Mercados
S&P 5007.624▼ 0,52%Nasdaq25.955▼ 0,21%Dow Jones52.215▼ 1,23%Ibovespa205.083▲ 0,47%FTSE 10010.740▲ 0,46%DAX25.418▲ 0,94%Nikkei62.190▼ 0,80%DólarR$ 4,98▲ 0,24%EuroR$ 5,57▲ 0,62%BitcoinR$ 400.198▲ 0,65%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.624▼ 0,52%Nasdaq25.955▼ 0,21%Dow Jones52.215▼ 1,23%Ibovespa205.083▲ 0,47%FTSE 10010.740▲ 0,46%DAX25.418▲ 0,94%Nikkei62.190▼ 0,80%DólarR$ 4,98▲ 0,24%EuroR$ 5,57▲ 0,62%BitcoinR$ 400.198▲ 0,65%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Mundo

Ministro acusa Mélenchon de incitar protestos violentos na França

Jean‑Luc Mélenchon rejeita a acusação de responsabilidade política pelos protestos violentos na França, culpa o governo Macron e já se projeta como candidato ao Eliseu em 2027.

Ministro acusa Mélenchon de incitar protestos violentos na França

Política Internacional

Ministro francês responsabiliza líder oposicionista por agitação social enquanto ele mira eleição presidencial de 2027.

Leia também: Putin aceita negociar paz na Ucrânia em novembro com EUA

Jean-Luc Mélenchon e o França Insubmissa entraram no centro da crise política na França após o ministro do Interior, Laurent Nuñez, acusar o partido de extrema esquerda de ter responsabilidade política pela onda de protestos violentos do último fim de semana, marcada por confrontos com a polícia, saques e depredações em várias cidades.

Ministro fala em “responsabilidade” do França Insubmissa

As declarações de Nuñez ocorreram na terça-feira, 20 de setembro, na Assembleia Nacional, em um debate tenso com o deputado Manuel Bompard, um dos principais dirigentes do França Insubmissa. Diante dos episódios de violência registrados nas ruas, o ministro associou a legenda a grupos radicais presentes nas manifestações.

“Vocês jogaram mais lenha na fogueira. Portanto, têm uma parcela de responsabilidade pelos graves incidentes ocorridos”, afirmou o ministro do Interior, dirigindo-se ao parlamentar da oposição. Ele citou supostos vínculos de integrantes do partido com organizações radicais investigadas por envolvimento em episódios de violência política.

Nuñez também recuperou, no plenário, a relação de membros do França Insubmissa com o grupo antifascista Jeune Garde, dissolvido pelo governo e citado em investigações sobre a morte do militante conservador Quentin Deranque em Lyon. Segundo o ministro, “a ligação entre o França Insubmissa e determinados grupos radicais é real”.

O endurecimento do discurso do Interior vem na esteira da decisão administrativa que passou a classificar oficialmente o França Insubmissa como formação de extrema esquerda nas eleições municipais, enquadramento contestado pelo partido, mas validado pelo Conselho de Estado.

Mélenchon reage e culpa governo Macron

Mélenchon respondeu publicamente às acusações, negando qualquer envolvimento de sua legenda nos saques e destruições registrados nas manifestações e devolvendo a responsabilidade ao governo de Emmanuel Macron. Para o líder da esquerda radical, a escalada da violência nas ruas é fruto direto da política econômica e da estratégia de repressão adotada pelo Executivo.

O dirigente afirmou que militantes e simpatizantes do França Insubmissa não participam dos atos de vandalismo, embora reconheça a participação de parlamentares e quadros do partido nas mobilizações contra o governo. Ele voltou a criticar a atuação da polícia nas manifestações e defendeu mudanças profundas na política de segurança pública, como o fim de unidades especializadas usadas na repressão de protestos e a criação de órgãos independentes para fiscalizar a polícia.

O França Insubmissa costuma apresentar as manifestações de rua como parte da “revolução cidadã” que o partido diz querer impulsionar para transformar as instituições francesas e reverter reformas sociais e trabalhistas aprovadas nos últimos anos.

Entenda o contexto

A França vive, desde o fim de semana, uma nova sequência de protestos massivos contra o governo Macron, que rapidamente degenerou em confrontos com as forças de segurança, depredações e saques em diferentes cidades. Mélenchon esteve nas ruas em Paris ao lado de parlamentares de sua legenda, atacando a política econômica do governo e a resposta policial aos atos.

A crise acontece em um momento delicado para o líder do França Insubmissa. Aos 75 anos, nascido em 19 de agosto de 1951 em Tânger, no então Marrocos francês, Mélenchon já foi senador, ministro do Ensino Profissional entre 2000 e 2002 e é figura central da esquerda radical há décadas. Depois de mais de 30 anos no Partido Socialista, rompeu com a sigla, fundou o Partido de Esquerda e, posteriormente, o França Insubmissa.

Candidato ao Palácio do Eliseu em três eleições presidenciais seguidas, ele consolidou uma base eleitoral expressiva e, no último pleito, alcançou cerca de 22% dos votos no primeiro turno, terminando em terceiro lugar. Em maio, anunciou que voltará a disputar a Presidência em 2027, quando termina o segundo mandato de Macron.

O programa do França Insubmissa prevê aumento de impostos sobre grandes fortunas, elevação do salário mínimo, controle de preços de produtos essenciais, reversão de reformas trabalhistas, redução da idade de aposentadoria para 60 anos e ampliação dos serviços públicos. No campo institucional, o partido defende substituir a atual Quinta República por uma Sexta República, com maior participação direta da população nas decisões políticas.

Na imigração, a legenda se opõe ao endurecimento de regras, defende a regularização de trabalhadores sem documentos e a ampliação de direitos de imigrantes. Nos últimos anos, Mélenchon também mudou de posição sobre o uso do véu islâmico, passando a defender que cabe às mulheres decidir sobre o uso da vestimenta religiosa.

Impacto na disputa até 2027

O enquadramento formal do França Insubmissa como extrema esquerda, somado ao discurso do ministro do Interior sobre vínculos com grupos radicais, tende a pesar na vida eleitoral da sigla, especialmente nas eleições municipais que antecedem a disputa presidencial de 2027. A classificação influencia a forma como a legenda é tratada institucionalmente, inclusive em termos de exposição e acesso a recursos.

Para setores da esquerda radical, as acusações de Nuñez reforçam a percepção de perseguição política e de tentativa de marginalizar propostas de transformação social, como a defesa de mais impostos para os muito ricos e de mais direitos para imigrantes. Na outra ponta, centro e direita ganham munição para sustentar o discurso de combate à radicalização e à violência nas ruas.

A sucessão de confrontos, o endurecimento da repressão policial e a troca de acusações entre governo e oposição radical elevam a tensão política e podem alimentar novos protestos, em um ambiente já marcado por forte polarização. Analistas veem nesse cenário uma variável decisiva para o futuro de Mélenchon, cuja candidatura ainda não lidera as pesquisas e precisa ampliar o alcance para além do eleitorado da esquerda radical.

Enquanto o governo busca responsabilizar o França Insubmissa pela deterioração da segurança nas manifestações, a legenda aposta em transformar esse embate em vitrine política, apresentando-se como principal alternativa às políticas de Emmanuel Macron e prometendo uma ruptura com o atual modelo econômico e institucional francês.

Leia também

Mais em Mundo →