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Bruno Motta recebe ameaças após post de deputado Nikolas Ferreira

Humorista Bruno Motta diz ter recebido milhares de mensagens e ameaças depois que o deputado Nikolas Ferreira ironizou relato sobre cancelamento de evento por motivos políticos.

Bruno Motta recebe ameaças após post de deputado Nikolas Ferreira

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Bruno Motta relata onda de ameaças após ironia de deputado sobre cancelamento de evento político.

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O humorista e produtor mineiro Bruno Motta, de 46 anos, relata ter passado a receber milhares de mensagens, incluindo ameaças de violência, depois que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhou e ironizou uma publicação sua nas redes sociais sobre o cancelamento de um evento corporativo por motivos políticos.

Bruno Motta relata ameaças após publicação

No relato publicado nas redes, Bruno Motta contou que um trabalho corporativo foi cancelado após questionamentos sobre suas posições políticas, algo inédito em seus 25 anos de carreira. Depois disso, Nikolas Ferreira reproduziu um trecho do desabafo com a frase “Tá assustadinho, gen te” e comentou: “Os fascistas não querem mais sustentar vocês. Bem-vindo a uma nova era”.

Segundo o humorista, a partir dessa exposição passaram a chegar milhares de mensagens públicas e privadas, com ameaças de agressão caso ele fosse reconhecido na rua ou durante seus shows. Usuários também passaram a vasculhar postagens antigas em busca de manifestações políticas anteriores para expô-lo.

“Foi a primeira vez, em 25 anos de carreira, que enfrentei esse tipo de problema, até porque não envolvo o assunto política nos trabalhos corporativos que faço”, afirmou Bruno Motta em entrevista nesta sexta-feira, 30 de outubro de 2026. Ele está atualmente à frente do espetáculo LGBT+ Gongada Drag.

O humorista ainda não registrou boletim de ocorrência. A ideia, diz, é primeiro reunir e arquivar as mensagens recebidas como prova para possíveis medidas judiciais, já que alguns perfis apagaram publicações após serem alertados sobre a possibilidade de processos.

Campanha de boicotes e reação do deputado

As declarações de Nikolas Ferreira foram feitas em meio a uma mobilização nas redes que incentiva boicotes a empresas e profissionais associados, de forma direta ou indireta, a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Grupos organizam e divulgam listas de estabelecimentos ligados a simpatizantes do governo, pedindo que consumidores deixem de contratar seus serviços.

O deputado tem defendido publicamente esse tipo de ação. Em outra publicação recente, ao comentar o relato de uma empresária sobre perda de clientes, escreveu: “Tá chateada porque a direita não vai mais no seu comércio? Democracia? Concordo, as pessoas são livres pra não irem mais”. Para Nikolas, trata-se do exercício da liberdade de escolha do consumidor.

No caso de Bruno Motta, apoiadores do parlamentar passaram a associar o humorista à pauta política do governo federal e ao ativismo de esquerda, mesmo em trabalhos corporativos nos quais o artista afirma não tratar de política.

Entenda o contexto

O episódio envolvendo Bruno Motta expõe o impacto da polarização política sobre o meio artístico e o mercado de eventos corporativos. Profissionais que se posicionam — ou são percebidos como próximos a determinado campo político — se tornam alvo de campanhas organizadas que miram sua reputação e também quem os contrata.

Na prática, o cancelamento de eventos e a enxurrada de ataques virtuais criam insegurança para artistas, produtores e empresas, que passam a temer prejuízos econômicos e desgaste de imagem. A prática de vasculhar o histórico de postagens para expor opiniões políticas antigas amplia o clima de hostilidade e funciona como forma de intimidação.

Bruno diz que seu desabafo teve o objetivo de chamar atenção para esse cenário, defendendo que empresas e prestadores de serviço não sejam automaticamente associados às posições políticas individuais de seus profissionais ou proprietários.

Força-tarefa contra assédio e discriminação política

A escalada de campanhas de boicote levou o governo federal a montar uma força-tarefa para combater o assédio eleitoral e a discriminação por motivo político no ambiente de trabalho e no mercado de consumo. A iniciativa reúne ministérios, a Advocacia-Geral da União e o Ministério Público do Trabalho (MPT), entre outros órgãos.

O Ministério Público Federal abriu procedimento para acompanhar a circulação de listas de boicote que relacionam empresas e profissionais a posições políticas. Já o MPT acionou a Justiça em casos em que empresários incentivaram a não contratação de profissionais ligados à esquerda.

Essas medidas buscam enquadrar juridicamente campanhas que, além de pressionar financeiramente estabelecimentos e artistas, possam configurar perseguição ideológica e discriminação no trabalho. Advogados ouvidos por órgãos de controle veem espaço para ações civis e criminais contra autores de ameaças e organizadores de boicotes quando há incitação à violência ou prejuízo comprovado.

Com o caso de Bruno Motta em evidência e a continuidade da mobilização nas redes, a expectativa é de aumento da judicialização em conflitos envolvendo divergência política, com impacto direto sobre o setor cultural e o ambiente empresarial.

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