Lula promete transformar Brasil em líder mundial em IA em 4 anos
Em live após a reeleição, Lula anuncia prioridade para economia digital, IA e economia criativa, vincula plano de R$ 23 bi à formação de jovens e diz que Brasil será referência global no setor.

Inteligência Artificial
Lula destaca investimento em jovens e tecnologia para colocar o Brasil na vanguarda da inovação digital.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que a economia digital, a inteligência artificial e a economia criativa serão prioridades centrais de seu novo mandato, com uso massivo de universidades e institutos federais para formar milhares de jovens especialistas e transformar o Brasil em referência mundial na área.
Lula fala em Brasil “bambambam” em IA em quatro anos
O anúncio foi feito na noite de quinta-feira, durante a “Live da Vitória”, transmissão on-line realizada para celebrar a reeleição do presidente, com participação do deputado federal André Janones e da ministra da Cultura, Margareth Menezes. Ao responder à pergunta de uma internauta identificada como Rosane, sobre o uso de inteligência artificial para apoiar professores da rede pública, Lula disse que o tema entrou no topo da agenda do governo.
“Uma das coisas que tem me motivado muito e nós colocamos como prioridade é que nós vamos fazer forte investimento na chamada economia digital, depois na economia criativa e na economia verde”, afirmou o presidente.
Lula reforçou que o plano passa, sobretudo, pela rede pública de ensino superior e técnico. “E na digital o objetivo é, nos nossos institutos federais, nas nossas universidades, colocar milhares de meninas e meninos para fazer tudo que for curso para que a gente vire especialista e, mais importante do que os chineses ou os americanos na questão da inteligência artificial”, afirmou.
Segundo o presidente, o governo trabalha com um horizonte de quatro anos para uma virada no setor. “Pode ficar certo que nós vamos fazer. Você vai ver como é que vai estar esse país daqui a quatro anos com inteligência artificial. O Brasil vai se tornar um país bambambam em inteligência artificial. Fique certa disso, querida”, disse, dirigindo-se a Rosane.
Plano de R$ 23 bilhões e aposta na autonomia tecnológica
As declarações de Lula se encaixam no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028, coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O programa prevê cerca de R$ 23 bilhões em investimentos em infraestrutura tecnológica, pesquisa, formação de profissionais e desenvolvimento de soluções em inteligência artificial para serviços públicos e empresas.
Entre as iniciativas previstas estão a implantação de um supercomputador nacional, a criação e aprimoramento de ferramentas brasileiras de IA e programas de capacitação para reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras. A estratégia mira áreas como educação, saúde, indústria e gestão pública, com uso de algoritmos para melhorar atendimento, produtividade e tomada de decisão.
Na prática, o reforço orçamentário e o uso da estrutura de universidades e institutos federais devem abrir milhares de vagas em cursos de tecnologia avançada, especializações e projetos de pesquisa aplicada. A expectativa no Planalto é formar uma massa crítica de profissionais capaz de desenvolver soluções próprias, alimentar startups de base tecnológica e disputar espaço com grandes empresas globais.
Durante a transmissão, Lula não detalhou o volume adicional de recursos que será destinado especificamente à economia digital dentro do PBIA, nem apresentou cronogramas de novos cursos ou de implantação de ferramentas voltadas diretamente às escolas públicas. Ele insistiu, porém, na mensagem de que o país não pode seguir como consumidor passivo de tecnologia produzida no exterior.
Entenda o contexto
O reforço à inteligência artificial e à economia digital é apresentado pelo governo como parte de uma mudança estratégica da matriz de desenvolvimento brasileira, com foco em inovação, serviços de alta complexidade e integração entre setor produtivo e sistema de ciência e tecnologia. A meta é gerar empregos de maior qualificação, ampliar a renda e inserir o país em cadeias globais de valor ligadas à tecnologia.
Especialistas ouvidos pelo governo apontam que, sem formação acelerada de profissionais e investimentos robustos em pesquisa, o Brasil tende a se manter dependente de plataformas estrangeiras, pagando royalties e exportando dados. Ao mesmo tempo, há preocupação com a adaptação de setores tradicionais, que precisarão investir em digitalização e capacitação para não perder competitividade.
No campo da educação, a demanda apresentada por Rosane reflete um debate crescente: o uso de IA para apoiar docentes, identificar dificuldades de aprendizagem, personalizar conteúdos e reduzir desigualdades entre redes de ensino. Integrantes da área técnica do governo defendem que essas soluções sejam desenvolvidas com forte participação da rede pública, para evitar concentração de dados em grandes empresas privadas.
Economia criativa entra no centro da estratégia
Além da tecnologia dura, Lula dedicou parte da fala à economia criativa, ressaltando o papel da cultura e das indústrias criativas na geração de empregos e renda em comunidades pelo país. Ele contou ter conversado sobre o tema com a ministra da Cultura, Margareth Menezes, que participou da live.
“A economia criativa vai ganhar uma dimensão muito grande no nosso governo. Eu tenho dimensão da capacidade de geração de empregos, da capacidade de geração de renda”, afirmou o presidente.
A ideia é que o impulso à economia digital se conecte à cultura, ao audiovisual, aos games, à música e a outras áreas criativas, abrindo espaço para empreendedores digitais, produtores culturais e artistas, especialmente jovens. Ferramentas de inteligência artificial, nesse desenho, seriam usadas tanto na criação de conteúdo quanto na gestão de negócios, distribuição e acesso a públicos diversos.
Integrantes do governo argumentam que a combinação entre IA, economia digital, economia criativa e transição verde pode reposicionar o Brasil na economia global. O desafio agora é tirar o plano do papel: detalhar cronogramas, amarrar parcerias com universidades e setor privado, liberar os recursos previstos no PBIA e acompanhar de perto os resultados ao longo dos próximos quatro anos.
