquicas e ampliar a abrangência de gestão, para que possamos automatizar e tirar proveito da IA nos próximos trimestres e anos.”

Ao ligar o corte de pessoal à revisão de processos, a Amex segue um movimento que vem se espalhando pelo setor financeiro, em que bancos e empresas de serviços buscam substituir funções operacionais por sistemas de automação e agentes inteligentes.

IA para personalizar ofertas, com acesso sob controle

Na apresentação aos investidores, Squeri dedicou parte do discurso para detalhar como a inteligência artificial deve ser usada no relacionamento com clientes. Segundo ele, a tecnologia vai apoiar principalmente a personalização de ofertas e experiências para portadores de cartão e estabelecimentos comerciais.

O executivo fez questão de frisar que a expansão do uso de agentes de IA virá acompanhada de controles rígidos de segurança. “Não permitiremos que assistentes ajam sem controle dentro de nosso sistema”, declarou. “Permitiremos o acesso aos nossos sistemas apenas a agentes que tenham sido aprovados por meio de canais de API ou MCP”, acrescentou, em referência a formas de conexão segura entre plataformas externas e os sistemas da Amex.

Na prática, a estratégia combina automação de processos internos, com foco em tarefas estruturadas e repetitivas, e uso de IA voltada à análise de dados de consumo para ajustar limites, benefícios e campanhas a perfis específicos de clientes.

Lucro acima das projeções em meio à reestruturação

Os cortes foram anunciados no mesmo dia em que a American Express divulgou números considerados sólidos para o terceiro trimestre. O lucro por ação ajustado ficou em US$ 4,68, acima da estimativa média de US$ 4,48 do mercado.

A receita total avançou 9%, para US$ 20,06 bilhões, resultado ligeiramente abaixo das projeções de analistas, que esperavam um número pouco maior. Executivos atribuíram parte da pressão sobre o crescimento das despesas com cartões à saída de parcerias de marca compartilhada voltadas para pequenas empresas.

Apesar da combinação de lucro forte e receita abaixo do esperado, a mensagem da cúpula da Amex foi de que o momento é de investir na reorganização interna para capturar ganhos de eficiência com a automação e a IA nos próximos anos, mesmo ao custo imediato de milhares de demissões e de uma despesa extraordinária de US$ 336 milhões.