Ghostty 1.4.0 acelera 5,7x texto e traz gráficos Kitty avançados
Ghostty 1.4.0 é lançado com aceleração de até 5,7x em texto, compressão de scrollback que corta até 90% da memória e implementação completa dos gráficos Kitty, para macOS e Linux.

Tecnologia
Nova versão do Ghostty melhora desempenho e eficiência com gráficos avançados e compressão de memória.
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O terminal Ghostty lançou nesta terça-feira (27) a versão 1.4.0, uma atualização robusta que acelera em até 5,7 vezes o processamento de texto, reduz em até 90% o uso de memória com scrollback e implementa 100% do protocolo gráfico Kitty, com animações e posicionamento avançado de imagens em macOS e Linux 64 bits.
Terminal fica mais rápido e enxuto
Ao longo de sete meses, 172 contribuidores assinaram 2.889 commits para chegar ao Ghostty 1.4.0. O foco do time foi desempenho e uso eficiente de memória, especialmente para quem trabalha com grandes volumes de texto, logs extensos e sessões remotas pesadas.
Nos benchmarks divulgados pelo projeto, o processamento de texto ASCII salta de 128 MB/s para 725 MB/s, um ganho de 5,7 vezes. Em textos CJK (caracteres chineses, japoneses e coreanos), a aceleração chega a 3,4 vezes. Em um conjunto real de gravações de terminal de 2,6 GB, o Ghostty 1.4.0 processa tudo cerca de 25% mais rápido.
No macOS, uma mudança de arquitetura na leitura do pty — agora feita em paralelo, com uma thread drenando dados enquanto outra faz o parsing — eleva a taxa de I/O em 25% a 55%. Na prática, operações como dar cat em um arquivo de 150 MB caem de 1,5 segundo para 566 milissegundos.
No uso cotidiano, a diferença tende a ser mais sentida por desenvolvedores, administradores de sistemas e profissionais de dados que convivem com saídas massivas no terminal, cargas intensas de logs ou automações que despejam muito texto de uma vez.
Scrollback comprimido e mais longo
Outra frente de avanço é a compressão transparente do scrollback — o histórico que fica “para trás” quando o usuário rola o terminal. Agora, as páginas de memória que guardam esse histórico são comprimidas quando não estão visíveis, reduzindo o uso de memória física entre 70% e 90% em cenários textuais típicos.
Com isso, o limite padrão de scrollback sobe de 10 MB para 50 MB por terminal, sem penalizar desempenho em plataformas compatíveis. A compressão roda apenas enquanto o terminal está ocioso, e a descompressão ocorre sob demanda, quando o usuário rola ou pesquisa o histórico.
O recurso está disponível em macOS e em distribuições Linux de 64 bits. Como a economia se concentra em memória residente (física), o ganho aparece em monitores de sistema que destacam esse tipo de uso.
Gráficos Kitty completos e animações no terminal
O Ghostty 1.4.0 passa a implementar toda a especificação publicada do protocolo de gráficos Kitty, incluindo animações e posicionamento relativo de imagens. Segundo os desenvolvedores, isso torna o Ghostty — e a biblioteca libghostty — o primeiro terminal fora do projeto Kitty original a cobrir 100% do padrão.
“Nossa implementação dos gráficos Kitty agora cobre 100% da especificação publicada, tornando o Ghostty (e libghostty) o primeiro terminal a fazer isso fora do próprio Kitty”, afirmam os mantenedores nas notas da versão.
Na prática, programas que exibem imagens com o protocolo Kitty, como GIFs animados com a ferramenta kitten icat, passam a de fato animar dentro do Ghostty, em vez de mostrar apenas um quadro estático. O terminal agora dá suporte a transmissão de quadros, composição e controle de reprodução, pausando animações automaticamente quando a janela não está visível.
O suporte a posicionamento relativo permite que uma imagem seja ancorada a outra, movendo-se junto com o “pai” — útil em visualizações mais complexas, interfaces pseudo-gráficas ou dashboards no terminal. Ao mesmo tempo, o Ghostty corrigiu dezenas de diferenças de comportamento em relação ao Kitty, incluindo o fato de imagens passarem a rolar junto com o texto dentro de regiões de scroll e a substituição correta de imagens quando o mesmo ID é retransmitido.
Um ponto de quebra de compatibilidade para alguns fluxos antigos é a nova resposta a dados de imagem inválidos. Em vez de silêncio, o Ghostty agora retorna um erro explícito, o que pode exigir ajustes em scripts que dependiam do comportamento anterior.
