Mercados
S&P 5007.720▼ 0,30%Nasdaq26.185▼ 1,38%Dow Jones52.343▼ 0,25%Ibovespa169.186▼ 1,06%FTSE 10010.756▲ 0,32%DAX25.885▼ 0,60%Nikkei63.290▼ 2,12%DólarR$ 5,38▼ 0,10%EuroR$ 6,03▲ 0,06%BitcoinR$ 417.117▼ 0,71%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.720▼ 0,30%Nasdaq26.185▼ 1,38%Dow Jones52.343▼ 0,25%Ibovespa169.186▼ 1,06%FTSE 10010.756▲ 0,32%DAX25.885▼ 0,60%Nikkei63.290▼ 2,12%DólarR$ 5,38▼ 0,10%EuroR$ 6,03▲ 0,06%BitcoinR$ 417.117▼ 0,71%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Política

27 partidos reconhecem reeleição de Lula; Flávio contesta

Levantamento mostra que 27 dos 30 partidos brasileiros reconhecem a reeleição de Lula. Do exterior, Flávio Bolsonaro fala em fraude; TSE reafirma normalidade do pleito.

27 partidos reconhecem reeleição de Lula; Flávio contesta

Eleições 2024

Maioria dos partidos brasileiros aceita reeleição de Lula enquanto Flávio Bolsonaro questiona o resultado do pleito.

Leia também: PL reconhece vitória de Lula, mas cobra esclarecimentos

Vinte e sete dos 30 partidos políticos registrados no Brasil reconheceram oficialmente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial realizada no domingo (25), enquanto o senador derrotado Flávio Bolsonaro (PL), dos Estados Unidos, contesta o resultado, alega fraude e se declara “líder do Brasil”, em movimento que acirra a tensão política.

TSE reafirma normalidade da eleição

O Tribunal Superior Eleitoral confirmou ainda na noite de domingo (25) a reeleição de Lula e atestou a regularidade do pleito. Após a divulgação das cartas de Flávio Bolsonaro nas redes sociais, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, reforçou publicamente a segurança do processo.

“A Justiça Eleitoral entregou o pleito deste ano com segurança e as eleições transcorreram dentro da mais absoluta normalidade”, afirmou Kassio Nunes Marques, que também é ministro do Supremo Tribunal Federal.

A corte eleitoral considera o processo encerrado do ponto de vista da apuração, restando agora apenas eventuais contestações jurídicas formais, caso sejam apresentadas pelas campanhas ou por partidos.

Maioria ampla reconhece vitória de Lula

O reconhecimento do resultado por 27 das 30 siglas se baseia em notas oficiais, declarações públicas de dirigentes e manifestações nas redes sociais. O levantamento não inclui o PT, partido do presidente reeleito.

Entre as legendas que endossam o resultado estão partidos de praticamente todo o espectro político, incluindo PL (de Flávio Bolsonaro), União Brasil, MDB, PSD, Republicanos, PSDB, PDT, PSB, PSOL, Podemos, Avante, Democrata, Democracia Cristã (DC), Unidade Popular (UP), PSTU, Solidariedade, PP, Agir, PRD e outras siglas médias e pequenas.

O consenso não significa adesão automática ao governo Lula. Algumas legendas divulgaram apenas manifestações institucionais de respeito às urnas, enquanto outras aproveitaram para criticar o PT, defender projetos próprios ou marcar posição de oposição.

No União Brasil, que apoiou Flávio Bolsonaro no segundo turno, a orientação é encerrar a disputa eleitoral. A sigla afirmou que “a eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura e o seu resultado deve ser respeitado” e divulgou mensagem de que “é hora de encerrar a disputa e pensar nos enormes desafios que se colocam diante do nosso país”.

O MDB declarou manter “total confiança no sistema eleitoral brasileiro” e, por isso, reconhecer a legitimidade do resultado. Já o PSDB classificou como “incompreensível” o comportamento de Flávio, defendendo que a oposição ao governo seja exercida no país e “dentro das regras da democracia”.

Partidos à esquerda, como PSOL, PDT, PCdoB, Rede, PV, PSB, UP e PSTU, associaram o reconhecimento do resultado à defesa explícita da Justiça Eleitoral e à crítica ao bolsonarismo, embora mantenham diferenças em relação ao governo reeleito.

