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Inteligência Artificial

Web Summit 2026 terá 12 robôs humanoides palestrantes em Lisboa

Web Summit 2026 começa na segunda (9), em Lisboa, com 12 robôs humanoides no palco e foco na nova fase da inteligência artificial, que passa a executar tarefas no mundo real.

Web Summit 2026 terá 12 robôs humanoides palestrantes em Lisboa

Inteligência Artificial

Evento em Lisboa destaca avanços com robôs humanoides atuando em tarefas reais durante a conferência.

Leia também: Brasil cria Redata e pode atrair R$ 10 bi em IA até 2030

O Web Summit 2026, que começa na próxima segunda-feira (9) em Lisboa, vai levar robôs humanoides para o centro do palco e dos debates sobre tecnologia, com uma apresentação de 12 máquinas e discussões sobre uma inteligência artificial que deixa de apenas responder perguntas para executar tarefas no mundo real.

Robôs no palco e IA que começa a trabalhar

Empresas chinesas de robótica, como AgiBot e Galbot, vão exibir seus humanoides lado a lado com palestrantes humanos, em uma cena que até pouco tempo parecia ficção científica. A demonstração com 12 robôs deve mostrar como essas máquinas podem atuar diretamente no mercado de trabalho, em funções hoje ocupadas por pessoas.

A proposta é evidenciar a transição da inteligência artificial de uma presença limitada às telas, escrevendo textos, criando imagens ou respondendo a comandos, para um papel ativo em fábricas, escritórios, lojas e centros de desenvolvimento tecnológico. Em vez de apenas sugerir o que fazer, os sistemas começam a operar equipamentos, executar processos e até participar da criação de novas ferramentas.

Essa virada acontece num momento em que grandes empresas e investidores cobram resultados concretos depois do entusiasmo inicial com os modelos generativos. O foco da semana será menos o impacto da conversa com as máquinas e mais o que elas efetivamente entregam em termos de produtividade, redução de custos e novos negócios.

‘Smarter models, disappointing results’

Um dos painéis mais esperados traz no título a provocação que domina o setor: “The AI paradox: Smarter models, disappointing results”. A discussão parte do contraste entre a sofisticação dos algoritmos e a frustração de executivos que ainda veem pouca mudança prática na rotina das empresas.

Outro eixo de debate será a inteligência artificial aplicada ao próprio desenvolvimento de tecnologia. Em vez de apenas apoiar engenheiros e programadores, novos sistemas começam a ajudar a projetar produtos, escrever trechos de código e testar soluções, acelerando o ciclo de inovação. A pergunta é até que ponto essa automação vai redesenhar a forma como companhias criam e lançam serviços.

China ganha espaço na disputa tecnológica

A participação de AgiBot, Galbot e outras empresas da China no palco principal reforça um movimento mais amplo: o avanço do país em áreas como robótica, IA e computação. A presença chinesa no Web Summit 2026 sinaliza uma disputa cada vez mais equilibrada com o tradicional polo de inovação do Vale do Silício.

Ao exibir robôs humanoides já prontos para aplicações comerciais, as companhias chinesas tentam mostrar que estão à frente não apenas na pesquisa, mas na entrega de soluções integradas, em que software e máquina trabalham juntos. Esse protagonismo amplia a pressão sobre concorrentes de outros mercados a acelerar seus planos de automação avançada.

Entenda o contexto

A escolha do Web Summit 2026 por colocar robôs como palestrantes vai além da curiosidade. Para especialistas, ela marca uma fronteira simbólica: a passagem da era em que o grande feito da IA era conversar com o usuário para uma fase em que o importante é a capacidade de agir.

Essa mudança tem efeitos diretos sobre o mercado de trabalho. Setores baseados em tarefas repetitivas ou de baixa complexidade podem ver uma substituição mais rápida de funções por robôs físicos e sistemas inteligentes. Ao mesmo tempo, cresce a demanda por profissionais capazes de desenhar, supervisionar e integrar essas tecnologias aos processos de negócios.

No Brasil, a tendência aponta para uma reorganização de processos produtivos e de inovação, pressionando empresas a investir em automação mais sofisticada para manter competitividade internacional. A adoção, porém, deve depender de fatores como custo, regulação, infraestrutura e qualificação de mão de obra.

Debate sobre futuro do trabalho e papel humano

Ao longo da semana em Lisboa, empreendedores, investidores e executivos devem confrontar tanto o entusiasmo quanto o ceticismo com a nova fase da IA. Um ponto central será separar demonstrações impressionantes de aplicações que de fato podem ser incorporadas ao dia a dia das empresas.

O CEO e cofundador da plataforma brasileira Share, que acompanha o evento, resume a inquietação que leva para Portugal: “A pergunta que levo para Lisboa não é se os robôs vão substituir os palestrantes. Essa é a parte divertida da história. A questão realmente importante é o que acontece quando tecnologias que antes apenas respondiam começam também a trabalhar.”

A combinação de robôs humanoides no palco, debates sobre resultados concretos da IA e o avanço das empresas chinesas indica que o Web Summit 2026 deve funcionar como um termômetro da próxima etapa da revolução tecnológica — aquela em que as máquinas deixam de apenas conversar sobre o futuro e passam a construir, literalmente, parte dele.