CEIA/UFG lança Lumi, IA aberta em português com 4 bi parâmetros
CEIA da UFG apresenta em São Paulo o Lumi, modelo de linguagem open source com 4 bilhões de parâmetros, focado no português e no mercado brasileiro, disponível grátis na Hugging Face.

Inteligência Artificial
Modelo de linguagem open source com 4 bilhões de parâmetros é lançado para atender o mercado brasileiro com foco no português.
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O Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da Universidade Federal de Goiás (UFG) lançou nesta quarta-feira, em São Paulo, o CEIA Lumi, modelo aberto de inteligência artificial com 4 bilhões de parâmetros, criado para a língua portuguesa e pensado para reduzir a dependência de empresas brasileiras de soluções estrangeiras.
O que é o Lumi, modelo brasileiro de inteligência artificial lançado pela Ceia/UFG?
O CEIA Lumi é um modelo de linguagem de inteligência artificial (LLM) open source, desenvolvido pelo CEIA/UFG para entender e gerar texto em português, levando em conta vocabulário, expressões e contexto da realidade brasileira.
Com 4 bilhões de parâmetros, o Lumi foi dimensionado para equilibrar desempenho e custo, permitindo que rode em infraestruturas computacionais mais acessíveis, sem exigir apenas superestruturas em nuvem. Pesquisadores, desenvolvedores e empresas podem baixar o modelo gratuitamente na plataforma Hugging Face e usá-lo como base para criar suas próprias aplicações de IA.
Por ser aberto, o código e a arquitetura podem ser estudados, adaptados e integrados a sistemas existentes, o que amplia a transparência sobre como a tecnologia funciona e dá mais controle a quem a utiliza.
Como o Lumi pode impulsionar negócios no Brasil?
O Lumi pode impulsionar negócios ao oferecer, sem custo de licença, uma base de IA em português que empresas podem personalizar para tarefas como atendimento ao cliente, automação de rotinas, análise de dados e apoio à tomada de decisão.
A proposta é que companhias, sobretudo pequenas e médias, consigam criar soluções próprias usando infraestrutura local ou serviços em nuvem mais simples, reduzindo gastos com modelos internacionais cobrados em moeda estrangeira e diminuindo a necessidade de enviar dados sensíveis para fora do país.
Setores como comércio, serviços, agronegócio e indústria podem treinar o Lumi com dados específicos — por meio de técnicas como fine-tuning — para gerar chatbots mais precisos, sistemas de recomendação, assistentes internos, análise de documentos e automação de processos administrativos, entre outros usos.
Entenda o contexto
O lançamento ocorreu na manhã de quarta-feira, durante o AI Brasil Experience 2026, em São Paulo, e faz parte da estratégia do CEIA de fortalecer tecnologias nacionais e aumentar a participação brasileira no mercado global de inteligência artificial.
Hoje, boa parte das soluções usadas por empresas no país é desenvolvida no exterior, o que dificulta a personalização, encarece a operação e mantém a dependência de fornecedores internacionais. Ao oferecer um modelo aberto, treinado para o português e adaptável à legislação e às práticas locais, o CEIA tenta preencher essa lacuna.
“Estamos vivendo um momento de grande expansão da inteligência artificial no Brasil e no mundo, e o Lumi nasce com a proposta de oferecer uma base nacional que possa ser adaptada a diferentes realidades e necessidades do mercado, aproximando ainda mais a pesquisa científica das oportunidades de inovação”, afirma Telma Soares, diretora do CEIA.
Arlindo Galvão, diretor de Inovação Aberta do CEIA e um dos responsáveis pelo desenvolvimento do modelo, reforça o objetivo de autonomia: “Hoje, muitas empresas brasileiras dependem de soluções desenvolvidas no exterior, que nem sempre atendem às particularidades do nosso mercado. Queremos oferecer uma alternativa que permita às empresas inovar com mais autonomia, personalizando a tecnologia para suas necessidades e reduzindo barreiras de entrada. O Brasil precisa avançar não apenas como consumidor de tecnologias estrangeiras, mas também como produtor de inteligência artificial”.
Modelo aberto, personalização e próximos passos
Como modelo-base open source, o Lumi permite continuidade de treinamento com dados de cada organização. Isso significa que diferentes empresas podem partir da mesma estrutura técnica e adaptá-la a seus produtos, serviços e regras internas.
Os arquivos do modelo já estão disponíveis na Hugging Face, enquanto materiais de apoio — como instruções de uso, exemplos de código e documentação técnica — são oferecidos em repositórios no GitHub. A expectativa do CEIA é que a comunidade acadêmica e o setor produtivo passem a testar, ajustar e compartilhar aplicações criadas a partir do Lumi.
Criado em 2019 e sediado no Instituto de Informática da UFG, em Goiânia, o CEIA reúne pesquisadores, estudantes, empresas e órgãos públicos em projetos de IA voltados a desafios concretos de diferentes setores. Com o Lumi, o centro aposta em consolidar um ecossistema brasileiro de desenvolvimento em torno de modelos de linguagem, influenciando políticas públicas, atraindo parcerias e estimulando a formação de profissionais especializados.


