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Economia

Receita paga lote extra da malha fina e agro tem recorde

Receita Federal libera hoje R$ 531,6 milhões em restituições da malha fina para 184.442 contribuintes, enquanto faturamento das 100 maiores do agronegócio chega a R$ 2,1 trilhões em 2025.

Receita paga lote extra da malha fina e agro tem recorde

Economia

Receita Federal libera R$ 531,6 milhões em restituições e agronegócio registra faturamento recorde em 2025.

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A Receita Federal paga nesta sexta-feira (30) um lote extra de restituições do Imposto de Renda para 184.442 contribuintes que saíram da malha fina, ao mesmo tempo em que dados do agronegócio mostram faturamento recorde de R$ 1,24 trilhão em 2025 entre as dez maiores empresas do setor, consolidando o campo como motor da economia brasileira.

Receita libera R$ 531,6 milhões para quem saiu da malha fina

O lote extra da malha fina soma R$ 531,6 milhões e contempla contribuintes que tinham pendências com o Fisco e regularizaram a situação. Desse total, R$ 293,4 milhões vão para grupos com prioridade legal, como idosos, professores e pessoas com deficiência ou doença grave.

Entre os beneficiados com prioridade estão 27.948 contribuintes com idade entre 60 e 79 anos, 5.424 com mais de 80 anos, 8.827 contribuintes do magistério e 4.047 pessoas com deficiência física ou mental ou com doença grave. Outros 16.665 contribuintes sem prioridade também integram o lote.

A maior parte dos contemplados, 121.531 contribuintes, usou a declaração pré-preenchida ou optou por receber a restituição via Pix, com chave vinculada ao CPF. A Receita adotou esse critério para estimular a regularização e agilizar os pagamentos, embora o uso do Pix não esteja previsto em lei.

Segundo a Receita Federal, “o depósito é feito na conta ou na chave Pix do tipo CPF informada na declaração”. Caso o crédito não seja realizado — por exemplo, por conta bancária desativada —, os valores ficam disponíveis para resgate por até um ano no Banco do Brasil.

A consulta ao lote está aberta desde 23 de outubro e pode ser feita no site da Receita Federal, na área “Meu Imposto de Renda”, ou pelo aplicativo oficial para celulares e tablets. Quem não aparecer na lista deve acessar o e-CAC, verificar o extrato da declaração e, se houver pendências, enviar uma declaração retificadora para tentar entrar nos próximos lotes.

A liberação desses recursos oferece alívio imediato ao orçamento de famílias em todo o país, em especial dos contribuintes prioritários, e reforça a estratégia da Receita de incentivar a regularização fiscal com o apoio de ferramentas digitais e do Pix.

Entenda o contexto

Ferramentas como a declaração pré-preenchida e a restituição via Pix tornam o processo mais rápido e reduzem erros que levam o contribuinte à malha fina. Ao mesmo tempo, o pagamento de lotes extras sinaliza esforço da Receita para destravar valores retidos e melhorar a relação com quem está em dia com o Fisco.

A possibilidade de consultar a situação pelo CPF — seja pelo site, aplicativo ou e-CAC — transformou a antiga ida presencial a unidades da Receita Federal, inclusive em capitais como o Rio de Janeiro, em um processo basicamente digital, acessado em minutos de qualquer lugar do país.

Faturamento do agronegócio atinge R$ 1,24 trilhão em 2025

Enquanto as restituições reforçam o caixa das famílias, números do agronegócio mostram a força do setor na economia brasileira. As dez maiores empresas do agro faturaram R$ 1,24 trilhão em 2025, alta de 11% em relação ao levantamento anterior, segundo o ranking Agro100.

“As dez primeiras colocadas no ranking Agro100 movimentaram R$ 1,2 trilhão, um crescimento de 11% em relação ao levantamento anterior”, aponta o estudo. O valor mostra forte concentração de receita em grandes frigoríficos, tradings de grãos e companhias de alimentos.

A JBS lidera com folga, com receita de R$ 481 bilhões, o que representa quase 39% do faturamento somado das dez maiores. Em seguida aparecem a MBRF, com R$ 164 bilhões, e a Cargill Alimentos, com R$ 115,29 bilhões. Juntas, as três respondem por cerca de 61% da receita desse grupo.

Entre as gigantes da celulose, a Suzano permanece entre as líderes, com faturamento de R$ 50 bilhões em 2025, mesmo em um cenário de queda dos preços internacionais do produto.

Considerando as cem maiores empresas do agronegócio, o faturamento total alcançou R$ 2,1 trilhões, um avanço de 13,5%. Os números se referem à receita das companhias, não ao lucro, e não devem ser confundidos com a contribuição direta do agronegócio ao Produto Interno Bruto (PIB).

Safra recorde e exportações impulsionam o setor

O desempenho das empresas foi puxado por uma safra histórica. A Companhia Nacional de Abastecimento informa que “a safra 2024/25 alcançou 350 milhões de toneladas de grãos, 16% acima da temporada anterior”. A soja respondeu por 171 milhões de toneladas e o milho por cerca de 139 milhões.

O aumento da produção impulsionou tradings, frigoríficos e indústrias ligadas à agroenergia, apoiados também pela demanda externa e pela valorização de preços em parte do período. A indústria de proteína animal registrou expansão de 16%, o segmento de agroenergia cresceu 13% e alimentos e bebidas avançaram 7% em faturamento.

A celulose destoou: o setor não conseguiu crescer acima da inflação, pressionado pelo recuo das cotações internacionais, que chegaram a ficar abaixo de US$ 500 por tonelada no início de 2025.

Do lado macroeconômico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística registra que “o PIB da agropecuária cresceu 12% em 2025, enquanto a economia brasileira avançou 2,3%”. O dado evidencia a distância entre o ritmo do campo e o da economia como um todo, reforçando o peso do agronegócio nas exportações, na geração de renda e na arrecadação tributária.

A combinação de restituições extraordinárias do Imposto de Renda e de resultados recordes do agronegócio revela um momento em que o dinheiro circula tanto no orçamento das famílias quanto nas cadeias produtivas ligadas ao campo, com impacto direto sobre consumo, emprego e investimentos nos próximos meses.