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Lançamentos de IA

Upwind rejeita oferta da Datadog e capta US$ 400 mi em Série C

Startup de segurança em nuvem Upwind rejeita oferta de compra da Datadog e levanta US$ 400 milhões em Série C, elevando avaliação a US$ 3,8 bilhões e reforçando aposta em crescimento acelerado.

Upwind rejeita oferta da Datadog e capta US$ 400 mi em Série C

Tech Desk

Upwind fortalece sua posição no mercado ao recusar aquisição e garantir grande investimento para expansão.

Leia também: Cloudera lança Blueprints de IA com Nvidia para acelerar projetos

A Upwind, startup de segurança em nuvem sediada em San Francisco, levantou uma rodada Série C de US$ 400 milhões que avalia a empresa em US$ 3,8 bilhões, após recusar uma oferta de aquisição da Datadog que não oferecia prêmio sobre esse valor e decidiu manter a operação independente para apostar no crescimento futuro.

Upwind escolhe seguir solo e reforça aposta em IA

A nova rodada foi liderada pela Bessemer Venture Partners e contou com a participação de investidores já presentes na base da empresa, como Greylock Partners e Craft Ventures. A captação ocorre cerca de nove meses depois de um aporte anterior de US$ 250 milhões, que havia avaliado a Upwind em US$ 1,5 bilhão, o que significa que a startup praticamente triplicou de valor nesse intervalo.

Segundo pessoas próximas à companhia, a negociação com investidores já estava em curso quando a Datadog, gigante de monitoramento de software listada em bolsa, tentou comprar a Upwind. A proposta, no entanto, ficou no patamar da avaliação atual de US$ 3,8 bilhões, sem o chamado “prêmio de controle” normalmente associado a aquisições, o que levou o fundador Amiram Shachar e o conselho a optarem por seguir com a Série C.

Para Shachar, o diferencial tecnológico da companhia justifica a aposta de que o negócio ainda pode valer bem mais. “A Upwind chama sua abordagem para bloquear ameaças de ‘runtime security’, o que significa que ela alerta e corrige ataques e vulnerabilidades em serviços ativos em tempo real”, afirma o empreendedor, que fundou a startup há quatro anos.

Crescimento acelerado e múltiplo de 40 vezes a receita

A Upwind surfa o aumento das ameaças cibernéticas turbinadas por inteligência artificial e vem exibindo um ritmo de expansão raro mesmo para o padrão do Vale do Silício. A empresa adiciona entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões em receita recorrente anualizada (ARR) a cada trimestre e projeta encerrar o ano com cerca de US$ 90 milhões em ARR.

Nesse cenário, a avaliação de US$ 3,8 bilhões implica um múltiplo superior a 40 vezes a receita anual projetada, patamar considerado elevado, mas alinhado a outros negócios de software de crescimento acelerado. Ainda assim, esse múltiplo fica abaixo do cerca de 80 vezes ARR obtido recentemente pela Cyera, outra startup de cibersegurança em forte expansão, o que ajuda a explicar por que investidores de peso aceitaram entrar na nova rodada.

O salto de valor também reforça a posição dos fundos que apostaram cedo na Upwind, que veem a companhia consolidar liderança em um nicho estratégico: proteção de infraestrutura em nuvem com forte uso de IA. A Série C dá fôlego de caixa para acelerar contratações, expansão internacional e investimentos em produto, mantendo a empresa em modo de crescimento agressivo.

Mercado de cibersegurança entra em nova onda

No mercado, a decisão da Upwind é lida como um recado para o setor de cibersegurança, hoje apontado por analistas como a terceira grande onda de software com IA pela qual empresas estão dispostas a pagar, depois das ferramentas de programação assistida e das soluções de atendimento ao cliente baseadas em modelos generativos.

Ao rejeitar a proposta da Datadog, a startup envia o sinal de que pretende capturar sozinha uma fatia maior desse bolo antes de considerar uma venda ou abrir capital. Ao mesmo tempo, a movimentação evidencia a disputa por ativos estratégicos em segurança em nuvem, um dos segmentos mais concorridos da cibersegurança corporativa.

Para a Datadog, a recusa significa perder, ao menos por ora, a chance de incorporar uma tecnologia de proteção em tempo real que complementaria seu portfólio de observabilidade e monitoramento. No curto prazo, o mercado deve acompanhar como a companhia vai reagir, seja com novas aquisições, seja com o desenvolvimento interno de soluções similares.

Entenda o contexto

A Upwind nasceu com foco em proteger infraestruturas em nuvem, monitorando o que acontece nos ambientes de produção das empresas e reagindo instantaneamente a ataques e vulnerabilidades. A lógica da “runtime security” é atuar não só na prevenção, mas na resposta a incidentes enquanto eles ocorrem, algo que ganha relevância em um cenário em que ataques automatizados por IA se tornam mais frequentes.

Com poucas empresas de cibersegurança abrindo capital nos últimos anos, a avaliação de que o desfecho mais provável para startups do setor ainda é uma venda permanece presente entre investidores. Mesmo após recusar a Datadog, a Upwind segue na mira de potenciais compradores, segundo pessoas próximas à empresa. O objetivo agora é provar, com desempenho operacional, que o valor de US$ 3,8 bilhões é apenas mais um passo, seja rumo a uma oferta pública de ações, seja para uma futura negociação em condições mais vantajosas.