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Inteligência Artificial

75% dos executivos brasileiros usam IA; quais habilidades faltam?

Três em cada quatro executivos brasileiros já usam IA generativa no trabalho. Desafio agora é transformar a tecnologia em ganho real para o negócio, com ética e supervisão humana.

75% dos executivos brasileiros usam IA; quais habilidades faltam?

Inteligência Artificial

Executivos brasileiros adotam IA generativa, mas enfrentam desafios para aplicar a tecnologia com ética e eficácia nos negócios.

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Três em cada quatro executivos brasileiros já incorporam inteligência artificial generativa à rotina de trabalho, mas especialistas alertam que o avanço da tecnologia só vira resultado quando a liderança aprende a usá-la de forma estratégica, crítica e com supervisão humana.

Quais habilidades em inteligência artificial são essenciais para líderes brasileiros atualmente?

O ponto de partida, segundo análise da Fundação Getulio Vargas baseada em relatório da aliança de escolas de negócios CEMS, é entender que “dominar ferramentas específicas não é suficiente para conduzir uma transformação dentro de uma organização”. A lista de competências exigidas vai bem além de saber qual botão apertar.

Hoje, 75% dos executivos brasileiros entrevistados pela Page Executive declaram usar IA generativa em atividades profissionais. Na América Latina, o índice é de 74%, contra 41% dois anos antes. O salto mostra que o contato com a tecnologia deixou de ser exceção, mas também eleva a régua sobre o que se espera de quem lidera times e negócios.

Entre as habilidades apontadas como essenciais está a capacidade de mapear tarefas recorrentes que podem ser automatizadas – como preparar relatórios, organizar informações, resumir documentos e comparar alternativas – e, em seguida, avaliar se o uso da IA de fato melhora o processo. A recomendação é comparar a qualidade das informações, o tempo economizado e a necessidade de correções entre o trabalho com e sem tecnologia.

Outro ponto central é a leitura crítica do que a máquina produz. “A liderança precisa reconhecer quais atividades podem ser automatizadas, avaliar os resultados produzidos pela tecnologia e identificar situações que exigem análise humana”, afirma a análise. Isso envolve interpretar dados, confrontar cenários e questionar respostas que pareçam incompletas ou incoerentes.

Na prática, são valorizados executivos com pensamento crítico, curiosidade intelectual e foco em decisões éticas. O relatório divulgado pela CEMS e apresentado pela FGV destaca que essas competências são decisivas para conectar recursos de IA às necessidades reais da empresa, evitando investimentos em soluções que não resolvem problemas concretos.

A formulação de boas instruções, os chamados prompts, também entra na lista de habilidades-chave. “Quanto mais claros forem o objetivo, o contexto e os critérios esperados, maiores serão as chances de obter respostas úteis”, diz a orientação. Saber traduzir uma demanda de negócio em um comando claro para a ferramenta passa a ser tão importante quanto analisar o resultado.

Como líderes podem se preparar para integrar a IA em suas carreiras?

A preparação começa com experimentação guiada: testar ferramentas de IA generativa em tarefas reais, medir ganhos e erros e, a partir daí, criar critérios de uso. O movimento já aparece em cargos de liderança, com executivos usando a tecnologia para elaborar relatórios, estruturar apresentações, fazer resumos de documentos extensos e simular cenários de decisão.

Mas o passo seguinte, apontam especialistas, é construir políticas claras para toda a equipe. Líderes são chamados a definir quais tipos de atividade podem recorrer à IA, como proteger dados confidenciais e que decisões não podem ser automatizadas sem supervisão humana. “A confiança excessiva nas respostas automatizadas representa riscos que devem ser mitigados”, alerta a FGV.

Isso inclui cuidar da segurança da informação — evitando inserir em sistemas externos dados sensíveis da empresa ou de clientes — e estabelecer limites para o uso de ferramentas generativas em análises críticas, negociações, contratações e decisões financeiras relevantes.

A forma de comunicação faz diferença no clima interno. “Explicar por que uma ferramenta será adotada, ouvir dúvidas e compartilhar aprendizados ajuda a reduzir resistências”, orienta o material dirigido a líderes. Em vez de impor plataformas, a recomendação é envolver as equipes em testes-piloto, divulgar resultados e ajustar rotinas de trabalho de forma gradativa.

O avanço de sistemas como a IA Moonshot, que ganhou uma versão mais rápida após 11 dias de pausa para correção de falhas na infraestrutura e deve ter os pesos completos liberados até 4 de novembro, reforça a necessidade de atualização constante. A velocidade das mudanças tecnológicas exige que executivos revisitem processos, treinem equipes e acompanhem de perto a evolução das ferramentas que estão adotando.

Ao mesmo tempo, estudos recentes da OCDE indicam que a IA generativa tende a apoiar empresas com equipes enxutas, ampliando a produtividade, mas não elimina a necessidade de profissionais qualificados. O recado para quem está na liderança é que a tecnologia aumenta o alcance do trabalho humano, não substitui a responsabilidade sobre decisões.

Entenda o contexto

O crescimento do uso da inteligência artificial generativa muda, na prática, a forma como executivos brasileiros tomam decisões e organizam o dia a dia. Setores administrativos, financeiros e de planejamento são alguns dos mais impactados, por dependerem fortemente de tarefas repetitivas e análises de informação, justamente onde a automação tem mais espaço para avançar.

Empresas que adotam a IA com regras claras, proteção de dados e limites precisos para decisões automatizadas tendem a capturar ganhos mais rapidamente, reduzindo custos, evitando retrabalho e abrindo espaço para que líderes e equipes se concentrem em atividades estratégicas.

Já organizações que migram para a tecnologia sem critérios ou supervisão correm o risco de decisões baseadas em respostas imprecisas, exposição de informações sensíveis e aumento da desconfiança interna. A mensagem de universidades e escolas de negócios é que a próxima fase da transformação digital no Brasil depende menos do brilho das ferramentas e mais da capacidade de liderança de usá-las com propósito, rigor e responsabilidade.