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Japão fecha lago Yugama após alerta de erupção vulcânica hoje

Japão reinterdita acesso ao lago Yugama dias após reabertura por risco em caso de erupção vulcânica e falhas na evacuação. Estudo revela como erupção de 7.300 anos moldou populações Jomon.

Japão fecha lago Yugama após alerta de erupção vulcânica hoje

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Lago Yugama é fechado novamente devido a riscos iminentes após recentes alertas de atividade vulcânica.

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O Japão voltou a fechar o acesso ao lago Yugama, no monte Kusatsu-Shirane, na província de Gunma, menos de uma semana depois de reabrir a cratera vulcânica a turistas, enquanto um novo estudo internacional relembra como uma erupção gigante ocorrida há 7.300 anos remodelou populações humanas em várias regiões do país.

Por que o Japão fechou o acesso ao lago da cratera após alta procura?

O lago Yugama foi reaberto em 13 de outubro, após o nível de alerta para erupção do monte Kusatsu-Shirane ser reduzido para 1 em maio, permitindo visitação pela primeira vez em oito anos. A liberação, porém, durou poucos dias: o excesso de turistas criou um gargalo que, na avaliação das autoridades, tornaria inviável uma evacuação segura em caso de erupção vulcânica.

Ao longo do fim de semana seguinte à reabertura, cerca de 4 mil veículos passaram pela área e o congestionamento nas estradas chegou a aproximadamente 7 quilômetros. A prefeitura de Kusatsu, que planejava manter o acesso aberto até o início de novembro, decidiu voltar atrás.

Em comunicado, a administração local afirmou que “o local voltaria a ficar interditado, alegando dificuldades para garantir a segurança dos visitantes caso ocorra uma erupção vulcânica”. O estacionamento próximo à cratera e o mirante de observação do lago estão novamente fechados, sem previsão para nova flexibilização.

Na prática, a medida atinge diretamente turistas que correram para aproveitar a primeira chance de ver de perto as águas verde-esmeralda da cratera após quase uma década e frustra o setor de turismo de Kusatsu, que via na reabertura uma janela para recuperar parte das perdas acumuladas durante o longo período de restrições.

O fechamento expõe o dilema de regiões turísticas em áreas de risco geológico: como conciliar o interesse econômico gerado pelas paisagens vulcânicas com planos realistas de evacuação, especialmente em vias estreitas e sujeitas a engarrafamentos?

Entenda o contexto

O monte Kusatsu-Shirane é monitorado de perto por autoridades japonesas devido ao potencial de erupções explosivas e emissão de gases tóxicos. Restrições de acesso ao entorno do lago Yugama vinham sendo mantidas há anos justamente por causa desses riscos.

Com a redução do nível de alerta para 1, o acesso começou a ser liberado de forma gradual. O ritmo de chegada de visitantes, porém, superou as estimativas da prefeitura, que agora mantém o monitoramento reforçado e condiciona qualquer nova reabertura a dois fatores: evolução da atividade vulcânica e capacidade de controlar o fluxo turístico de forma que uma retirada rápida seja possível.

Como a erupção vulcânica no Japão há 7.300 anos influenciou o crescimento populacional?

A erupção do vulcão submarino Kikai-Akahoya, ocorrida há cerca de 7.300 anos, espalhou cinzas por amplas áreas do arquipélago japonês, gerou tsunamis e fortes terremotos e foi um dos eventos vulcânicos mais intensos da pré-história do país. Um estudo publicado nesta semana na revista Science Advances mostra que o impacto sobre as populações humanas da cultura Jomon foi muito mais complexo do que um simples colapso generalizado.

A equipe de pesquisadores das universidades de Lund (Suécia), Cambridge (Reino Unido) e outras instituições analisou vestígios arqueológicos e dados ambientais e concluiu que “os efeitos foram mais variados do que essas duas explicações sugeriam”, em referência às hipóteses tradicionais de desaparecimento quase total das comunidades próximas ao vulcão ou de continuidade sem grandes mudanças.

No sul da ilha de Kyushu, a população já estava em declínio antes da erupção. A região era ocupada principalmente por grupos de caçadores-coletores nômades, que se deslocavam com frequência. A chegada das cinzas e a alteração dos ecossistemas agravaram esse quadro, contribuindo para a redução e dispersão dessas comunidades.

No norte de Kyushu, o cenário foi oposto. Ali, a população vinha crescendo antes do desastre e continuou aumentando depois dele. Os pesquisadores apontam que a migração de sobreviventes de áreas mais afetadas pode ter impulsionado esse crescimento, com deslocamentos do interior para a costa norte, onde os ecossistemas marinhos se recuperaram mais rapidamente e ofereceram novas fontes de alimento.

Segundo a equipe, “a recuperação não ocorreu de maneira uniforme. As condições ambientais e as possibilidades de deslocamento influenciaram a forma como cada comunidade respondeu ao desastre”. Em outras palavras, a mesma erupção gerou declínio em algumas áreas, reconfiguração em outras e até oportunidades de expansão populacional onde o ambiente se regenerou mais rápido e rotas de migração estavam disponíveis.

O estudo também identifica efeitos em regiões mais distantes do vulcão, onde o crescimento populacional desacelerou ou foi revertido após o evento. Entre as hipóteses investigadas estão mudanças climáticas temporárias provocadas pela erupção e impactos sobre populações de animais de caça, como veados e javalis, que teriam sofrido com o desgaste dentário associado à alimentação em áreas cobertas por cinzas.

Ao mostrar respostas tão diferentes a uma mesma catástrofe, a pesquisa fornece pistas para planejadores, gestores de risco e cientistas que hoje lidam com erupções vulcânicas ativas: além do perigo imediato, desastres assim desencadeiam ondas de mudanças sociais, econômicas e ambientais que podem se estender por gerações — algo que autoridades em lugares como Kusatsu precisam considerar ao definir políticas de ocupação e turismo em zonas vulcânicas.