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Inteligência Artificial

Miss AI Universe 2026: 71 modelos virtuais disputam título global

Miss AI Universe coloca 71 modelos criadas por inteligência artificial, cada uma ligada a uma causa social, para disputar um título global e redefinir os concursos de beleza.

Miss AI Universe 2026: 71 modelos virtuais disputam título global

Inteligência Artificial

Modelos virtuais com causas sociais competem para transformar o conceito tradicional de concursos de beleza globais.

Leia também: UFSM lança guia para uso ético de inteligência artificial

O Miss AI Universe, concurso internacional que reúne 71 modelos virtuais criadas por inteligência artificial e ligadas a causas sociais, entra em nova fase nesta semana e consolida um formato que mistura tecnologia, cultura e ativismo em escala global, sob comando do diretor criativo e fundador Francisco Terra, mineiro radicado em Paris.

Concurso de beleza com IA e foco em causas sociais

Na disputa, não há candidatas de carne e osso. As representantes de Brasil, Colômbia, México, Espanha, Estados Unidos, Venezuela, Filipinas, África do Sul e de outros países são personagens digitais geradas por ferramentas de inteligência artificial, desenhadas para combinar estética, identidade cultural e engajamento em temas como saúde, educação, igualdade e preservação ambiental.

A competição segue um modelo de eliminatórias. As 71 participantes iniciais serão reduzidas a 25 classificadas para a segunda fase. Dali saem 12 semifinalistas, até que apenas seis finalistas disputem a coroa na cerimônia de premiação. A organização mantém calendário próprio e sistema de votação que leva em conta tanto a avaliação técnica quanto a resposta do público nas plataformas digitais.

Além da aparência, os jurados analisam originalidade, consistência da identidade visual, representação cultural de cada país e capacidade de mobilizar seguidores em redes sociais. Cada personagem está associada a uma causa específica, que precisa ser defendida em campanhas, conteúdos audiovisuais e ações de engajamento.

Entenda o contexto

O Miss AI Universe surgiu como uma forma de levar a lógica dos concursos de beleza para o ambiente totalmente digital, apostando em influenciadoras virtuais e em narrativas construídas com IA. A proposta é usar essas personagens como embaixadoras de temas que vão de campanhas de saúde e combate à desigualdade a projetos de educação e defesa do meio ambiente.

Segundo a organização, a ideia é que a tecnologia não sirva apenas para criar rostos e corpos perfeitos, mas para contar histórias, representar culturas diversas e amplificar debates sociais. Na prática, o concurso passou a funcionar também como vitrine para marcas, ONGs e projetos que buscam novas formas de comunicação digital.

Colombiana vira símbolo da pauta ambiental

Entre as candidatas desta edição, a representante da Colômbia, Marya Tiglao Pulgarín, se destaca pela narrativa ambiental. Criada como ativista ecológica, apresentadora de TV, atriz e contadora, a personagem conduz campanhas focadas na proteção de ecossistemas e no apoio a comunidades que defendem a natureza.

Em suas publicações, a miss virtual reforça que a coroa vem acompanhada de responsabilidade. “Representar um país também significa assumir responsabilidades diante dos desafios ambientais e sociais contemporâneos”, afirma Marya Tiglao Pulgarín em texto divulgado em seu perfil oficial.

Outras candidatas seguem linha semelhante, voltadas a temas como inclusão de minorias, acesso à educação de qualidade, saúde mental e combate à violência de gênero, sempre a partir de conteúdos pensados para circular em redes sociais e dialogar com públicos jovens.

Impacto em tecnologia, cultura e mercado de influenciadores

O avanço do Miss AI Universe movimenta diferentes setores. Na tecnologia, impulsiona a busca por ferramentas de IA mais sofisticadas para criação de personagens, cenários e roteiros interativos. Na cultura e no entretenimento, amplia o espaço das figuras virtuais em um terreno antes dominado apenas por pessoas reais.

Para o mercado de publicidade e eventos, o concurso funciona como laboratório do uso de avatares e influenciadores digitais em campanhas e ações ao vivo ou híbridas. A tendência é que marcas e organizações passem a testar mais personagens virtuais como porta-vozes, inclusive em campanhas de conscientização social.

Esse movimento pressiona o modelo tradicional de concursos de beleza e até o mercado de modelos, que passam a disputar atenção com figuras geradas por algoritmo, disponíveis 24 horas por dia, em qualquer idioma e adaptáveis a diferentes formatos de mídia.

Francisco Terra aposta em um mundo mais onírico

O criador do Miss AI Universe é o brasileiro Francisco Terra, diretor criativo que deixou Minas Gerais para viver em Paris e se consolidar no cenário de moda e imagem. Ele idealizou o concurso como desdobramento de uma marca fundada no pós-pandemia, em meio às discussões sobre futuro digital e novas formas de entretenimento.

“Quando lancei a marca, saindo da pandemia, senti que o mundo precisava ser um tiquinho mais onírico”, diz Terra. O conceito de um universo de misses virtuais parte justamente dessa ideia de sonho: personagens perfeitas, mas com biografias e causas ancoradas em problemas reais.

A primeira edição do Miss AI Universe foi realizada em 2024, quando uma influenciadora virtual marroquina levou o título. O desempenho e a repercussão daquele ano abriram caminho para a atual temporada e para a expansão do formato em diferentes países.

Próximos passos do Miss AI Universe

Com a edição global em andamento, a organização já prepara desdobramentos regionais. Um dos principais é o Miss AI Universe Filipinas 2027, cuja final está marcada para 9 de maio do próximo ano, em um esforço para consolidar a marca em um dos países com público mais ativo em redes sociais.

A expectativa é que novas versões nacionais e regionais sejam anunciadas, servindo como etapa de classificação para o concurso internacional e ampliando a presença das misses virtuais em diferentes mercados. Em paralelo, especialistas em tecnologia e cultura digital já projetam debates sobre ética, transparência no uso de IA, representatividade e impactos dessas personagens virtuais na autoestima e na percepção de beleza no mundo real.

Enquanto isso, os organizadores trabalham para afinar regras, ampliar parcerias com instituições sociais e manter o equilíbrio entre espetáculo visual e compromisso com as causas que cada personagem defende.