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Inteligência Artificial

MPMS reduz 87% esforço em contratos de R$ 24 mi com IA

Ferramenta de inteligência artificial Luppa reduz em 87,5% o esforço para fiscalizar contratos de R$ 24 milhões por ano no MPMS e disputa o Prêmio CNMP 2026.

MPMS reduz 87% esforço em contratos de R$ 24 mi com IA

Inteligência Artificial

MPMS utiliza tecnologia para otimizar fiscalização de contratos milionários, aumentando eficiência e reduzindo esforços.

Leia também: Grupo usa IA para atacar 40 bancos no Brasil e roubar dados

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) implantou a ferramenta de inteligência artificial Luppa para fiscalizar contratos que movimentam cerca de R$ 24 milhões por ano, reduzindo de quatro para um o número de servidores diretamente envolvidos na conferência e cortando em 87,5% o esforço operacional, segundo balanço divulgado pelo órgão.

IA assume triagem de contratos no MPMS

Antes da adoção do sistema, a análise de documentos, planilhas e relatórios ligados às contratações consumia o trabalho de quatro servidores ao longo de 20 dias. Com o Luppa, a mesma tarefa passou a ser feita por um único funcionário em dez dias, com apoio da automação para triagem e cruzamento de dados.

Batizado de Luppa, o sistema foi desenvolvido internamente pela Secretaria de Tecnologia da Informação (STI) e pela Secretaria de Administração (Sead) do MPMS. O objetivo é automatizar a etapa mais repetitiva da fiscalização, liberando tempo dos fiscais e gestores para a análise qualitativa das suspeitas apontadas pela inteligência artificial.

De acordo com o Ministério Público, a ferramenta lê os documentos, extrai informações relevantes e cruza dados para localizar inconsistências, possíveis irregularidades e cobranças que precisam ser verificadas pelos responsáveis pelos contratos. “O sistema reduziu em 87,5% o esforço operacional empregado na conferência dos contratos”, aponta o balanço do MPMS.

Além da triagem, o Luppa registra todo o histórico de análises realizadas, o que permite acompanhar o andamento dos procedimentos, consultar verificações anteriores e reforçar a rastreabilidade das decisões administrativas. A expectativa é de que a automação reduza falhas humanas na conferência e aumente o controle sobre cobranças indevidas.

Entenda o contexto

A implantação da ferramenta de IA representa uma mudança de rotina na gestão de contratos do MPMS. Processos que consumiam grande volume de trabalho manual passam a ser conduzidos com o apoio do sistema, enquanto os servidores se concentram em avaliar os alertas, cobrar esclarecimentos de empresas e decidir sobre eventuais glosas ou correções.

Na prática, o órgão busca ganhar eficiência sem ampliar a equipe, realocando a mão de obra para etapas de análise crítica e de tomada de decisão. Setores ligados à administração e ao controle interno tendem a ser os primeiros beneficiados pela nova rotina digitalizada.

Por outro lado, a mudança exige adaptação de servidores aos novos fluxos e à convivência diária com a ferramenta, bem como ajustes internos para integrar o Luppa de forma estável aos sistemas e procedimentos do MPMS.

Ferramenta disputa prêmio nacional

A iniciativa foi selecionada entre os finalistas do Prêmio CNMP 2026, que reconhece projetos inovadores desenvolvidos por unidades do Ministério Público em todo o país. O resultado será anunciado em 11 de novembro, em cerimônia na sede do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), em Brasília.

A visibilidade nacional deve ampliar o interesse de outros ramos do Ministério Público e de órgãos públicos na adoção de soluções semelhantes para modernizar a fiscalização de contratos. A tendência é que o MPMS, por meio da STI e da Sead, siga aperfeiçoando o Luppa e ampliando seu uso interno.

Até o momento, o órgão não divulgou quantas irregularidades já foram detectadas nem valores efetivamente economizados ou recuperados com o auxílio da ferramenta. A transparência sobre esses resultados concretos deve ser um dos pontos acompanhados por órgãos de controle e pela sociedade civil à medida que o uso da inteligência artificial se consolida na administração pública.