GTK ganha novo pipeline gráfico
No ambiente GTK, a versão 1.4.0 estreia um pipeline de renderização redesenhado. O Ghostty deixa de usar GtkGLArea e passa a desenhar com EGL em uma thread dedicada, exportando cada quadro como DMABUF para o GTK exibir. A renderização passa a ser triple-buffered, o que reduz tearing e tira chamadas de OpenGL da thread principal.
O efeito mais visível é o texto nítido com escalonamento fracionário, como 125% ou 150%. Antes, mudanças no GTK tinham reintroduzido borrões em textos e caracteres de desenho de caixa; agora, o Ghostty renderiza na escala fracionária real da janela, mapeando cada pixel renderizado diretamente a um pixel na tela.
O novo caminho gráfico depende de uma biblioteca EGL no sistema. Em GPUs que não conseguem exportar DMABUFs, o terminal recorre a uma cópia de quadros via CPU, que é mais lenta, mas mantém a compatibilidade.
Compatibilidade com macOS 27 e Linux 64 bits
O Ghostty 1.4.0 chega com suporte completo ao macOS 27, de codinome Golden Gate, além de manter compatibilidade com versões anteriores do sistema a partir do Ventura. Parte importante do ciclo de desenvolvimento foi dedicada a correções visuais e de integração nessa nova geração do sistema da Apple.
No Linux, o foco segue em arquiteturas de 64 bits, com o novo pipeline GTK, compressão de scrollback e demais otimizações disponíveis em distribuições que oferecem as bibliotecas gráficas e de sistema necessárias.
As notas de lançamento destacam ainda melhorias na integração SSH, recurso introduzido em versões anteriores e que segue em evolução para tornar sessões remotas mais estáveis e integradas ao terminal, embora os detalhes finos dessas mudanças não tenham sido destacados publicamente.
Terminal mais fiel a xterm e novos recursos de clipboard
Além de desempenho bruto e gráficos, o Ghostty 1.4.0 amplia a fidelidade da emulação de terminal em relação a padrões consolidados como o xterm. A equipe passou a rodar automaticamente, na integração contínua, a suíte de conformidade esctest, do desenvolvedor Thomas Dickey, e corrigiu diferenças em movimento de cursor dentro de margens, tabulação, conjuntos de caracteres, relatórios de modo e outros pontos finos do protocolo.
O terminal também ganha suporte a novas sequências de controle, como o reset suave do terminal (DECSTR), relatórios estendidos de posição de cursor (DECXCPR), modo de tecla backspace estendido (DECBKM) e relatórios de tamanho da tela em caracteres. Há ainda relatórios de visibilidade, que permitem a programas pausar seu próprio desenho quando detectam que o terminal está oculto.
Na área de área de transferência, o Ghostty passa a implementar o protocolo de clipboard Kitty (OSC 5522) no macOS e no GTK. Diferente do tradicional OSC 52, limitado a texto puro, o novo protocolo permite ler e escrever outros formatos, como imagens e HTML, e escolher quais formatos já presentes no clipboard devem ser usados.
O acesso ao clipboard segue regras de permissão configuráveis. Por padrão, leituras pedem confirmação ao usuário e escritas são liberadas, com direito a pré-visualização do conteúdo, incluindo imagens. Um novo limite de tamanho para gravações, com padrão de 64 MB, evita que um único comando substitua a área de transferência com dados excessivamente grandes.
Comunidade ativa e impacto no ecossistema
As notas de lançamento da versão 1.4.0 reforçam o papel da comunidade no projeto. Em texto assinado pelos mantenedores, o time agradece a mantenedores, moderadores, tradutores, empacotadores e usuários que participaram do ciclo.
“Essas notas de lançamento são meticulosamente e carinhosamente elaboradas por mantenedores humanos do Ghostty, incluindo o changelog completo. Elas levam mais de 16 horas para serem escritas, então aproveite”, registram os responsáveis pelo projeto.
O esforço coletivo de 172 contribuidores, somado à implementação completa dos gráficos Kitty fora do terminal original e aos ganhos expressivos de desempenho, tende a fortalecer a posição do Ghostty entre profissionais que dependem do terminal no dia a dia — de desenvolvedores e engenheiros de dados a administradores de infraestrutura.
A expectativa é de que a versão 1.4.0 acelere a adoção em ambientes macOS 27 e em distribuições Linux que privilegiam eficiência e recursos visuais avançados. Com a base técnica consolidada, os próximos ciclos devem aprofundar a integração SSH, expandir o suporte a plataformas e seguir apertando para baixo o uso de memória e a latência, pressionando concorrentes a perseguirem o mesmo padrão tecnológico.

