PIB dos EUA cresce 3,4% no 3º tri e surpreende mercado hoje
Economia americana acelera para 3,4% no 3º trimestre, acima da expectativa de 3,1%, com impulso do consumo das famílias, boom de investimentos em IA e volta da força dos gastos federais.

Economia
Crescimento econômico dos EUA supera previsões com forte consumo e investimentos em inteligência artificial.
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O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos acelerou para uma taxa trimestral anualizada de 3,4% no terceiro trimestre, acima da projeção de 3,1% do mercado e do avanço de 2,2% visto no período anterior, segundo leitura preliminar divulgada nesta quinta-feira (29) pelo Departamento do Comércio. O resultado reforça a força da maior economia do mundo e reduz, na avaliação de gestores, a urgência de novos estímulos monetários pelo Federal Reserve (Fed).
Consumo firme e gastos com IA puxam a atividade
De acordo com análise da Monte Bravo Corretora, o desempenho veio sustentado por uma expansão equilibrada na demanda interna, liderada pelas famílias. “A abertura mostrou um crescimento bastante saudável. O consumo das famílias contribuiu com 2,5 pontos percentuais (p.p.): 0,6 p.p. vieram dos bens e 1,9 p.p., dos serviços, que aceleraram de forma significativa em relação aos trimestres anteriores”, avaliou a casa.
O investimento fixo não residencial também teve papel central, impulsionado pela ampliação dos aportes de empresas em projetos de inteligência artificial (IA). O segmento de tecnologia, especialmente o ligado à IA, continua dando fôlego à economia americana e tende a permanecer aquecido nos próximos trimestres, segundo a mesma análise.
Do lado do setor público, os gastos do governo federal voltaram a ter contribuição positiva relevante, após um período de crescimento mais tímido, enquanto as despesas de estados e municípios permaneceram praticamente estáveis.
Setor externo pesa, mas importações mostram demanda forte
A contribuição dos estoques foi considerada elevada, ajudando o PIB, mas esse impulso foi mais do que compensado pelo setor externo. As exportações líquidas voltaram a pesar negativamente no resultado, diante do aumento das importações — em especial de itens de tecnologia, reflexo da demanda aquecida das empresas e dos consumidores americanos.
“Esse resultado foi puxado pelo aumento das importações, em especial pela forte demanda americana por itens ligados à tecnologia”, apontou a Monte Bravo.
Na outra ponta, o investimento residencial segue sob pressão dos juros altos. As taxas de financiamento imobiliário permanecem entre as mais elevadas em duas décadas, o que limita novos projetos de construção e a compra de imóveis.
Entenda o contexto
O avanço de 3,4% representa uma aceleração importante frente ao segundo trimestre, quando o PIB havia crescido 2,2%. A combinação de consumo resiliente, boom de investimentos em IA e retomada dos gastos federais mantém a atividade em ritmo considerado robusto para um cenário de juros ainda elevados.
Esse quadro fortalece a percepção de que a economia americana segue capaz de crescer sem depender, por ora, de uma guinada mais agressiva do Fed na direção de cortes de juros ou novos estímulos. A autoridade monetária acompanha dados como PIB, mercado de trabalho e inflação para calibrar as próximas decisões.
Impacto para o Brasil e mercados
Para investidores brasileiros, o dado de hoje tem efeito direto na estratégia de alocação global. Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, resume o impacto: “O ritmo aquecido da atividade norte-americana altera a dinâmica de alocação global de recursos. Do lado de cá, para a bolsa brasileira, isso significa maior concorrência dos investimentos americanos e pressão sobre o custo de capital, que reduz o valor atribuído aos lucros futuros das empresas. Por lá, uma economia mais forte reduz a urgência de estímulos pelo Fed”.
Com a economia dos EUA entregando crescimento acima do esperado, ativos em dólar tendem a seguir atrativos, o que pode disputar espaço com mercados emergentes, inclusive o Brasil. Ao mesmo tempo, a forte demanda americana por tecnologia e bens de capital mantém aquecido o comércio internacional, mas reforça o déficit na balança comercial dos Estados Unidos, como mostrado na leitura preliminar do PIB.


