BB Seguridade ri: Terra aposta em ação mesmo com queda forte
Terra Investimentos inclui BB Seguridade na carteira semanal após fortes perdas em outros papéis, enquanto dados da Susep mostram lucro e prêmios em queda e reforçam cautela com BBSE3.

Mercado Financeiro
Terra Investimentos mantém BB Seguridade na carteira apesar de resultados recentes negativos e alerta para cautela.
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A Terra Investimentos incluiu BB Seguridade (BBSE3) na carteira recomendada semanal de ações para o período de 30 de outubro a 6 de novembro, mesmo em um momento de queda de 19% no lucro líquido e recuo de 24% nos prêmios emitidos em julho, cenário que tem deixado analistas mais cautelosos com o papel.
Por que as ações do BB Seguridade (BBSE3) estão caindo?
As ações da BB Seguridade caem 2,55%, fechando a R$ 39,82, em reação a dados fracos de julho e a uma visão mais cautelosa de bancos de investimento sobre o desempenho da companhia.
Relatórios baseados em números da Susep mostram que a BB Seguridade teve queda de 24% nos prêmios emitidos em julho, para R$ 1,09 bilhão, puxada principalmente pelo seguro rural, cuja emissão recuou 40%. Analistas do Citi destacam ainda a “queda de 19% no lucro líquido em julho ante o mesmo período do ano passado”, movimento associado a resultados financeiros mais fracos da BrasilPrev e ao encolhimento do negócio rural.
Do lado operacional, o Itaú BBA chama atenção para o fato de que a “maior parte da queda veio do seguro rural, cuja emissão recuou 40%” e de que o “índice de sinistralidade piorou na passagem de junho para julho, avançando 4,1 pontos percentuais” para 24,6%, pressionando a rentabilidade.
Com isso, os “dados da Susep reforçando cautela para BB Seguridade”, como descrevem analistas do Itaú BBA, pesam sobre o humor do mercado, que passa a enxergar mais risco nos resultados do terceiro trimestre e no desempenho das ações no curto prazo.
Terra faz trocas na carteira em busca de recuperação
A entrada de BBSE3 na carteira semanal da Terra acontece em um movimento de rotação após uma semana de forte correção na Bolsa. Cemig (CMIG4) e Marcopolo (POMO4) foram retiradas do portfólio depois de perdas expressivas que acionaram o mecanismo de stop loss, abrindo espaço para BB Seguridade e Hypera (HYPE3).
O analista Régis Chinchila, responsável pela carteira, afirma ter “optado por trocas estratégicas”, buscando reduzir a exposição a papéis que já vinham acumulando prejuízos e tentar capturar uma possível recuperação em ativos vistos como descontados.
Na semana anterior, a carteira da Terra registrou desempenho negativo de 5,13%, mas ainda acumula alta de 58,73% em 12 meses, acima da valorização de 13,83% do Ibovespa no mesmo intervalo. Além de BB Seguridade e Hypera, seguem na seleção Telefônica Brasil (VIVT3), MBRF (MBRF3) e Suzano (SUZB3).
Entenda o contexto
Os dados mais recentes da Susep apontam um início de terceiro trimestre misto para as grandes seguradoras ligadas a bancos. Enquanto o setor de seguros como um todo cresce cerca de 5% em emissão de prêmios, BB Seguridade, Caixa Seguridade e Bradesco Seguros ficam para trás, com dinâmicas bem diferentes entre si.
O destaque negativo é a BB Seguridade, muito exposta ao seguro rural. A retração de 40% nesse segmento atinge seguros agrícolas, penhor rural e prestamista voltado ao agro, reduzindo receita e elevando a volatilidade dos resultados em um momento de mudanças nas condições de crédito e no ambiente do Plano Safra.
Além do encolhimento dos prêmios, a empresa também enfrenta uma deterioração da sinistralidade — a relação entre o valor pago em indenizações e o prêmio arrecadado — que subiu para 24,6%, 4,1 pontos percentuais acima do mês anterior.
Concorrentes mostram trajetórias opostas
Enquanto a BB Seguridade patina, a Caixa Seguridade aparece como a mais resiliente entre as grandes seguradoras ligadas a bancos. Em julho, os prêmios emitidos pela Caixa somaram R$ 861 milhões, alta de 3% na comparação anual, com impulso das carteiras habitacional, de automóveis e residencial, que cresceram 15%, 33% e 9%, respectivamente.
O ponto mais sensível na Caixa continua sendo o seguro prestamista, com queda de 32% nos prêmios, além de retração de 4% em vida. Apesar disso, a companhia conseguiu melhorar de forma relevante sua sinistralidade: o índice recuou 3,6 pontos percentuais em relação a junho, para 24,3%, sustentado por menos sinistros em prestamista, autos e vida.
Na previdência, a Caixa Seguridade mantém captação líquida positiva de R$ 430 milhões em julho e segue na liderança do crescimento de reservas, que alcançam R$ 217 bilhões, avanço de 16% em 12 meses.
A Bradesco Seguros, por sua vez, teve prêmios emitidos (excluindo saúde) de R$ 1,3 bilhão, queda de 3% na base anual. Crescimentos em automóveis (+5%), habitacional (+10%) e empresarial (+9%) não compensaram a fraqueza em prestamista (‑36%), vida (‑8%) e residencial (‑8%).
O diferencial da Bradesco está na sinistralidade. O índice ficou em 46,9%, melhora de 1,4 ponto percentual em relação a julho do ano anterior, o que leva analistas a apontarem a empresa como “a única entre as três grandes seguradoras a apresentar melhora na sinistralidade”. Porém, houve piora de 2,7 pontos frente a junho, puxada por vida e seguros empresariais.
Na previdência, a Bradesco Seguros registrou saída líquida de R$ 810 milhões em julho, acima do observado no mês anterior, embora as reservas somem R$ 396 bilhões, com crescimento de 10% em 12 meses.
Como a pressão operacional está afetando os resultados da BB Seguridade?
A pressão operacional sobre a BB Seguridade aparece na combinação de prêmios menores, sinistralidade maior e resultados financeiros mais fracos, o que explica a queda de 19% no lucro líquido em julho.
No seguro rural, principal foco de desgaste, o recuo de 40% nas emissões reduz a base de receita e diluição de custos, ao mesmo tempo em que o aumento de sinistros no segmento puxa o índice de sinistralidade para 24,6%. Essa piora de 4,1 pontos percentuais em um único mês reduz a margem técnica da seguradora.
Na previdência, a BrasilPrev consegue sustentar captação líquida positiva de R$ 430 milhões e reservas de R$ 217 bilhões, com alta de 16% em 12 meses, mas isso não se traduz em maior lucro no curto prazo. Segundo relatório do Itaú BBA, a “Brasilprev reportou lucro líquido de R$ 167 milhões em julho, queda de 40% na comparação anual”, pressionada pelo resultado financeiro.
Com prêmios menores, sinistralidade em alta e rentabilidade financeira mais fraca, a geração de lucro da BB Seguridade fica sob pressão, o que aumenta a percepção de risco entre investidores e justifica a postura mais conservadora de casas como Itaú BBA e Citi em relação a BBSE3.

