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Economia

Ataque hacker na Binance derruba Bitcoin e liquida US$ 1,5 bi

Bitcoin cai para US$ 77,4 mil (R$ 418,3 mil) nesta sexta após ataque hacker de US$ 6,3 bi à Binance, liquidação em massa de alavancados e temores sobre juros globais.

Ataque hacker na Binance derruba Bitcoin e liquida US$ 1,5 bi

Crise Financeira

Hackers atacam Binance, causando queda significativa no Bitcoin e prejuízos bilionários no mercado de criptomoedas.

Leia também: ICMS sobe até 11% em gasolina, diesel e gás a partir de 2027

O Bitcoin (BTC) opera em forte queda nesta sexta-feira (30), negociado em torno de US$ 77.409 (cerca de R$ 418.322), após o maior ataque hacker da história das criptomoedas atingir a Binance, provocar mais de US$ 1,5 bilhão em liquidações de posições alavancadas e reforçar a aversão ao risco em meio às incertezas sobre juros globais.

Quais são as últimas notícias sobre Bitcoin hoje?

O Bitcoin recua cerca de 3% no dia, depois de tocar a mínima próxima de US$ 76.460 durante a madrugada, o menor nível em aproximadamente seis semanas, antes de uma recuperação parcial. Em reais, o BTC é cotado perto de R$ 418.322.

O tom negativo domina o mercado cripto desde a noite de quinta-feira (29), quando a Binance revelou um ataque que teria comprometido cerca de US$ 6,3 bilhões em criptoativos. A corretora afirma já ter conseguido congelar aproximadamente US$ 3 bilhões, em ação conjunta com outras empresas do setor, inclusive emissoras de stablecoins, e promete cobrir eventuais perdas de clientes.

Mesmo assim, o episódio disparou ordens de venda e desencadeou uma onda de liquidações automáticas de operações alavancadas. Nas últimas 24 horas, mais de US$ 1,5 bilhão em posições foi encerrado à força, dos quais US$ 499 milhões em Bitcoin e US$ 358 milhões em Ethereum. Solana, XRP e Dogecoin também registram perdas expressivas, com liquidações milionárias.

A Binance concentrou cerca de 49,2% dessas liquidações, somando aproximadamente US$ 754,6 milhões, seguida por Hyperliquid e Bybit. Em muitos casos, investidores que apostavam na alta do Bitcoin foram pegos pela virada repentina de preço e tiveram as posições zeradas automaticamente.

O movimento ocorre em um ambiente já sensível, marcado pela expectativa de aperto monetário nos Estados Unidos, sinalizações de alta de juros pelo Banco Central Europeu e maior cautela com ativos de risco após resultados trimestrais frustrantes de gigantes de tecnologia como a Alphabet.

Por que o Bitcoin caiu após o ataque hacker bilionário à Binance?

O ataque de cerca de US$ 6,3 bilhões à Binance derrubou a confiança dos investidores, disparou vendas e alimentou uma liquidação em cascata de posições alavancadas, o que ampliou a queda do Bitcoin.

De acordo com a própria corretora, o incidente teria começado a partir da invasão do computador de um engenheiro, o que teria permitido ao criminoso realizar retiradas não autorizadas. A origem exata da falha ainda é apurada, mas parte dos ativos suspeitos já foi congelada.

O anúncio elevou imediatamente a aversão ao risco. Muitos investidores correram para reduzir exposição em cripto, pressionando as cotações. Ao mesmo tempo, a forte oscilação ativou mecanismos automáticos de proteção das corretoras, que encerram as posições alavancadas quando o prejuízo se aproxima do limite de garantia.

Nas últimas 24 horas, aproximadamente US$ 1,53 bilhão em posições alavancadas foi liquidado, sendo US$ 1,29 bilhão — cerca de 83,8% — de apostas na valorização dos ativos. Esse tipo de operação, conhecido como long, é particularmente sensível a quedas bruscas de preço, porque a corretora vende os ativos da posição para limitar a perda, o que, por sua vez, puxa ainda mais as cotações para baixo.

Em relatório ao mercado, Geoffrey Kendrick, chefe global de pesquisa de ativos digitais do Standard Chartered, avaliou que a correção ainda pode se estender. “Acredito que a reação negativa dos preços ainda tenha algum caminho pela frente. Somente depois que os ativos forem desbloqueados e surgirem mais detalhes sobre o ataque encontraremos uma nova base”, afirmou.

Entenda o contexto

O ataque à Binance atinge o maior player global de negociação de criptomoedas e acontece em um momento de nervosismo nos mercados. Nos Estados Unidos, as apostas apontam para quase 80% de probabilidade de alta de juros em dezembro, segundo ferramentas de monitoramento de expectativas do mercado de derivativos, o que tende a reduzir o apetite por ativos de risco como Bitcoin e ações de tecnologia.

Na Europa, o Banco Central Europeu decidiu manter as taxas estáveis na última reunião, mas indicou que uma elevação em dezembro está na mesa. Já o Banco do Japão divulga decisão de política monetária em meio ao escrutínio sobre sua postura ultraestimulativa. Esse conjunto de fatores alimenta a busca por segurança em títulos públicos e moedas fortes, deixando o mercado de criptos mais vulnerável a choques.

O desempenho fraco de ações de tecnologia, em especial após a divulgação de resultados trimestrais negativos da Alphabet, também contribui para o clima de cautela, já que parte dos investidores que operam cripto está exposta ao mesmo tipo de risco em bolsa e reduz posições em bloco.

Mesmo em queda, o Bitcoin segue como a maior criptomoeda do mercado, com oferta limitada a 21 milhões de unidades. O ativo é altamente volátil e seu preço responde à lei de oferta e demanda global, ao sentimento dos investidores, a avanços tecnológicos e a mudanças regulatórias, entre outros fatores.

No Brasil e nos Estados Unidos, pessoas físicas e jurídicas podem comprar Bitcoin por meio de corretoras tradicionais ou exchanges especializadas, além de fundos e ETFs listados em bolsa. As transações de compra, venda e transferência são registradas em blockchain, tecnologia que garante rastreabilidade e segurança ao sistema.