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Build it: Re:Build capta US$ 2,1 bi para turbinar indústria EUA

Aceleradora de manufatura Re:Build levanta US$ 2,1 bilhões para expandir fábricas e lançar startups industriais nos EUA, em ofensiva contra desindustrialização e avanço da China.

Build it: Re:Build capta US$ 2,1 bi para turbinar indústria EUA

Indústria

Re:Build obtém investimento bilionário para impulsionar a manufatura e combater a desindustrialização nos EUA.

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A aceleradora de manufatura Re:Build anunciou nesta terça-feira (27) a captação de US$ 2,1 bilhões para expandir a produção de tecnologia avançada e acelerar o lançamento de novas startups industriais nos Estados Unidos, em uma ofensiva declarada para reverter a desindustrialização americana e enfrentar a concorrência da China.

Re:Build quer ser a “resposta americana a Shenzhen”

Sediada em Massachusetts, a Re:Build foi criada com a missão de reconstruir a capacidade industrial dos EUA. A rodada bilionária foi liderada pela gestora General Catalyst e pelo grupo de investimentos estratégicos do JPMorganChase.

“Começamos a Re:Build porque a desindustrialização da América é um fracasso econômico e risco à segurança nacional”, afirmou Jeff Wilke, cofundador da empresa e ex-CEO de operações comerciais da Amazon. Segundo ele, “este capital permite que a Re:Build avance mais rápido e mais longe do que seria possível, construindo um grande negócio de manufatura e uma plataforma para a liderança industrial americana”.

A companhia se define como “a resposta americana a Shenzhen” e opera hoje uma rede com mais de 2.100 empregados e mais de 2,4 milhões de pés quadrados de capacidade fabril espalhada pelos EUA, focada em produtos de hardware complexo e sistemas industriais.

Modelo: fábricas, parceria com indústria e novas startups

A Re:Build atua em duas frentes principais. De um lado, fecha parcerias com empresas industriais para projetar, engenheirar e fabricar produtos em escala em setores como aeroespacial, defesa e outras áreas de tecnologia avançada. De outro, incuba startups industriais em mercados considerados críticos e pouco atendidos, oferecendo desde engenharia até infraestrutura fabril.

De acordo com a própria empresa, ao longo de seis anos de operação já foram lançados “centenas de produtos e sistemas de produção” a partir dessa combinação de fábricas próprias, engenharia e capital. A nova rodada de US$ 2,1 bilhões é vista internamente como combustível para ampliar essa plataforma e acelerar a criação de novas empresas.

O time executivo tem forte DNA de tecnologia e logística, com vários ex-Amazon em cargos-chave. Entre eles está Wei Gao, ex-vice-presidente da gigante de comércio eletrônico e hoje diretor digital e de produto da Re:Build.

Entenda o contexto

A captação ocorre em um momento em que governo e investidores americanos voltam a direcionar grandes volumes de capital para fortalecer cadeias de suprimentos e trazer de volta a produção de componentes estratégicos para dentro do país, reduzindo a dependência externa – em especial da China – em áreas como chips, equipamentos industriais, veículos elétricos e tecnologias de defesa.

Para Hemant Taneja, CEO da General Catalyst, que liderou o investimento, a agenda é também geopolítica. “A General Catalyst acredita há muito tempo que reconstruir a capacidade industrial americana é uma das mais importantes prioridades econômicas e de segurança nacional do nosso tempo”, disse. Ele defende que “para competir com a China, reindustrializar os EUA e revitalizar cidades e empregos deixados para trás, precisamos de empresas plataforma que operem em escala genuína — e precisamos que nosso ecossistema de inovação aprenda a fabricar hardware novamente”.

Na prática, a injeção de recursos na Re:Build tende a se traduzir em ampliação de fábricas, contratação de trabalhadores especializados, desenvolvimento de novas linhas de produção e abastecimento de cadeias produtivas locais, com impacto direto sobre regiões afetadas pela perda de indústrias nas últimas décadas.

Slate Auto: spin-off de veículos elétricos já levantou US$ 1,4 bi

Um dos exemplos mais visíveis da estratégia da Re:Build é a Slate Auto, startup de veículos elétricos criada por Jeff Wilke e seu sócio Miles Arnone. O projeto foi concebido dentro da aceleradora e depois desmembrado para facilitar a captação de recursos própria.

Desde o spin-off, a Slate Auto levantou pelo menos US$ 1,4 bilhão, incluindo capital do escritório de investimentos da família Bezos. A companhia trabalha no desenvolvimento de uma picape elétrica de baixo custo, com configuração básica e alta possibilidade de customização pelo cliente.

O caso da Slate Auto é usado pela Re:Build como vitrine do modelo que a empresa quer multiplicar com o novo caixa: identificar mercados industriais estratégicos, desenhar o produto, estruturar a fábrica e, quando fizer sentido, lançar o negócio como uma startup independente, mantendo a produção em solo americano.

Impacto e próximos passos

Com a nova rodada, a Re:Build ganha fôlego para ampliar sua presença em setores considerados vitais para a competitividade dos EUA, como aeroespacial, defesa, mobilidade elétrica e outras frentes de hardware avançado. A expectativa é de aumento da capacidade fabril, entrada em novas regiões industriais e lançamento de mais startups saídas de dentro de sua rede.

Para trabalhadores da indústria e cidades que perderam fábricas, o movimento representa potencial de retomada de empregos qualificados e novos investimentos locais. Para rivais globais, especialmente na China, sinaliza uma escalada na disputa por liderança em manufatura de alta tecnologia e maior pressão sobre cadeias de suprimentos hoje concentradas na Ásia.

A Re:Build não detalhou o cronograma de aplicação dos US$ 2,1 bilhões, mas indica que a prioridade é acelerar o crescimento da plataforma industrial e consolidar um ecossistema capaz de manter, nos EUA, a produção dos produtos tecnológicos mais avançados das próximas gerações.