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Inteligência Artificial

Investidores exigem resultados maiores e derrubam ações de IA

Com inflação alta e juros elevados nos EUA, investidores exigem crescimento quase perfeito das empresas de IA. Até resultados acima do esperado têm levado a quedas fortes nas ações.

Investidores exigem resultados maiores e derrubam ações de IA

Mercado Financeiro

Alta inflação e juros nos EUA pressionam investidores a buscar crescimento excepcional em empresas de IA.

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Investidores globais estão exigindo resultados cada vez maiores das empresas de inteligência artificial, o que tem derrubado ações de gigantes do setor nos Estados Unidos mesmo após balanços considerados positivos e acima do esperado.

Por que investidores estão exigindo resultados maiores das empresas de IA?

A pressão aumentou porque a inteligência artificial virou, na prática, a principal tese de investimento em tecnologia hoje, num cenário em que há poucas alternativas com potencial semelhante de retorno e um ambiente macroeconômico mais duro.

Com inflação americana em 3,6% — bem acima da meta de 2% do banco central dos EUA — e juros entre 3,75% e 4%, o custo do dinheiro está mais alto e os investidores querem ser compensados com lucros crescentes e rápidos. Nesse contexto, as empresas de IA e fabricantes de chips são vistas como as responsáveis por entregar esse ganho extra.

A economista Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos e apresentadora do programa Resenha do Dinheiro, avalia que o mercado elevou demais a régua de exigência para o setor. “O que o mercado está mostrando para a gente é que a régua para você continuar valorizando essas ações está muito alta”, afirma.

Na prática, mesmo números fortes já não bastam: o mercado passa a olhar não só o resultado atual, mas a velocidade de crescimento e qualquer sinal de desaceleração futura. Se a empresa não surpreende de forma quase perfeita, a reação é de correção nos preços.

Quais empresas de IA estão sob maior pressão para apresentar resultados financeiros?

As maiores cobranças recaem sobre as companhias diretamente ligadas à infraestrutura da IA, sobretudo as fabricantes de chips e de hardware de alto desempenho, que concentram boa parte da empolgação recente dos investidores.

No fim de outubro, algumas das principais ações do setor sofreram ajustes relevantes. A Nvidia, referência em chips usados para treinar modelos de IA, recuou 2,52%. A Intel, também peça central na cadeia de semicondutores, despencou 28,58% em um único pregão, no pior dia da empresa em décadas. A Marvell, outra fabricante de chips, caiu 5,08% no mesmo período.

Esses movimentos mostram que, mesmo em companhias vistas como vencedoras da corrida da IA, qualquer frustração em projeções, margens ou perspectivas de crescimento basta para acionar vendas em massa.

Entenda o contexto

O pano de fundo é um mercado “anestesiado” pela tese da inteligência artificial, nas palavras de Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e comentarista do Resenha do Dinheiro. Segundo ele, a tecnologia virou o grande chamariz para o dinheiro global, o que criou uma demanda constante por crescimento acelerado das receitas e dos lucros das empresas ligadas ao tema.

“Essa é uma necessidade sem fim, porque se você não tem outras teses relevantes de investimentos e você precisa de um crescimento cada vez maior das ações e das empresas (…) uma hora a conta chega”, alerta Pascowitch.

Ao mesmo tempo, o quadro macroeconômico dos Estados Unidos é contraditório: há crescimento do PIB e desemprego baixo, mas a inflação de 3,6% e o custo de vida elevado pesam no bolso da população e mantêm a pressão por juros altos. Esse ambiente torna mais caro financiar expansão, pesquisa e desenvolvimento, justamente os pilares das empresas de IA.

O resultado é um círculo de pressão: investidores exigem crescimento cada vez maior, num contexto em que o dinheiro está mais caro e os custos sobem. Empresas precisam entregar inovação e eficiência ao mesmo tempo, sob o risco de ver suas ações punidas com força a cada divulgação de resultados.

Além dos grandes nomes de chips e big techs, toda a cadeia ligada à IA — de fornecedores de componentes a companhias de serviços baseados em algoritmos — sente os efeitos da volatilidade. A tendência, avaliam analistas, é de um período prolongado de oscilações fortes, ajustes de rota nas estratégias corporativas e uma espécie de “seleção natural” no setor, em que apenas as empresas mais robustas e disciplinadas financeiramente devem atravessar o ciclo com folga.

Essas discussões têm sido tema recorrente no Resenha do Dinheiro, apresentado por Marília Fontes, Bernardo Pascowitch e Thiago Godoy, o Papai Financeiro, que buscam traduzir em linguagem simples como a alta exigência do mercado com a IA impacta tanto os grandes nomes da tecnologia quanto o investidor pessoa física.