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Inteligência Artificial

Banux foca adaptação tecnológica para captar recursos em 2027

Em entrevista, fundador da Banux defende mudança na forma de financiar o crescimento, alerta para choque cultural na integração de times e cobra adaptação à nova tecnologia.

Inteligência Artificial

Fundador da Banux destaca a importância da inovação tecnológica para atrair investimentos e superar desafios culturais na empresa.

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Ao comentar os planos da Banux para captar recursos em 2027, o fundador Jefferson Araújo afirmou nesta quarta-feira (28), no programa Inovação & Negócios, na RECORD NEWS, que o crescimento das empresas brasileiras passa por uma mudança na forma de financiamento, por uma guinada tecnológica e por um esforço extra de gestão para evitar choques culturais dentro dos times.

Segundo ele, a companhia saiu da fase em que expandia apenas com o próprio faturamento e se prepara para buscar capital externo para acelerar aquisições e investimentos. “Mas o desafio da cultura é exatamente a integração do time”, resumiu, ao defender que dinheiro novo sem alinhamento interno pode travar a expansão.

Como as empresas podem se adaptar à inteligência artificial para crescer no mercado atual?

Para Jefferson Araújo, a chave é combinar novos recursos com uma transformação real na operação. Ele defende que a adoção de tecnologias como inteligência artificial não pode ser apenas um rótulo, mas tem de vir acompanhada de mudança de mentalidade em todas as áreas da empresa.

No ar ao vivo, o fundador da Banux usou os programadores como exemplo de uma pressão que já chega a todo o mercado. “Os programadores old school, no final do dia eles têm que se adaptar à nova realidade. […] E quem não se adaptar, fica fora. No final do dia, é isso”, disse, em referência à necessidade de dominar novas ferramentas e trabalhar de forma integrada com algoritmos e automações.

Na prática, isso significa rever processos, treinar equipes e aproximar tecnologia, produto, marketing e comercial. Para quem está crescendo, ele aponta que a inteligência artificial pode apoiar desde a análise de dados para decisões de investimento até a personalização de atendimento ao cliente, mas ressalta que a cultura da empresa precisa acompanhar esse salto.

Crédito, reforma tributária e contratos de exclusividade

Enquanto a Banux se organiza para captar recursos em 2027, outros especialistas ouvidos pelo programa alertam que o ambiente regulatório e financeiro ainda cria obstáculos para o empreendedor brasileiro, especialmente os que investem em tecnologia e IA.

Charlesson Campos lembrou que, mesmo com a expectativa de melhoria trazida pela reforma tributária, o sistema atual impõe custos altos às companhias. Para ele, o uso de crédito continua sendo uma ferramenta delicada. “O crédito só deve ser usado por empreendedores quando houver planejamento e capacidade de pagamento”, afirmou, ao defender que a facilidade de acesso a dinheiro pode esconder riscos sérios para negócios em expansão.

Marcelo Kogut, empresário com atuação em diferentes setores, chamou a atenção para outro entrave: acordos que engessam o crescimento. “Contratos de exclusividade podem limitar oportunidades”, disse. Na visão dele, empresas de tecnologia e fintechs que investem em IA precisam manter flexibilidade para testar novos canais, parceiros e modelos de negócio.

Já o especialista Leonardo Leão tratou de problemas recorrentes enfrentados por donos de empresas, da falta de planejamento financeiro aos erros de posicionamento, defendendo que o uso de dados e automação pode ajudar, mas não substitui uma estratégia clara.

Entenda o contexto

A discussão sobre crescimento, tecnologia e financiamento ganhou força em encontros recentes do ecossistema de inovação, como a B55 Conference, realizada nos dias 29 e 30 de setembro, que reuniu fundadores e executivos de empresas brasileiras e internacionais para debater os desafios do empreendedorismo.

No mesmo ambiente, uma fintech anunciou a abertura de um processo seletivo para transformar cinco profissionais em sócios, voltado a especialistas em tecnologia, programação, design, marketing e crescimento de negócios. A iniciativa começou a ser desenhada em 2017 e foi lançada em 2020, em plena pandemia de Covid-19, e agora entra em nova fase, em meio à aceleração do uso de inteligência artificial em produtos e processos.

Histórias de empreendedores em estágios diferentes da jornada ajudam a ilustrar esse momento. Um casal relatou, no programa, como construiu uma clínica voltada para cuidado e experiência do paciente, área em que soluções de IA começam a apoiar agendamento, triagem e relacionamento. Já Cristhiano Faé relembrou os desafios desde a criação da primeira empresa ainda na universidade e contou como hoje recorre a tecnologia e dados para escalar o negócio.

O próprio Jefferson Araújo percorreu diferentes funções no setor de tecnologia, do desenvolvimento de softwares à criação da Banux, antes de chegar ao ponto de considerar a captação de recursos externos para acelerar o crescimento.

Quais estratégias os empreendedores recomendam para integrar a IA sem perder a identidade da empresa?

Os entrevistados convergem em um ponto: a tecnologia precisa servir à estratégia, e não o contrário. No caso de empresas como a Banux e das fintechs em busca de novos sócios, a recomendação é começar pela clareza de propósito e pelas dores que a IA deve resolver.

Isso passa por mapear processos manuais que consomem tempo da equipe e podem ser automatizados, sem abrir mão do contato humano onde ele gera valor — como no atendimento personalizado ou na construção de relacionamento com clientes e parceiros.

Na cultura interna, a integração da inteligência artificial pede transparência com os times sobre o que vai mudar, treinamento contínuo e espaço para que profissionais de tecnologia, design, marketing e negócios testem soluções em conjunto. A avaliação dos especialistas é que, se o empreendedor conseguir alinhar cultura, finanças e adaptação tecnológica, a IA tende a reforçar — e não apagar — a identidade da empresa.

O programa Inovação & Negócios, que recebe esses convidados, vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 08h15, na RECORD NEWS, com análises, entrevistas e cobertura de temas que vão do crédito e da reforma tributária à inteligência artificial e ao futuro do trabalho.