Investidores descartam IA e apostam R$ trilhões em cibersegurança
Na cúpula em Hong Kong, gestores globais se dividem entre temor de bolha e projeções trilionárias para a IA. Cibersegurança ganha força e Empiricus anuncia evento online.

Inteligência Artificial
Gestores globais priorizam investimentos em segurança digital diante de incertezas sobre o futuro da IA.
Leia também: Brasil cria Redata e pode atrair R$ 10 bi em IA até 2030
Gestores de gigantes como Bain Capital, Capital Group, Oaktree, Pimco, Morgan Stanley, Goldman Sachs e Brookfield saem da Cúpula de Investimento em Hong Kong sem consenso sobre o futuro da inteligência artificial, mas com um ponto em comum: a próxima fronteira de oportunidades pode estar longe das estrelas já consagradas da tecnologia — com a cibersegurança despontando como protagonista e alvo de um evento online da Empiricus na segunda-feira (9).
Líderes veem risco de bolha, mas projetam trilhões em IA
Durante o encontro, realizado em 3 de novembro, a liderança da Bain Capital soou o alerta ao dizer que há “bolhas que vão estourar” e que as avaliações das empresas de tecnologia ligadas à inteligência artificial estão muito altas. A Capital Group reforçou a percepção de cautela ao apontar um descompasso entre o discurso das companhias de IA e o ritmo real de adoção das suas soluções.
Na mesma linha, a Oaktree Capital classificou o segmento como uma “oportunidade de investimento superlotada”, sugerindo que muitos investidores chegaram ao mesmo tempo ao mesmo tipo de ativo. A Pimco, por sua vez, chamou atenção para riscos macroeconômicos que, na avaliação da gestora, seguem subestimados: juros elevados nos Estados Unidos, tensões no Oriente Médio e possíveis turbulências na zona do euro.
Do outro lado do ringue, casas como Morgan Stanley e Goldman Sachs defendem que, mesmo com ruídos, o ciclo de investimentos em IA está longe do fim. O Morgan Stanley projeta que os gastos de capital com a tecnologia podem atingir entre US$ 10 trilhões e US$ 15 trilhões nos próximos anos. No Goldman, a leitura é de que haverá “solavancos no caminho”, mas que o mercado precisa aprender a lidar com eles.
A Brookfield foi além e descreveu o momento como “oportunidade de uma vida para quem estiver do lado certo”, deixando claro que, para os mais otimistas, a questão central não é se a IA vai transformar a economia, mas quais empresas conseguirão capturar essa transformação.
Entenda o contexto
O debate em Hong Kong reflete uma divisão que já vinha se desenhando entre grandes investidores globais. De um lado, quem teme que o entusiasmo com a inteligência artificial esteja empurrando as ações para níveis difíceis de justificar com lucros e fluxo de caixa. De outro, quem vê a tecnologia como um movimento estrutural, comparável a grandes revoluções anteriores, e considera naturais as oscilações de curto prazo.
Na prática, a divergência se traduz em estratégias opostas. Há gestores reduzindo exposição a nomes mais óbvios e caros da IA, em busca de proteção diante de uma possível correção das chamadas “queridinhas” de tecnologia. Outros ampliam o risco e enxergam qualquer queda como oportunidade de compra em um ciclo que, na visão deles, ainda está no início.
Em meio a esse embate, cresce a percepção de que a segunda onda da inteligência artificial pode favorecer segmentos menos badalados, mas essenciais para manter essa revolução de pé — como a segurança digital.
Cibersegurança ganha tração como próxima onda
Conforme empresas de praticamente todos os setores passam a usar ferramentas de IA para automatizar processos, analisar dados e atender clientes, também aumenta a superfície de ataque para criminosos digitais. Sistemas mais conectados, com mais dados sensíveis circulando, se tornam alvos mais atrativos, em especial quando próprios invasores passam a usar inteligência artificial para sofisticar golpes e invasões.
O Relatório do Custo das Violações de Dados 2026, da IBM, aponta que ataques impulsionados por IA têm remodelado a economia, elevando perdas diretas com fraudes, indisponibilidade de serviços e danos reputacionais. A conclusão central é que a conta da falta de proteção está ficando mais alta a cada incidente, o que pressiona companhias a investir mais em segurança.
Analistas da Empiricus enxergam nesse movimento uma “mina de ouro” em formação. Na avaliação da casa, se a primeira onda da IA concentrou ganhos em fabricantes de chips, provedores de infraestrutura e gigantes de tecnologia, a fase que se abre agora tende a favorecer empresas que fornecem as ferramentas necessárias para proteger essa nova infraestrutura digital — de softwares de defesa a soluções de monitoramento e resposta a incidentes.
Essa leitura também impacta a alocação de recursos dos grandes gestores globais. Em vez de concentrar apostas apenas nas empresas mais faladas de IA, cresce o interesse em negócios de cibersegurança, data centers, redes e serviços de nuvem, que garantem a base e a proteção para que a inteligência artificial seja adotada em larga escala.
Evento da Empiricus mira ações ligadas à IA e cibersegurança
De olho nesse rearranjo de oportunidades, a Empiricus promove na próxima segunda-feira (9) o IA Tech, evento online e gratuito voltado a investidores que querem participar da nova fase da inteligência artificial, mas temem ter perdido a primeira onda de valorização do setor.
No encontro, o estrategista de macroeconomia Matheus Spiess e o especialista em ativos digitais Luis Kuniyoshi vão apresentar três ações ligadas à revolução da IA que, na visão deles, podem dobrar de valor nos próximos meses. Além dessas apostas, a dupla promete detalhar uma tese considerada assimétrica, com potencial de multiplicação de até 42 vezes em 12 meses.
A proposta é apontar empresas que possam se beneficiar diretamente da expansão da inteligência artificial e da crescente demanda por cibersegurança, especialmente em um momento em que grandes casas internacionais ainda divergem sobre o quão longe vai o ciclo atual de tecnologia. Ao mesmo tempo, o evento busca oferecer mais informação para que o investidor pessoa física consiga filtrar riscos de bolha e identificar oportunidades reais dentro desse universo.
As inscrições para o IA Tech são gratuitas e a transmissão será online, permitindo que interessados acompanhem as análises de qualquer lugar do país.


