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Inteligência Artificial

Brasil investe R$ 375 mi em data center público de IA até 2028

Gaispi aprova uso de R$ 375 milhões para construir data center público de inteligência artificial, operado pela Telebras e de titularidade da União, com implantação prevista em até 12 meses.

Brasil investe R$ 375 mi em data center público de IA até 2028

Inteligência Artificial

Investimento significativo visa fortalecer infraestrutura tecnológica com data center público operado pela Telebras.

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O Gaispi aprovou nesta terça-feira (27) a destinação de R$ 375 milhões para a construção de um data center público de inteligência artificial, em terreno de 5 mil metros quadrados no Brasil, com infraestrutura de alta capacidade que será operada pela Telebras e terá titularidade da União.

Data center de IA terá operação pública e foco em alta performance

O projeto cria uma infraestrutura pública de processamento de dados dedicada à inteligência artificial, a ser implantada pela EAF, em modelo similar ao adotado na Rede Privativa de Comunicação da Administração Pública Federal. A estrutura será usada para serviços estratégicos do governo e iniciativas de pesquisa, inovação e aplicações avançadas de IA.

O data center contará com um módulo de inteligência artificial dimensionado para 20 racks de 42U, equipados com rede de alta velocidade, seis servidores GPU somando 48 GPUs e nove servidores CPU. O desenho prevê ainda armazenamento em tecnologia all-flash, voltada a alto desempenho, e object storage, indicado para grandes volumes de dados não estruturados.

Além do módulo de IA, a unidade terá até dez racks de colocalização, que poderão ser ocupados futuramente, sem compra de servidores nessa primeira etapa. Isso abre espaço para expansão de capacidade e para acomodar novas demandas à medida que o uso da infraestrutura crescer.

Infraestrutura redundante e prazo de 12 meses

A arquitetura técnica prioriza disponibilidade e resiliência. O projeto prevê alimentação elétrica redundante com distribuição A/B, geração de emergência em configuração 2N, climatização dimensionada para ambientes de alta densidade de processamento e resfriamento líquido específico no módulo de IA, para lidar com o calor gerado por GPUs de última geração.

Na conectividade, o data center será interligado por links redundantes de 2 x 100 Gb, reduzindo o risco de interrupções e permitindo escoar grandes volumes de dados em tempo real. Haverá monitoramento contínuo de operação, energia, clima e segurança, de acordo com o desenho apresentado ao grupo.

O prazo estimado para implantação é de 12 meses, condicionado à disponibilidade de energia no local, à obtenção das licenças necessárias e aos prazos de fornecimento e integração dos equipamentos de infraestrutura, rede e computação.

Entenda o contexto

Os recursos que bancarão o data center saem da EAF, alimentada pelo dinheiro arrecadado com a venda do espectro de 3,5 GHz às operadoras de telecomunicações no leilão do 5G. Cabe ao Gaispi coordenar os projetos financiados com esse caixa, entre eles redes públicas e ações de expansão da infraestrutura digital.

A proposta ainda precisa passar pela aprovação do conselho diretor da Anatel, etapa decisiva para formalizar o investimento e enquadrá-lo nas regras regulatórias do setor. Mesmo assim, o Gaispi indica que a execução pode andar rápido. Segundo o grupo, “há caixa para uso imediato e é possível o início da execução, mesmo que os atuais projetos em desenvolvimento pela EAF não estejam concluídos”.

Com a Telebras responsável pela operação do data center, o governo reforça o papel do setor público na oferta de infraestrutura digital considerada estratégica. A medida tende a reduzir a dependência de data centers privados em aplicações sensíveis e pode ampliar o acesso de órgãos públicos e iniciativas de pesquisa a capacidades de processamento de IA de alto desempenho.

No médio prazo, a nova estrutura deve beneficiar diretamente áreas como telecomunicações, pesquisa científica, inovação tecnológica e administração pública, ao oferecer uma base robusta para desenvolvimento de soluções de inteligência artificial com maior eficiência, controle e segurança. Ao mesmo tempo, o investimento abre espaço para debates sobre transparência na gestão dos recursos, critérios de acesso à infraestrutura e relação com o mercado privado de data centers.