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Economia

Chilli Beans pede recuperação extrajudicial de R$ 340 mi

Rede de óculos e relógios busca acordo para renegociar R$ 340 milhões em dívidas financeiras e prevê aporte de até R$ 50 milhões, mantendo abertura de novas lojas no Brasil e no exterior.

Chilli Beans pede recuperação extrajudicial de R$ 340 mi

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Empresa negocia dívidas de R$ 340 milhões e planeja investimento para expansão no Brasil e exterior.

Leia também: Mercado financeiro pausa hoje com baixa liquidez e sem novidades

A Chilli Beans protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 340 milhões em dívidas financeiras com bancos, em um plano que inclui aporte de até R$ 50 milhões e mantém a abertura de novas lojas no Brasil e na América do Sul.

O acordo, já alinhado com os principais credores, é coordenado por Itaú, Akron e Vega, que atuam como financiadores âncoras e devem colocar os novos recursos na rede de óculos e relógios. As dívidas com fornecedores, funcionários e outros parceiros comerciais ficam fora da reestruturação.

Segundo a companhia, o objetivo é ajustar a estrutura de capital ao tamanho atual do negócio, aliviar o peso do endividamento financeiro e preservar a operação das cerca de 900 franquias no país, além das unidades em mais de 14 países.

O que aconteceu com a Chilli Beans em relação à recuperação extrajudicial?

A Chilli Beans entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para reorganizar R$ 340 milhões em dívidas financeiras, com um plano já negociado com os principais bancos credores e previsão de aporte de até R$ 50 milhões na empresa.

Nesse modelo, a rede de Chilli Beans óculos e relógios negocia diretamente com os credores os novos prazos, taxas e condições de pagamento e depois leva o acordo à Justiça apenas para homologação, o que estende as mesmas regras a todos os créditos da mesma natureza.

O plano foi construído com participação de Itaú, Akron e Vega, apontados como financiadores centrais da operação. Eles vão liderar o aporte de capital que deve dar fôlego ao caixa durante a reestruturação.

Em comunicado interno, o fundador e CEO, Caito Maia, reconheceu a pressão sobre o varejo, mas reforçou a confiança na marca: “Passamos por um momento difícil, mas saímos ainda mais fortes e conscientes do que representamos para milhares de consumidores e centenas de parceiros”, disse.

Por que a Chilli Beans pediu recuperação extrajudicial?

A rede recorreu à recuperação extrajudicial para ajustar o peso de R$ 340 milhões em dívidas financeiras ao desempenho atual do negócio, em um cenário considerado desafiador para o varejo brasileiro.

A opção por esse instrumento é vista como uma etapa anterior à recuperação judicial, menos traumática e com menor intervenção da Justiça. “A recuperação judicial é um rito muito mais complexo. Ela precisa sempre ter um interventor e um espaço de proteção legal. A recuperação extrajudicial, por sua vez, tem como objetivo costurar um acordo entre os principais credores para reestruturação da dívida”, explica Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores.

O sócio da Akron Capital, Felipe Casotti, um dos financiadores âncoras, afirma que a renegociação busca recolocar a empresa em rota de crescimento, sem paralisar a operação. “Isso criará condições para que a empresa concentre seus esforços na operação, fortaleça a relação com franqueados e fornecedores e retome uma trajetória de crescimento sustentável”, diz.

Como a recuperação extrajudicial pode afetar as lojas da Chilli Beans?

O pedido de recuperação extrajudicial não interrompe as atividades das lojas da Chilli Beans; ao contrário, o plano foi desenhado para que a operação siga normalmente, inclusive com abertura de novos pontos de venda.

Hoje, a marca soma cerca de 900 franquias no Brasil e presença em mais de 14 países. Em outubro, inaugurou nove unidades no país e mais quatro na América do Sul, sinalizando que a estratégia de expansão segue de pé, inclusive com aposta em óculos Chilli Beans feminino promoção e outras linhas de produtos para atrair consumidores.

Para a advogada Daniela Correa, especializada em Direito Empresarial, esse tipo de processo não implica paralisação da rede. “Entrar com recuperação extrajudicial não significa que a empresa terá suas atividades inoperantes”, afirma. A tendência, segundo ela, é que o consumidor não perceba mudanças no dia a dia das lojas de Chilli Beans óculos e acessórios.

Como o plano atinge apenas dívidas financeiras, compromissos com fornecedores e colaboradores continuam sendo pagos fora da recuperação, o que reduz o risco de desabastecimento ou cortes bruscos nas equipes das franquias.

Qual o valor da dívida da Chilli Beans que está sendo renegociada?

O plano de recuperação extrajudicial da Chilli Beans mira R$ 340 milhões em dívidas financeiras, principalmente com bancos, que terão prazos e condições de pagamento readequados.

Além da renegociação desse montante, o acordo prevê um aporte de até R$ 50 milhões, também vindo dos credores, para reforçar o caixa e sustentar a fase de reestruturação. Esse dinheiro novo deve ajudar a empresa a atravessar o período de ajustes sem sacrificar a operação e o relacionamento com franqueados e fornecedores.

Dívidas com fornecedores, colaboradores e demais parceiros comerciais não entram no pacote, o que significa que esses pagamentos seguem o fluxo normal, fora da proteção do plano financeiro costurado com os bancos.

Quem é o dono da Chilli Beans e qual o impacto da dívida para ele?

O fundador e principal rosto da Chilli Beans é o empresário Caito Maia, hoje CEO da rede, que construiu a marca como referência em óculos e relógios no varejo brasileiro e em diversos mercados no exterior.

Na prática, a pressão de R$ 340 milhões em dívidas financeiras recai diretamente sobre a estratégia comandada por Maia, que precisa equilibrar expansão, rentabilidade e pagamento de credores. O pedido de recuperação extrajudicial é uma tentativa de preservar o valor da marca e das franquias, evitando um processo judicial mais pesado, que poderia afetar o controle e a autonomia na gestão.

Ao defender publicamente a medida, Maia sinaliza que a prioridade é atravessar o atual ciclo de crédito caro e consumo mais fraco sem desmontar a rede. Para ele, o sucesso do acordo tende a blindar a imagem da empresa e abrir espaço para que a Chilli Beans lojas mantenham a oferta de produtos e campanhas agressivas de preço, como linhas em promoção, enquanto reequilibram as finanças.

Entenda o contexto

A recuperação extrajudicial vem ganhando espaço entre empresas endividadas porque permite uma solução negociada com os principais credores, sem o desgaste e a lentidão típicos da recuperação judicial. O foco é reescrever a dívida financeira de forma que a companhia volte a caber no próprio fluxo de caixa.

No caso da Chilli Beans, especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o desenho do plano — limitado a bancos, com aporte fresco e manutenção da operação — tende a preservar empregos, franquias e a cadeia de fornecedores, ponto sensível em qualquer crise no varejo.

Os próximos passos passam pela conclusão das assinaturas com os credores envolvidos e pelo pedido de homologação judicial, etapa necessária para validar o acordo e dar segurança jurídica às condições acertadas. Enquanto isso, a empresa mantém a rotina das lojas e aposta na força da marca para atravessar o período de ajuste financeiro.