Mpox no Rio cresce 700% e capital fica sem vacina para risco
Rio registra 74 casos de Mpox em dois meses, 10 internações na Fiocruz e uma morte suspeita em investigação. Capital está sem doses de vacina para grupos de risco.

Saúde Pública
Casos de Mpox disparam no Rio e falta de vacinas preocupa grupos vulneráveis.
Leia também: Governo confirma fim da escala 6×1 e mantém Bolsa Família intacto
O Rio de Janeiro registra uma disparada nos casos de Mpox, com 74 infecções confirmadas na capital em setembro e outubro, aumento de 700% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a prefeitura investiga uma nova morte suspeita da doença e a rede municipal está sem doses de vacina para os grupos de risco.
Por que os casos de Mpox aumentaram 7 vezes no Rio de Janeiro em dois meses?
O salto de 10 para 74 casos em dois meses está ligado à transmissão contínua do vírus em um cenário de baixa cobertura vacinal e maior circulação entre grupos vulneráveis. A Mpox se espalha principalmente pelo contato direto com lesões na pele, fluidos corporais, secreções e objetos contaminados, como roupas de cama e toalhas.
Segundo o Observatório Epidemiológico do município, setembro somou 45 casos, o maior número mensal desde a introdução da doença na cidade, e outubro já chega a 29 registros. No estado, são 211 casos confirmados neste ano, contra 119 em todo o ano anterior, alta de 77%, além de 119 suspeitas ainda em investigação.
O avanço pressiona serviços especializados, como o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, em Manguinhos, onde 10 pacientes estão internados atualmente. Embora a Secretaria Estadual de Saúde reconheça o aumento, a pasta afirma que ainda não há critérios para decretar epidemia, mas mantém o alerta e o monitoramento.
Como está a situação da vacina contra Mpox na capital do Rio de Janeiro?
A cidade do Rio está sem doses disponíveis da vacina contra Mpox para os públicos-alvo neste momento, o que compromete a proteção de quem mais precisa. A imunização é indicada para pessoas vivendo com HIV com imunossupressão grave, profissionais de laboratório que lidam diretamente com o vírus e pessoas que tiveram contato de risco com casos suspeitos ou confirmados.
Pacientes relatam dificuldades para encontrar vacinas nos centros municipais de saúde. Diante do cenário, o deputado federal Daniel Soranz, ex-secretário municipal de Saúde do Rio e presidente da Frente Parlamentar da Vacina no Congresso, pressiona o governo federal por novas remessas. “A compra da vacina monkeypox é essencial para evitar a disseminação da doença e garantir a proteção dos grupos mais vulneráveis. A Frente Parlamentar da Vacina estimula e cobra que cada vez mais a gente tenha vacina no tempo correto e no momento que as pessoas precisam. Aqui no Rio de Janeiro, o aumento do número de casos liga um alerta para todo o Brasil”, afirmou.
Entenda o contexto
Os dados mais recentes do Observatório Epidemiológico mostram que apenas no último mês foram 43 casos de Mpox na capital. Somando o ano, o estado chega a 211 confirmações, já acima das 119 registradas em todo o ano anterior. O crescimento é de 77% em relação ao total do ano passado.
A prefeitura do Rio apura uma nova morte por suspeita de infecção pelo vírus, o que reforça a preocupação de autoridades sanitárias. A Superintendência de Vigilância em Saúde do município informa que mantém monitoramento contínuo e que a variação recente ainda está, na avaliação técnica, dentro do padrão de oscilação observado desde a introdução da doença, mas admite a necessidade de reforçar prevenção e diagnóstico precoce.
Mpox: o que é a doença e como pega
A Mpox é uma doença infecciosa causada por um vírus que provoca, em geral, febre, dores no corpo e lesões na pele que podem evoluir para bolhas. A maioria dos casos tem evolução leve ou moderada, mas há risco de complicações graves e morte, sobretudo em pessoas com imunidade comprometida.
A transmissão entre humanos ocorre principalmente pelo contato pessoal prolongado com lesões de pele, fluidos corporais e secreções respiratórias, além do uso compartilhado de objetos recentemente contaminados, como roupas de cama, toalhas e utensílios pessoais. O infectologista Celso Ferreira Ramos Filho alerta para a rapidez na busca por atendimento: “O que a pessoa tem que fazer é correr para o médico. Essa é uma doença contagiosa por via sexual, por via aérea também, então as outras pessoas que estejam próximas estão sob risco de contaminação”.
O que a prefeitura do Rio de Janeiro está fazendo para conter o surto de Mpox?
A Secretaria Municipal de Saúde afirma que a principal estratégia é reforçar a prevenção, a identificação rápida de casos e o acompanhamento clínico adequado. A pasta orienta que pessoas com febre, mal-estar, dores no corpo e lesões na pele procurem imediatamente uma unidade de saúde para avaliação e realização de exames.
O tratamento é baseado em medidas de suporte clínico, com foco em aliviar sintomas, prevenir e tratar complicações e evitar sequelas. A rede municipal também mantém a vigilância epidemiológica ativa, com rastreamento de contatos próximos e notificação obrigatória dos casos suspeitos e confirmados, enquanto aguarda a reposição de vacinas para retomar a imunização dos grupos de risco.
Como os moradores do Rio de Janeiro podem se prevenir contra a Mpox?
A recomendação de especialistas e das autoridades de saúde é evitar contato direto com lesões de pele, secreções e materiais usados por pessoas com suspeita ou confirmação da doença. Também é orientado não compartilhar toalhas, roupas de cama, roupas íntimas e objetos de uso pessoal.
Em situações de contato íntimo, a indicação é redobrar a atenção a qualquer sinal de lesões na pele ou mucosas e procurar serviço médico ao menor sintoma. Pessoas dos grupos de risco devem manter acompanhamento regular na rede de saúde e checar, junto às unidades, a disponibilidade da vacina assim que novas doses forem enviadas à capital.


