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Inteligência Artificial

Brasileiros investem R$ 157 bi em cripto e fundos de IA em 2026

Criptomoedas já estão na carteira de 4% dos brasileiros com 16 anos ou mais, enquanto fundos de inteligência artificial ganham espaço com altas expressivas e mais opções na Bolsa.

Brasileiros investem R$ 157 bi em cripto e fundos de IA em 2026

Investimentos

A popularidade de criptomoedas e fundos de IA cresce entre brasileiros, refletindo novas tendências no mercado financeiro.

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Investidores brasileiros começam a dividir a aposta entre criptomoedas e fundos de inteligência artificial para tentar capturar a transformação tecnológica da economia, em um momento em que a indústria de fundos tradicional ainda sente o baque de uma perda de R$ 157,5 bilhões em patrimônio após a eleição.

Onde os brasileiros estão investindo mais: em criptomoedas ou em inteligência artificial?

Hoje, as criptomoedas têm presença mais consolidada entre os brasileiros do que os fundos focados em inteligência artificial, mas a diferença começa a diminuir à medida que os produtos ligados à IA se multiplicam na Bolsa.

Dados da Anbima mostram que moedas digitais são usadas por 4% dos brasileiros com 16 anos ou mais, no primeiro trimestre deste ano, sinal de que o investimento em cripto já saiu do nicho e alcançou uma fatia mensurável da população. Esse interesse se reflete também na Bolsa de Valores brasileira: um único fundo de criptomoedas soma R$ 2,77 bilhões em patrimônio em 28 de outubro, evidenciando que, por meio de fundos, o mercado de cripto já atingiu escala bilionária no país.

Nesse tipo de produto, o investidor compra cotas de um fundo que reúne diferentes moedas digitais e acompanha a variação de uma cesta de criptoativos, sem precisar abrir conta em corretoras especializadas nem se preocupar com a guarda e a segurança de cada moeda. Isso reduz barreiras técnicas e operacionais, embora não elimine o risco de fortes oscilações de preço.

De outro lado, a frente da inteligência artificial é mais recente, mas cresce rápido. Fundos dedicados ao tema investem não em moedas, e sim em empresas que desenvolvem ou sustentam a tecnologia — fabricantes de chips, fornecedores de equipamentos, centros de processamento de dados, criadores de programas e serviços baseados em IA. Um fundo brasileiro desse tipo divulgou que teve valorização de 53,94% entre janeiro e setembro deste ano, e de 64,88% nos 12 meses encerrados em setembro, desempenho que ajuda a chamar atenção do investidor pessoa física.

Os números se referem a um único produto e não representam a média do setor nem garantem repetições no futuro, mas funcionam como vitrine para uma categoria que ainda disputa espaço com cripto nas carteiras. Por enquanto, moedas digitais seguem com base de usuários mais ampla, mas os fundos de IA começam a aparecer como alternativa relevante para quem quer se expor à tecnologia sem entrar diretamente no universo das criptomoedas.

Quais são os riscos e oportunidades para brasileiros que investem em cripto e IA?

Os ganhos recentes em cripto e em alguns fundos de inteligência artificial abrem oportunidades de valorização e diversificação para o investidor brasileiro, mas o pacote vem acompanhado de riscos elevados e pouco tolerantes a quem não está preparado para a volatilidade.

Do lado das oportunidades, as criptomoedas oferecem exposição direta ou via fundos a um mercado global que opera 24 horas por dia e que já faz parte da estratégia de 4% dos brasileiros adultos. Para parte desses investidores, a aposta é que moedas digitais e protocolos de finanças descentralizadas ganhem espaço em meios de pagamento, reservas de valor e novos serviços financeiros, o que poderia sustentar novas rodadas de valorização no longo prazo.

Os fundos de inteligência artificial, por sua vez, permitem participar da infraestrutura da nova economia digital: fabricantes de chips usados em data centers, empresas que constroem e operam centros de processamento de dados, companhias que desenvolvem plataformas de IA e serviços baseados nessa tecnologia. A tese é que a expansão do uso da IA em praticamente todos os setores da economia se converta em mais faturamento e lucros para essas empresas, e, em consequência, em retorno para os cotistas. A valorização superior a 50% em nove meses e de quase 65% em 12 meses, divulgada por um fundo dedicado à IA, reforça essa percepção de potencial.

O lado negativo aparece na mesma intensidade. Na indústria de fundos como um todo, a turbulência após a eleição resultou em perda de R$ 157,5 bilhões em patrimônio líquido, o equivalente a 1,44%, com fundos de ações e multimercados concentrando as maiores quedas. Esse cenário de incerteza política e econômica tende a aumentar a sensibilidade a notícias e a volatilidade, especialmente em ativos ligados a tecnologia, considerados mais arriscados.

No caso específico das criptomoedas, o investidor enfrenta variações bruscas de preço em curtos períodos, movimentos de queda acentuada e riscos adicionais, como falhas de segurança em plataformas, mudanças regulatórias e problemas em projetos individuais. Já os fundos de IA carregam o risco de frustração com resultados de empresas que hoje são vistas como estrelas, além do debate recorrente sobre a possibilidade de uma bolha em torno da inteligência artificial, caso as expectativas cresçam mais rápido do que os lucros efetivos.

Especialistas destacam que, embora tecnologias como cripto e IA representem vetores importantes de transformação da economia, elas não substituem sozinhas uma carteira diversificada e adequada ao perfil de risco de cada investidor. A recomendação geral é que a exposição a esses ativos seja feita de forma graduada, com atenção redobrada à liquidez, ao horizonte de investimento e à possibilidade de perdas significativas no curto prazo.

Entenda o contexto

A movimentação em direção a cripto e fundos de inteligência artificial ocorre em paralelo a uma reacomodação da indústria de fundos tradicional no Brasil. Após a eleição, os produtos mais expostos a Bolsa de Valores e a diferentes classes de ativos, como ações e multimercados, foram os que mais perderam patrimônio, em um ambiente de maior cautela e revisão de estratégias.

Nesse cenário, as tecnologias digitais surgem como novas vitrines para parte dos investidores, ao mesmo tempo em que exigem mais educação financeira. A Anbima e outras entidades do mercado devem reforçar campanhas de orientação sobre riscos e oportunidades, enquanto gestores acompanham de perto a performance dos fundos temáticos e a evolução dos debates regulatórios em torno de moedas digitais e da própria IA.

A tendência, no curto e médio prazos, é de convivência entre criptomoedas e fundos de inteligência artificial na prateleira de investimentos, sem um “vencedor” claro. Para o investidor brasileiro, o desafio é equilibrar a empolgação com as inovações tecnológicas com uma avaliação realista de risco, sem perder de vista que resultados expressivos no passado, como altas superiores a 50% em 12 meses, não garantem retornos semelhantes no futuro.