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Inteligência Artificial

55% dos consumidores abandonam marcas que ignoram IA em 2026

Levantamento com 1.121 consumidores e 365 profissionais no Brasil mostra que assistentes de IA já decidem compras, forçam mudança nas estratégias de marketing e reduzem peso de anúncios pagos.

55% dos consumidores abandonam marcas que ignoram IA em 2026

Inteligência Artificial

Pesquisa revela impacto crescente da IA nas decisões de compra e estratégias de marketing até 2026.

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Assistentes de inteligência artificial já pesam tanto na vitrine online que 55% dos consumidores brasileiros deixaram de comprar de uma marca simplesmente porque ela não apareceu entre as recomendações dessas ferramentas, mostra uma pesquisa realizada nesta semana pela Conversion em parceria com o Opinion Box.

Como a inteligência artificial está influenciando a decisão de compra dos consumidores?

A inteligência artificial já é decisiva para a escolha de produtos e serviços de grande parte dos brasileiros conectados. Entre os 1.121 consumidores que usam assistentes de IA e foram ouvidos no estudo, 79% afirmam que “a tecnologia foi decisiva para resolver dúvidas sobre o que comprar” ao pedir recomendações.

O impacto não se limita a tirar dúvidas: 69% dos entrevistados dizem que já mudaram de opinião sobre uma marca ou produto após uma indicação feita pela IA. Ou seja, além de ajudar a decidir entre opções, os sistemas conseguem reverter percepções prévias — positivas ou negativas — sobre empresas e itens.

Essa dependência tende a se aprofundar. Entre quem já recorre à IA para recomendações, 76% esperam usar essas ferramentas mais ou muito mais nos próximos 12 meses para pesquisar produtos e serviços, e 74% acreditam que, no futuro, a maioria das pessoas fará compras com o auxílio da tecnologia.

A busca mediada por IA também muda a forma de navegar na internet. As respostas-resumo geradas diretamente na página de resultados do Google já foram vistas por 89% dos entrevistados. Para 28% deles, esses textos são suficientes, em parte das situações, para encerrar a pesquisa, sem clicar em outros links.

Mesmo assim, a trajetória até a compra ainda combina IA e fontes tradicionais. Depois de ler o resumo gerado automaticamente, uma parcela continua consultando sites, aprofunda a conversa com a própria ferramenta ou acessa as fontes citadas. No balanço geral, 80% avaliam positivamente esse recurso, e 66% dizem confiar ao menos parcialmente nas informações apresentadas.

A confiança, porém, vem acompanhada de cautela. Quando uma marca desconhecida aparece entre as recomendações, 83% dos consumidores afirmam que procuram outras informações antes de decidir pela compra. Nessa checagem, 59% recorrem ao Google, 46% visitam o Reclame Aqui e 42% acessam o site oficial da empresa.

As respostas de IA já disputam espaço com canais tradicionais de influência. As recomendações das ferramentas são fonte de confiança para uma fatia relevante dos consumidores, em nível próximo ao de amigos e familiares e avaliações de outros clientes, e superando, segundo a pesquisa, o peso de vídeos e conteúdos produzidos pelas próprias marcas e de influenciadores.

Entenda o contexto

A pesquisa “Jornada de compra na era da IA” ouviu, além dos consumidores, 365 profissionais que utilizam inteligência artificial em suas rotinas de trabalho, em áreas como marketing, tecnologia e gestão. O objetivo foi mapear como as ferramentas generativas estão sendo incorporadas à jornada de compra e às estratégias de visibilidade das empresas.

Os resultados indicam um mercado em transição: o consumidor passa a conversar com a IA para descobrir, comparar e validar produtos, enquanto as empresas correm para ajustar sites, dados e linguagem para aparecer nessas respostas automatizadas.

IA gera confiança, mas também medo de golpes

O estudo mostra que os brasileiros se sentem, em geral, bem atendidos pela tecnologia, mas não ignoram riscos. A avaliação dos resumos gerados por IA no Google é positiva para 80% dos entrevistados, e 66% dizem confiar pelo menos em parte nas informações.

Ao mesmo tempo, 39% dos consumidores declaram temer que a IA indique sites falsos ou golpistas. Entre outros receios, aparecem resultados pouco confiáveis e informações incorretas. Na prática, a IA ganha espaço como conselheira de compras, mas ainda precisa de validação humana e de sinais de reputação para fechar a decisão.

Empresas aceleram adaptação aos mecanismos generativos

Do lado das empresas, o recado dos profissionais é que a forma de ser encontrado na internet está mudando rápido. Para 61% dos 365 entrevistados, a maioria das pessoas passará a fazer perguntas diretamente aos assistentes de IA, em vez de usar buscadores tradicionais ou navegar por sites. Só 2% acreditam que o hábito de clicar em links nos resultados clássicos será mantido.

Nesse cenário, ganha força a chamada otimização para mecanismos generativos, ou GEO, uma espécie de “novo SEO” voltado a treinar conteúdos e dados para serem compreendidos e citados pela IA. Segundo o levantamento, 56% dos profissionais apontam “a adaptação de sites e dados para que suas empresas sejam recomendadas pelas ferramentas como principal estratégia”.

Enquanto isso, estratégias tradicionais perdem espaço relativo. Apenas 3% dos profissionais ouvidos pretendem reforçar investimentos em anúncios pagos como ferramenta prioritária de visibilidade, o que indica uma migração do foco do clique para a presença nas respostas geradas automaticamente.

Apesar das dúvidas quanto à confiabilidade total dos sistemas, a aposta corporativa é clara: 77% dos profissionais esperam ampliar os gastos com ferramentas e treinamentos de inteligência artificial nos próximos dois anos. A percepção é de que, sem dominar essas tecnologias, marcas tendem a desaparecer das recomendações e, consequentemente, das escolhas de compra.

Publicidade em conversas com IA enfrenta resistência

O avanço das respostas automatizadas abre espaço para novos formatos publicitários, mas o público ainda resiste. Entre os consumidores ouvidos, 41% dizem não gostar da ideia de receber anúncios dentro das próprias conversas com assistentes de IA.

Entre quem aceita algum nível de publicidade nesse ambiente, a tolerância depende de como ela aparece. Relevância da oferta e frequência de exibição surgem como critérios centrais para não gerar rejeição. O desafio para o marketing digital, apontado pelos dados, é conciliar a automação das recomendações com transparência e respeito à experiência do usuário.

Enquanto reguladores ainda discutem como lidar com recomendações automatizadas e responsabilidade sobre erros ou golpes, empresas de varejo, e-commerce, serviços digitais e marketing já se movem para ocupar o topo das respostas dadas pela IA — um espaço que, para boa parte dos consumidores, vale mais do que o primeiro link azul.