Mercados
S&P 5007.723▲ 0,60%Nasdaq26.478▲ 1,18%Dow Jones52.378– 0,00%Ibovespa175.463▼ 0,14%FTSE 10010.716▲ 0,27%DAX25.709▲ 0,46%Nikkei63.954▲ 1,08%DólarR$ 5,34▼ 0,19%EuroR$ 5,93▼ 0,46%BitcoinR$ 430.225▼ 0,52%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.723▲ 0,60%Nasdaq26.478▲ 1,18%Dow Jones52.378– 0,00%Ibovespa175.463▼ 0,14%FTSE 10010.716▲ 0,27%DAX25.709▲ 0,46%Nikkei63.954▲ 1,08%DólarR$ 5,34▼ 0,19%EuroR$ 5,93▼ 0,46%BitcoinR$ 430.225▼ 0,52%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Inteligência Artificial

O Bosque Selvagem estreia no Brasil após 16 anos e trama sombria

Animação em stop-motion ‘O Bosque Selvagem’ estreia amanhã (29) nos cinemas brasileiros após 16 anos de desenvolvimento, com 233 bonecos feitos à mão e temas maduros.

O Bosque Selvagem estreia no Brasil após 16 anos e trama sombria

Animação Stop-Motion

Após 16 anos de produção, a animação traz uma trama madura com 233 bonecos artesanais nos cinemas brasileiros.

Leia também: Ações de tecnologia impulsionam S&P 500 e Nasdaq com alta hoje

Depois de 16 anos de desenvolvimento, a animação em stop-motion “O Bosque Selvagem”, dirigida por Travis Knight, chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29) com uma aventura sombria sobre a adolescente Prue McKeel e um bebê raptado por corvos, classificação indicativa de 14 anos e cenas que envolvem violência, luto e até suicídio logo na abertura.

Filme adulto em aparência infantil

A história acompanha Prue, uma jovem de Portland que se considera “velha demais para contos de fadas”, obrigada a atravessar a misteriosa Floresta Impassável para resgatar o irmão bebê, Mac. Ao lado do colega de escola Curtis Mehlberg, ela encontra animais falantes, bandidos com código de honra e uma sociedade paralela governada pela enigmática Alexandra, a Governadora Viúva.

Mais do que uma fantasia de aventura, o roteiro mergulha na transição da infância para a adolescência, tratando de responsabilidade, culpa, vingança e empatia. Ao confrontar Alexandra, Prue é forçada a enxergar a dor do outro e a lidar com as consequências de suas escolhas. Por isso, embora seja uma animação com visual atraente para crianças, o longa tem classificação 14 anos, com cenas sangrentas e temas sensíveis, como luto e suicídio.

O filme tem 2 horas e 10 minutos de duração e busca equilibrar a longa jornada com um universo visual rico e detalhado, concebido pelo Laika Studios, em Hillsboro, no estado de Oregon, nos Estados Unidos.

Como foi feito ‘O Bosque Selvagem’

Produzido em stop-motion, “O Bosque Selvagem” foi construído quadro a quadro, fotografando bonecos e cenários físicos levemente movimentados a cada tomada para criar a ilusão de movimento. O trabalho intenso começou em 2021, mobilizando mais de mil profissionais entre modeladores, escultores, costureiros, pintores, animadores, especialistas em cabelo, designers de produção e artistas de efeitos visuais.

Ao todo, foram criados 233 bonecos artesanais, com design liderado por Thibault Leclercq, e 132 cenários concebidos pela equipe do diretor de arte Nelson Lowry. A figurinista Deb Cook assinou as roupas em miniatura, todas costuradas à mão. Cada personagem ganhou uma gama de expressões faciais por meio de rostos substituíveis, trocados constantemente para que as emoções fossem perceptíveis em tela.

O roteiro foi escrito pelo próprio Travis Knight em parceria com Chris Butler, colaborador de longa data do estúdio. Na dublagem original, Prue tem voz de Peyton Elizabeth Lee, enquanto Jacob Tremblay interpreta Curtis. Na versão brasileira, os personagens principais são dublados por Giulia Benite e Pedro Burgarelli. A vilã Alexandra é vivida por Carey Mulligan na versão em inglês e por Sabrina Miragaia no Brasil.

O Laika Studios, conhecido por longas anteriores indicados a prêmios internacionais, aposta novamente em tramas que combinam fantasia, melancolia e amadurecimento, com forte ênfase na construção visual e na atmosfera.

Entenda o contexto

O projeto nasceu quando o músico Colin Meloy, vocalista da banda The Decemberists, apresentou a Travis Knight o manuscrito do livro “O Bosque Selvagem”. Desde então, o cineasta manteve a história em desenvolvimento e reescrita até se sentir pronto para filmá-la. “Quando as pessoas me perguntam há quanto tempo estou fazendo ‘O Bosque Selvagem’, geralmente eu digo 16 anos. Isso é verdade. Mas a resposta mais honesta é que eu estou fazendo este filme a minha vida toda”, afirma o diretor.

Knight compara o longo processo ao crescimento silencioso de uma floresta: “Florestas nunca são passivas. Elas crescem enquanto parecem imóveis. Reúnem força debaixo da terra muito antes de os galhos se anunciarem ao céu”. Para ele, o tempo dedicado ao filme é parte do que o torna pessoal e emocionalmente complexo. “Algumas histórias chegam exatamente quando você precisa; outras chegam décadas antes de você ser capaz de entender o que vinham tentando dizer”, diz.

Stop-motion como resistência à inteligência artificial

Em plena ascensão da inteligência artificial na produção de imagens e animações, Travis Knight enxerga “O Bosque Selvagem” como um manifesto a favor da arte manual. O filme foi feito “à mão, um quadro por vez”, como define o diretor, que acredita que o público consegue perceber “essa presença humana na imagem”. Segundo ele, porém, o objetivo não é exibir o esforço técnico, mas sim o sentimento: a técnica existe para comunicar algo íntimo e vivo.

Knight vê o stop-motion como um contraponto a um mercado cada vez mais guiado pela velocidade e pela automação: em vez de mundos criados com poucos cliques, a produção de “O Bosque Selvagem” envolve anos de trabalho, milhares de ajustes minúsculos e a dedicação de artesãos especializados. Esse caminho tem custo alto e ritmo mais lento que o das animações digitais ou produzidas com apoio intenso de inteligência artificial, o que torna o projeto um gesto de resistência estética e industrial.

A aposta, no entanto, pode render dividendos simbólicos e de mercado: a estreia no Brasil abre espaço para que uma grande produção artesanal dispute atenção com blockbusters digitais, reforçando a diversidade de técnicas e estilos na animação contemporânea. O desempenho nas bilheterias e em futuras premiações deve influenciar decisões de estúdios sobre o quanto ainda vale investir em obras feitas manualmente num cenário dominado pela tecnologia automatizada.