Só 30% dos lojistas de Porto Alegre usam IA além do atendimento?
Pesquisa do Sindilojas POA mostra que só 30% dos lojistas usam inteligência artificial, em geral para WhatsApp e redes sociais, sem chegar à gestão do negócio.

Inteligência Artificial
Levantamento revela que a maioria dos lojistas de Porto Alegre ainda não integra IA na gestão empresarial.
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Uma pesquisa do Sindicato dos Lojistas de Porto Alegre (Sindilojas POA) mostra que apenas 30% dos comerciantes da capital gaúcha usam inteligência artificial (IA), e quase sempre em tarefas visíveis ao cliente, como atendimento por WhatsApp e criação de conteúdo para redes sociais, sem chegar à gestão do negócio.
IA concentrada no balcão, longe da gestão
Entre os lojistas que já adotaram a tecnologia, só 12% utilizam IA com frequência. As ferramentas aparecem principalmente em chats automatizados, respostas prontas em aplicativos de mensagem e sistemas simples de atendimento. Em menor escala, os empresários recorrem à IA para editar imagens e produzir textos para redes sociais.
Na outra ponta, 36% dos entrevistados afirmam que não usam inteligência artificial nem têm intenção de adotá-la. Nenhuma das empresas ouvidas declara empregar IA em áreas consideradas estratégicas, como definição de preços, previsão de demanda ou processos de recrutamento.
Para o coordenador da pesquisa, Victor Pires, o resultado explicita um estágio inicial de digitalização no varejo local. “O uso está na vitrine e no balcão. A gestão do negócio ainda não foi alcançada”, resume.
Entenda o contexto
Ao se concentrar no atendimento e na comunicação, o comércio de Porto Alegre colhe benefícios pontuais, como respostas mais rápidas a clientes e presença mais ativa nas redes. Mas deixa de explorar ganhos de eficiência em áreas como controle de estoque, planejamento de compras e definição de promoções, hoje amplamente apoiadas em IA em mercados mais avançados.
O retrato traçado pelo Sindilojas POA indica que pequenos negócios e lojas tradicionais, onde o dono acumula funções, são os que mais sentem as limitações. Sem incorporar inteligência artificial à gestão, esses empreendimentos tendem a ter mais dificuldade para reagir a mudanças rápidas no comportamento do consumidor e à concorrência de empresas mais digitalizadas.
Tempo curto, caixa apertado e medo de errar na LGPD
A falta de tempo aparece como um dos principais entraves para ampliar o uso da inteligência artificial. Em grande parte das lojas, seria o próprio proprietário a testar, implementar e acompanhar as soluções tecnológicas, o que esbarra na rotina puxada do varejo.
O custo das ferramentas também é citado como barreira. Mesmo assim, entre quem já usa IA, 71% optam por versões gratuitas, o que limita o acesso a recursos mais robustos e integrados a sistemas internos de gestão.
Outra preocupação relevante é o tratamento dos dados dos clientes. O receio de violar regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) trava decisões de investimento e reforça a demanda por orientação especializada. “Orientação sobre LGPD é uma demanda concreta de quem já adotou a ferramenta”, afirma Victor Pires.
Diante desse cenário, a expectativa é de que o próprio Sindilojas POA e outras entidades do setor passem a oferecer mais capacitações e consultorias específicas sobre uso seguro e estratégico de inteligência artificial no varejo, em especial com foco em conformidade com a LGPD e em aplicações de gestão.


