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Inteligência Artificial

Chefe do FMI alerta: IA pode impactar 40% dos empregos em 5 anos

Kristalina Georgieva alertou em Madri que a inteligência artificial pode afetar até 40% dos empregos globais em poucos anos e cobrou disciplina fiscal em meio à dívida pública elevada.

Inteligência Artificial

Kristalina Georgieva destaca riscos da IA para o mercado de trabalho e enfatiza a necessidade de disciplina fiscal global.

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A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou em Madri que a inteligência artificial pode afetar até 40% dos empregos na economia mundial em um período de três a cinco anos, com impacto ainda maior em países desenvolvidos, ao mesmo tempo em que o mundo lida com uma dívida pública considerada sufocante.

IA como ‘lento tsunami’ e ameaça ao mercado de trabalho

Durante a Conferência Internacional de Bancos do Santander, Georgieva comparou a inteligência artificial a um fenômeno de avanço inevitável. “A IA é um lento tsunami, que vai afetar 40% dos empregos na economia mundial em um período curto de tempo”, disse, estimando que essa transformação deve ocorrer em “três a cinco anos, em que empresas serão redefinidas, redesenhadas ou simplesmente eliminadas”.

Ela destacou que o impacto tende a ser mais forte nas economias avançadas, onde a automação e o uso de ferramentas digitais já estão mais difundidos. “Considerando só o impacto da IA no trabalho em países desenvolvidos, o porcentual chega a 60%”, afirmou.

Segundo a diretora-gerente, esse movimento atinge tanto funções repetitivas e administrativas quanto parte de ocupações qualificadas baseadas em rotinas padronizadas. Para ela, governos e empresas precisam agir rápido para evitar que a disrupção tecnológica aprofunde desigualdades. “Os riscos que a inteligência artificial traz podem superar seus benefícios”, alertou.

Georgieva reforçou que a transição exigirá uma ampla requalificação de trabalhadores, com investimento em novas habilidades digitais e em educação continuada. O FMI, disse, está intensificando estudos sobre os efeitos da IA na produtividade e no emprego para orientar políticas públicas. “Os países que têm se dado melhor são aqueles mais intensos em inteligência artificial”, afirmou, indicando que a adoção da tecnologia, quando combinada com políticas adequadas, pode elevar o crescimento.

Entenda o contexto

O alerta do FMI ocorre em meio a uma corrida global por investimentos em IA, liderada por grandes empresas de tecnologia e instituições financeiras. Georgieva observou que o avanço da área tem gerado um “boom de investimento que também é circular”, em que companhias investem umas nas outras, criando cadeias de financiamento e desenvolvimento de novas soluções.

Ao mesmo tempo, a difusão acelerada de sistemas capazes de automatizar processos complexos alimenta temores sobre desemprego, precarização e concentração de renda em empresas e países que dominam a tecnologia. A diretora-gerente defendeu que os benefícios econômicos da IA só serão sustentáveis se vierem acompanhados de redes de proteção social, treinamento profissional e regulação que limite riscos de exclusão.

Dívida global perto de 96% do PIB preocupa FMI

Além da revolução tecnológica, Georgieva chamou atenção para o quadro de endividamento elevado no mundo. “Atualmente, a dívida/PIB da economia mundial está na casa dos 95% a 96%, em média”, disse. Segundo ela, grandes economias desenvolvidas já passaram com folga desse patamar. “Países desenvolvidos já têm indicadores acima de 100%, caso dos Estados Unidos (120%) e França (113%).”

Ao comentar a trajetória de alta da dívida, a diretora-gerente recorreu a uma metáfora musical. “É uma trajetória que é uma escada para cima e para mais acima, e ‘não é uma escada para o céu’”, afirmou, parafraseando a música “Stairway to Heaven”, do Led Zeppelin.

O maior problema, avaliou, é o peso crescente do serviço da dívida em um ambiente de inflação ainda elevada e juros altos. “O custo do serviço da dívida com a inflação, elevando as taxas, está se tornando sufocante para os governos e, claro, é ruim para os negócios, ruim para as famílias”, afirmou.

Na Europa, Georgieva citou que “os países que estão indo melhor são aqueles que tiveram disciplina fiscal, notadamente Irlanda, Portugal e Grécia”. Segundo ela, essas economias “aprenderam da forma mais dura” após crises passadas e hoje colhem os frutos de políticas orçamentárias mais rígidas.

Inflação de energia e alimentos pressiona famílias

Georgieva também alertou que a inflação segue alimentada por custos estruturais em setores básicos. “A trajetória dos preços de energia e alimentos deve seguir de alta”, disse, ao apontar que a pressão sobre combustíveis e insumos agrícolas tende a manter o custo de vida em patamar elevado.

Nesse cenário, a combinação entre juros altos, dívida crescente e preços de itens essenciais afeta sobretudo as camadas mais vulneráveis da população. “E isso quer dizer que os rendimentos vão subir nesse ambiente. Torna-se fundamental que os governos tenham a sabedoria de proteger seu próprio povo dos custos excessivos do serviço da dívida”, afirmou.

A diretora-gerente lembrou que “a economia mundial passou por choques dramáticos” em sequência, enquanto os gastos governamentais aumentam com defesa e demandas sociais. Para ela, a resposta passa por maior eficiência no uso de recursos públicos, disciplina fiscal e políticas que estimulem inovação, sem abandonar a proteção social.

Ao final, Georgieva reforçou que, diante do “lento tsunami” da inteligência artificial e da escalada da dívida, países que combinarem responsabilidade fiscal, investimento em tecnologia e programas de requalificação terão mais chances de atravessar a próxima década com crescimento e menor desigualdade.