Conparh 2026 Curitiba destaca saúde mental e liderança até 29/10
Conparh 2026 começa hoje em Curitiba, no Viasoft Experience, e reúne RHs e executivos para debater saúde mental, liderança humanizada, cultura e uso da inteligência artificial nas empresas.

Recursos Humanos
Evento em Curitiba reúne líderes para discutir saúde mental e inovação no ambiente corporativo até 29 de outubro.
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O 19º Congresso Paranaense de Recursos Humanos (Conparh 2026) abriu nesta quarta-feira (28) em Curitiba, no Viasoft Experience, colocando saúde mental, liderança humanizada e inteligência artificial no centro do debate sobre o futuro da gestão de pessoas nas empresas do Paraná.
Saúde mental e novas exigências nas empresas
Promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos do Paraná (ABRH-PR), que completa 60 anos em 2026, o Conparh 2026 reúne profissionais de RH, executivos e especialistas para discutir como as organizações podem se adaptar às transformações do mercado de trabalho sem perder o foco nas pessoas. A programação segue até quinta-feira (29), com palestras, painéis, atividades de aprendizagem e feira de negócios.
Na abertura, o presidente da ABRH-PR, Gilmar Silva de Andrade, destacou a saúde organizacional como um dos quatro pilares estratégicos apresentados ao público, ao lado de liderança humanizada, tecnologia e inteligência artificial, e cultura e aprendizagem. Segundo ele, a agenda de bem-estar ganhou novo peso nos últimos anos.
“Eu diria que as nossas empresas no estado do Paraná, inclusive baseado em pesquisas, estão investindo mais nesse aspecto da saúde organizacional do que antes de 2019”, afirmou. Ele lembrou que mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata de riscos ocupacionais, passaram a exigir atenção explícita às condições psicossociais de trabalho, ampliando a responsabilidade das empresas com a saúde mental.
Na prática, esse movimento se traduz, segundo dirigentes e especialistas presentes ao congresso, em programas de suporte psicológico, revisão de jornadas e metas, ambientes mais saudáveis e políticas internas que estimulam o diálogo sobre bem-estar emocional.
Liderança humanizada e escuta ativa
Com o tema “O insubstituível: humanidade e liderança em tempos de incerteza”, o evento reforça o papel das lideranças na travessia tecnológica que atinge todos os setores. Para Gilmar, a transformação digital exige uma mudança de postura dos gestores.
“A primeira preocupação do líder é de olhar as pessoas como o centro da organização, ou seja, colocar as pessoas no centro da estratégia”, disse. Ele defende que a escuta ativa e a valorização do conhecimento de quem está na operação diária são condições para melhorar processos e engajar equipes.
“O líder precisa ouvir mais a sua equipe, e não só dizer: olha, faça assim, faça de outra maneira”, completou o presidente da ABRH-PR. A avaliação dele é que a combinação entre tecnologia, equipes engajadas e liderança preparada tende a fortalecer a competitividade das empresas paranaenses.
Inteligência artificial e impacto no trabalho
A inteligência artificial aparece no Conparh 2026 como ferramenta de apoio, não como substituta do talento humano. Gilmar defende que as empresas usem a tecnologia para automatizar tarefas repetitivas e liberar tempo para atividades que exigem análise, criatividade e tomada de decisão.
Ao mesmo tempo, ele reconhece que a automação e a robótica já alteram a quantidade e o perfil dos postos de trabalho em alguns setores, o que pressiona por requalificação profissional. Setores muito baseados em rotinas tendem a ser mais afetados, enquanto áreas que requerem habilidades interpessoais e estratégicas ganham relevância.
Nos corredores do congresso, expositores e palestrantes apresentam soluções de tecnologia para RH, como plataformas de gestão de desempenho, ferramentas de análise de dados de pessoas e aplicações de IA em recrutamento, sempre com o discurso de que os sistemas devem apoiar decisões humanas mais qualificadas.
Entenda o contexto
O Conparh 2026 marca os 60 anos da ABRH-PR, entidade que acompanha a transformação do antigo departamento de pessoal em área estratégica de gestão de pessoas. Para a associação, a pandemia consolidou esse novo papel, ao exigir respostas rápidas para temas como trabalho remoto, saúde emocional e reorganização de equipes.
Agora, o desafio apontado pelos dirigentes é duplo: adaptar processos internos à velocidade da inovação tecnológica e, ao mesmo tempo, preparar trabalhadores e lideranças para funções que estão em constante mudança. Isso envolve tanto a formação acadêmica quanto a aprendizagem contínua nas empresas.
Integração entre gerações e segurança psicológica
A convivência entre diferentes gerações nas equipes também está entre os temas mais citados na abertura. A vice-presidente da ABRH-PR e diretora do Conparh 2026, Vera Lúcia Mattos, defende que as empresas superem estereótipos ligados à idade e aprendam a combinar experiências e competências variadas.
Para ela, cabe ao líder integrar a bagagem dos profissionais mais antigos com a familiaridade tecnológica e a disposição para testar novas soluções, mais comum entre os mais jovens. Vera também chama atenção para a chamada segurança psicológica — a sensação de poder opinar, trazer ideias e admitir erros sem medo de punições desproporcionais.
Segundo a dirigente, ambientes em que problemas são escondidos por medo de represálias tendem a acumular falhas e prejuízos. A proposta é que a escuta ativa, defendida como competência-chave do congresso, seja aplicada no dia a dia, com líderes atentos a mudanças de comportamento e às circunstâncias que afetam o desempenho.
Programação e próximos passos
Além das palestras e painéis, o Conparh 2026 realiza nesta quarta-feira a cerimônia do Prêmio Ser Humano Paraná, que reconhece projetos de desenvolvimento humano e gestão organizacional apresentados por empresas do estado. A edição recebeu 98 inscrições.
O congresso segue nesta quinta-feira com novos debates e atividades no Viasoft Experience. A expectativa da ABRH-PR é que os temas discutidos — saúde mental, liderança humanizada, uso estratégico da inteligência artificial e integração geracional — orientem investimentos em programas internos de bem-estar, formação de líderes e requalificação de trabalhadores, em um cenário de mudanças rápidas no mundo do trabalho.
