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Democratas conquistam Senado e Câmara e derrotam Trump hoje

Partido Democrata conquista maioria nas duas casas do Congresso dos EUA, vira cadeiras em redutos conservadores e limita agenda do presidente Donald Trump, que promete usar o veto.

Democratas conquistam Senado e Câmara e derrotam Trump hoje

Eleições EUA

Partido Democrata assume controle do Congresso, mudando o cenário político e desafiando o presidente Trump.

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O Partido Democrata conquistou a maioria no Senado e na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos nas eleições legislativas de meio de mandato, encerradas na madrugada desta quarta-feira (4), impondo uma derrota contundente ao presidente republicano Donald Trump e redesenhando o equilíbrio de poder em Washington.

Democratas controlam as duas Casas

No Senado, os democratas elegeram 20 senadores, sendo sete em estados historicamente conservadores, e passaram a controlar 54 das 100 cadeiras — bem acima das 51 necessárias para a maioria. A legenda manteve todos os seus assentos e avançou sobre redutos republicanos considerados seguros até pouco tempo atrás.

Na Câmara dos Deputados, o Partido Democrata virou 25 cadeiras que estavam com os republicanos em distritos de mais de 10 estados e chegou a 225 assentos dos 435 totais, ultrapassando com folga o mínimo de 218 cadeiras exigidas para o controle da Casa. Os republicanos aparecem com 137 cadeiras e ainda há 76 disputas sem resultado final.

Com isso, pelos próximos dois anos, os democratas passam a comandar simultaneamente as duas Casas do Congresso, criando um novo cenário de confronto e negociação para a agenda do governo Trump, que perde o controle que tinha sobre o Legislativo.

Vitórias em redutos conservadores

O mapa da nova maioria democrata passa por vitórias simbólicas em estados tradicionalmente conservadores. No Texas, James Talarico derrotou o republicano Ken Paxton, apoiado diretamente por Trump, em uma das disputas mais observadas da noite. Já na Carolina do Sul, Annie Andrews surpreendeu ao vencer Darline Graham, irmã do falecido senador Lindsey Graham, quebrando uma longa hegemonia republicana no estado.

Em Ohio, outro estado de tendência republicana, o democrata Sherrod Brown superou o senador Jon Husted, somando mais uma derrota para os aliados do presidente. Na Geórgia, o senador democrata Jon Ossoff foi reeleito ao derrotar o deputado Mike Collins, frustrando a tentativa republicana de retomar a cadeira.

Os democratas também consolidaram posições em disputas estratégicas. Na Carolina do Norte, já haviam virado uma cadeira no Senado, e mantiveram assentos competitivos em estados como New Hampshire e Geórgia, onde a legenda vinha enfrentando campanhas agressivas de adversários republicanos.

Trump reconhece derrota e acena com vetos

Diante do novo quadro, Donald Trump reconheceu publicamente a derrota de seu partido e disse que está disposto a negociar com os democratas, ainda que tenha prometido recorrer com frequência ao veto presidencial para barrar projetos que contrariem sua agenda.

“Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, afirmou o presidente em entrevista a um jornal americano. Em seguida, tentou sinalizar abertura ao diálogo: “Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento”, disse Trump.

Ao mesmo tempo, o presidente deixou claro que pretende usar todo o poder que ainda tem nas mãos para conter iniciativas da nova maioria. “Acho que vou me tornar o Sr. Veto”, declarou. E detalhou como enxerga o embate futuro com o Congresso controlado pelos democratas: “Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo”.

Antes de admitir a derrota, Trump havia colocado em dúvida se aceitaria o resultado em caso de revés, dizendo que só reconheceria a votação se considerasse que as eleições foram “limpas”. Ele também entrou de cabeça em campanhas-chave, como as de Ken Paxton no Texas e Darline Graham na Carolina do Sul, que acabaram derrotados.

Entenda o contexto

As eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms, acontecem na metade do período presidencial e renovam toda a Câmara dos Deputados e parte do Senado. Todos os 435 assentos da Câmara foram colocados em disputa, além de 35 das 100 cadeiras do Senado.

Na prática, o controle democrata sobre as duas Casas deve dificultar a aprovação de pautas centrais do governo republicano, sobretudo nas áreas econômica e de costumes, e abrir espaço para projetos ligados a políticas sociais, ambientais e de direitos civis, bandeiras tradicionais da oposição.

Com um Congresso mais hostil, Trump tende a enfrentar maior fiscalização, com possibilidade de investigações e convocações de aliados pelo Legislativo. Ao mesmo tempo, democratas precisarão calibrar sua atuação entre pressionar a Casa Branca e construir pontes com republicanos moderados, para transformar a nova maioria em vitórias legislativas concretas.

A virada em estados como Texas, Carolina do Sul, Ohio, Geórgia, Carolina do Norte e New Hampshire indica uma mudança no perfil do eleitorado em regiões conservadoras e alimenta as ambições democratas para as próximas disputas presidenciais e legislativas.

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