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Inteligência Artificial

Zhang Yiming volta ao topo entre os mais ricos da China

Fundador da ByteDance retoma a liderança do ranking Hurun com US$ 100 bilhões, alta de 43%, impulsionado pelo avanço da inteligência artificial e pela valorização da empresa dona de Douyin e TikTok.

Zhang Yiming volta ao topo entre os mais ricos da China

Inteligência Artificial

Zhang Yiming lidera ranking Hurun com US$ 100 bilhões, impulsionado pelo crescimento da ByteDance e avanços em IA.

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Zhang Yiming, fundador da ByteDance, recupera a liderança entre os mais ricos da China com um patrimônio estimado em US$ 100 bilhões, alta de 43% em um ano, puxada pelo avanço da inteligência artificial na empresa e pela valorização de plataformas como Douyin e TikTok.

Como a IA levou Zhang Yiming ao topo da lista

O novo ranking anual de riqueza divulgado nesta terça-feira (27) pelo Instituto de Pesquisa Hurun mostra que Zhang volta ao primeiro lugar com o maior valor já registrado para um indivíduo no país. Segundo Rupert Hoogewerf, presidente do Hurun Report, o salto na fortuna do fundador da ByteDance veio “quase tudo graças à IA”.

A principal aposta da companhia nessa área é o Doubao, descrito por Hoogewerf como o assistente de inteligência artificial mais usado na China. Aliado ao sucesso contínuo de Douyin, a versão chinesa do TikTok, e da própria plataforma global de vídeos curtos, o ecossistema digital da ByteDance se consolidou como um dos mais valiosos do país, elevando o valor da empresa e, por consequência, o patrimônio de seu fundador.

O movimento consolida a inteligência artificial como motor central da nova geração de grandes fortunas chinesas e pressiona empresas de tecnologia a acelerar a adoção de sistemas avançados de IA para não perder espaço.

Quem é Zhang Yiming, fundador da ByteDance?

Zhang Yiming é o empreendedor chinês que criou a ByteDance, dona de plataformas como Douyin e TikTok e hoje um dos grupos de tecnologia mais influentes do mundo digital. De perfil discreto, ele construiu a fortuna a partir de produtos baseados em algoritmos de recomendação, que conectam usuários a vídeos e conteúdos personalizados em escala global.

Ao apostar cedo em modelos de inteligência artificial para entender o comportamento dos usuários e distribuir conteúdo, Zhang transformou a ByteDance em referência em produtos digitais guiados por dados, abrindo caminho para a atual onda de soluções de IA generativa e assistentes inteligentes como o Doubao.

Setores de IA, chips e robótica disparam; consumo e imóveis encolhem

Os dados do levantamento escancaram uma mudança de eixo na economia chinesa. Hoogewerf resume o cenário: “Os ganhos deste ano foram polarizados: empreendedores em IA, semicondutores e robótica avançaram, enquanto aqueles em consumo, imobiliário e manufatura tradicional viram sua riqueza encolher”.

O instituto identificou um recorde de 1.529 pessoas com mais de 5 bilhões de yuans em patrimônio, alta de 6,6% em relação ao ano anterior. Em dólares, o país soma agora 1.176 bilionários, 155 a mais do que no ranking passado e 176 acima do total dos Estados Unidos, embora ainda ligeiramente abaixo do pico registrado em 2021, quando havia 1.185 nomes nessa faixa.

O salto de riqueza concentrado nos setores de ponta indica que a inovação tecnológica vem capturando a maior parte dos investimentos e do valor de mercado, enquanto negócios ligados a consumo tradicional, construção e indústria clássica enfrentam retração prolongada e revisão de modelos.

Quem perdeu espaço e quem subiu no ranking Hurun

Na esteira da disparada da ByteDance, o magnata da água engarrafada Zhong Shanshan caiu para o segundo lugar, com patrimônio estimado em US$ 61 bilhões. Robin Zeng, presidente da CATL, gigante de baterias para veículos elétricos, aparece em terceiro, reforçando o peso da transição energética e da mobilidade elétrica na nova elite bilionária chinesa.

O avanço da inteligência artificial abriu espaço também para novos nomes entre os dez mais ricos. Liang Wenfeng, fundador da startup de IA DeepSeek, surge pela primeira vez no topo do ranking, ocupando a sétima posição. Já Chen Tianshi, presidente da fabricante de chips de IA Cambricon, aparece em décimo, mostrando a força da cadeia de semicondutores dedicada a aplicações de IA.

Na outra ponta, o principal revés ficou com Lei Jun, presidente da fabricante de eletrônicos e celulares Xiaomi. De acordo com Hoogewerf, ele foi o “maior perdedor deste ano, com sua riqueza reduzida pela metade para US$ 25,1 bilhões”. A queda reflete as dificuldades de empresas de consumo de massa em manter margens em meio à competição acirrada e à desaceleração da demanda interna.

Como a liderança de Zhang Yiming reflete o avanço da tecnologia na China?

A volta de Zhang Yiming ao topo, com US$ 100 bilhões de patrimônio, sintetiza a guinada da China em direção a uma economia cada vez mais baseada em tecnologia de ponta, especialmente em inteligência artificial, chips e robótica. A fortuna do fundador da ByteDance cresce justamente porque essas áreas concentram hoje o maior potencial de escala, lucro e influência global.

Ao mesmo tempo em que impulsiona a reputação internacional do país em IA, a concentração de ganhos em poucos setores aprofunda a distância em relação às atividades tradicionais, que veem sua relevância relativa diminuir. O quadro tende a orientar políticas públicas voltadas a pesquisa, desenvolvimento e adoção de IA, enquanto empresas mais antigas, de consumo e imóveis, são pressionadas a se reinventar para não perder ainda mais espaço nesse novo ciclo econômico.