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Economia

Milho para etanol cai 9% nos EUA e QAV sobe 7,2% no Brasil

USDA aponta queda de 9% no milho para etanol em setembro nos EUA, enquanto Petrobras eleva em 7,2% o preço do querosene de aviação no Brasil, pressionando companhias aéreas.

Milho para etanol cai 9% nos EUA e QAV sobe 7,2% no Brasil

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Queda no milho para etanol nos EUA e alta no querosene de aviação no Brasil impactam o setor aéreo.

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Indústrias de etanol nos Estados Unidos reduziram em 9% o consumo de milho para combustível em setembro, ao mesmo tempo em que a Petrobras elevou em 7,2% o preço do querosene de aviação (QAV) no Brasil, movimento que pressiona produtores rurais, usinas e companhias aéreas em dois dos principais mercados globais de energia.

Consumo de milho para etanol recua em setembro

De acordo com o relatório mais recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as usinas americanas consumiram 438,42 milhões de bushels de milho para produção de etanol combustível em setembro. O volume representa recuo em relação aos 479,36 milhões de bushels utilizados em agosto, mas ainda fica 1% acima do registrado em setembro do ano passado, sinalizando perda de fôlego no curto prazo, porém sem ruptura na tendência de crescimento recente do setor.

Ao se considerar todos os usos industriais, o processamento de milho somou 485 milhões de bushels no mês, queda de 8% frente a agosto e alta de 1% na comparação anual. Desse total, 92,7% foram destinados à produção de álcool — incluindo o etanol combustível — e 7,3% seguiram para outros usos industriais.

Mesmo descontando a diferença de dias entre agosto e setembro, o ritmo médio diário de consumo de milho para etanol desacelerou, com redução de cerca de 5,49%. O movimento indica ajustes na demanda industrial, que podem refletir tanto fatores sazonais quanto respostas ao ambiente de preços dos combustíveis e ao avanço da colheita de milho nos EUA.

Os coprodutos da indústria de etanol também sentiram o efeito da freada. A produção de grãos secos de destilaria com solúveis (DDGS), usados principalmente na alimentação animal, caiu 8% em relação a agosto, para cerca de 1,70 milhão de toneladas curtas. Já os grãos úmidos de destilaria (DWG), com maior teor de umidade, subiram 1% no mês e 7% na comparação anual, alcançando 1,30 milhão de toneladas curtas, o que sugere mudança na composição dos subprodutos ofertados ao mercado pecuário.

Por que a Petrobras reajustou o preço do combustível de aviação em R$ 0,45 por litro?

A Petrobras atribui o aumento de R$ 0,45 por litro no QAV ao encarecimento do produto no mercado internacional, em meio a tensões geopolíticas e redução da capacidade de refino em áreas-chave produtoras. Desde domingo, o preço médio do querosene de aviação vendido às distribuidoras está 7,2% mais alto que em outubro.

Segundo a estatal, “o reajuste reflete a elevação das cotações internacionais do QAV, em um cenário de intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio e de redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia em decorrência do conflito entre os dois países”. A empresa afirma que segue uma fórmula paramétrica prevista em contrato, que dilui as oscilações de curto prazo do mercado externo em reajustes mensais.

Em outubro, o QAV já havia subido em média 11,76%, ou R$ 0,65 por litro. Com os dois aumentos consecutivos, as companhias aéreas passam a lidar com um impacto acumulado relevante em poucas semanas, num momento em que a demanda por viagens vinha se recuperando e o setor buscava reduzir endividamento.

A Petrobras responde por cerca de 85% da produção nacional de QAV, o que faz da companhia um formador central de preços no país, ainda que o mercado seja aberto à concorrência de outros produtores e importadores.

Qual a relação entre o consumo de milho para etanol e o mercado de combustíveis nos EUA?

O milho usado para etanol é um dos pilares do mercado de combustíveis nos EUA porque o biocombustível é misturado à gasolina e influencia a demanda por petróleo e derivados. Quando o consumo de milho para etanol diminui, como ocorreu em setembro, isso costuma sinalizar menor produção do biocombustível e possível ajuste na mistura com a gasolina, afetando tanto o preço do cereal quanto o balanço entre fontes fósseis e renováveis na matriz de transportes.

Nos Estados Unidos, a política de combustíveis renováveis estimula a mistura de etanol à gasolina, o que garante demanda estrutural para o milho. Assim, o recuo de 9% no consumo mensal de milho para etanol, ainda que com leve alta na comparação anual, é acompanhado de perto por produtores rurais, tradings e distribuidoras de combustíveis, que recalibram estoques, contratos e projeções de preço para o cereal e para o etanol.

Impacto do QAV mais caro sobre as companhias aéreas

No Brasil, o avanço do preço do QAV pressiona diretamente o caixa das empresas aéreas. A Associação Brasileira de Empresas Aéreas (ABEAR) informou que a participação do querosene de aviação nos custos operacionais das companhias do país saltou de 30% para mais de 45% desde o início dos conflitos no Oriente Médio.

Com dois reajustes expressivos em sequência, o espaço para absorver o aumento sem repassar parte dos custos às passagens fica reduzido. Na prática, o setor já avalia ajustes em tarifas, rotas e frequência de voos para tentar equilibrar despesas e demanda, especialmente em trechos menos rentáveis e em horários de menor ocupação.

A pressão ocorre num cenário em que a aviação ainda se recupera do tombo provocado por crises recentes e depende de combustível mais caro, dolarizado e atrelado a um mercado internacional volátil. A combinação de QAV em alta, câmbio sensível e competição por passageiros tende a manter o ambiente de incerteza para empresas, aeroportos e consumidores nos próximos meses.