Entenda o contexto

Lula saiu vitorioso no segundo turno presidencial de domingo (25), em disputa direta com Flávio Bolsonaro. Logo após a totalização dos votos, o TSE proclamou o resultado e líderes mundiais passaram a cumprimentar o presidente reeleito, enquanto partidos brasileiros se posicionavam.

Desde então, a política em Brasília gira em torno de dois movimentos paralelos: de um lado, a construção da transição e a formação de maioria parlamentar para o novo mandato; de outro, a tentativa de setores ligados a Flávio Bolsonaro de questionar a lisura do processo, numa estratégia que ecoa disputas eleitorais recentes em outros países.

O que Flávio Bolsonaro diz sobre a eleição?

Derrotado nas urnas, o senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após o resultado e passou a divulgar, dos Estados Unidos, cartas com teor golpista em que não reconhece a vitória de Lula, fala em fraude eleitoral e se proclamou inicialmente “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito”. Em uma segunda versão dos textos, trocou as expressões por “líder do Brasil” e “líder”.

Os documentos circularam em formato de imagem nas redes sociais de apoiadores e foram publicados enquanto o senador buscava apoio político no exterior, em especial junto ao ex-presidente norte-americano Donald Trump, apontado por partidos brasileiros como alguém que tentou influenciar o pleito brasileiro.

As alegações de fraude não foram acompanhadas de provas e entram em choque com a avaliação técnica do TSE e com o reconhecimento do resultado pela ampla maioria dos partidos, inclusive o próprio PL, legenda de Flávio.

Reação de partidos à ida de Flávio aos EUA

Em nota conjunta, partidos aliados de Lula — entre eles PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT — criticaram duramente a postura do senador e a movimentação internacional de contestação do resultado.

“O candidato derrotado nas eleições fugiu do Brasil para não enfrentar a Justiça brasileira. Não por acaso, o candidato derrotado buscou abrigo justamente junto a Trump, que atuou abertamente para interferir em nossas eleições”, diz o texto assinado pelas siglas, que também rejeitam qualquer interferência estrangeira no processo democrático brasileiro.

Esses partidos ainda argumentam que as críticas ao pleito distorcem decisões tomadas de forma isonômica, como a prorrogação do horário de votação em razão de problemas de transporte público e chuvas fortes em várias regiões, medida pedida tanto pela campanha de Lula quanto pela de Flávio Bolsonaro.

Novo questiona democracia; Mobiliza segue em silêncio

Entre os 30 partidos cadastrados na Justiça Eleitoral, apenas dois não se alinharam até agora ao reconhecimento explícito do resultado: o Novo, que contesta a eleição, e o Mobiliza, que segue sem manifestação pública.

O Novo divulgou nota em tom crítico, acusando Lula de usar a máquina pública e questionando a qualidade da democracia brasileira. “Como se não bastasse fazer uma campanha cheia de mentiras, o PT usou como nunca a máquina pública e o STF para se manter no poder. Temos três ações pedindo a cassação da chapa de Lula”, afirmou a legenda, concluindo que “o país não é uma democracia”.

Já o Mobiliza não publicou até o momento posicionamento oficial sobre o resultado da eleição presidencial, o que o deixa isolado num cenário de reconhecimento quase unânime do pleito e da reeleição de Lula.

Efeitos políticos e próximos passos

O apoio público de 27 partidos à proclamação do TSE reduz o espaço institucional para iniciativas que pretendam anular ou reverter o resultado nas urnas e tende a facilitar a construção de uma base mínima de governabilidade para o novo mandato de Lula, ainda que em ambiente de forte fragmentação partidária.

Ao mesmo tempo, a narrativa de fraude difundida por Flávio Bolsonaro e o discurso do Novo contra a democracia formal mantêm acesa uma frente de contestação, com potencial de estimular manifestações de rua, ações judiciais e novas tentativas de descredibilizar o sistema de votação eletrônica.

No campo institucional, a expectativa é de que a Justiça Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal respondam, caso sejam formalizadas, às ações que pedem a cassação da chapa de Lula e a apuração de supostas ilegalidades na campanha, ao mesmo tempo em que monitoram eventuais ataques organizados ao processo democrático.