Flávio Bolsonaro contesta eleição 2026 e anuncia ação contra Lula
De Miami, Flávio Bolsonaro voltou a questionar a legitimidade da eleição presidencial de 2026, anunciou pedido de cassação da chapa Lula/Alckmin e disse que seguirá senador mesmo morando nos EUA.

Política
Flávio Bolsonaro questiona resultados da eleição de 2026 e promete ação judicial contra a chapa Lula/Alckmin.
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De Miami, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou em entrevista exclusiva que nem ele nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguem dizer “com 100% de certeza” quem venceu a eleição presidencial de 2026, anunciou que o PL vai pedir a cassação da chapa Lula/Alckmin por abuso de poder econômico e disse que pretende manter seu mandato de senador mesmo vivendo nos Estados Unidos.
Flávio questiona eleição e anuncia ação contra Lula/Alckmin
A conversa ocorreu na tarde de quinta-feira (5), em um espaço de coworking em Miami, acompanhada pelo comentarista político Paulo Figueiredo. No relato do senador, o sistema eleitoral brasileiro não permitiria apurações independentes sobre o resultado do pleito. “Nem eu nem Lula podemos afirmar, com 100% de certeza, quem foi eleito presidente do Brasil”, declarou.
Flávio disse que o PL prepara um pedido de cassação da chapa Lula/Alckmin ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob a alegação de abuso de poder econômico. Ele citou como exemplos políticas sociais adotadas ou ampliadas durante a campanha, como o aumento do Bolsa Família, o programa Pé-de-Meia Universitário e o repasse de um Pix de R$ 5.000 para microempreendedores individuais (MEIs), que, segundo ele, teriam desequilibrado a disputa.
O senador insistiu, porém, que não dispõe de provas formais de fraude. Argumentou que o tema seria “proibido” de ser investigado e levantou suspeitas sobre a atuação da área técnica da Justiça Eleitoral, sem apresentar evidências concretas.
TSE reage e reforça segurança do sistema
As declarações do parlamentar confrontam diretamente a posição do TSE. O presidente da corte, ministro Kassio Nunes Marques, tem reafirmado a integridade da votação e descartado qualquer irregularidade que comprometa o resultado. “Tenho absoluta segurança do processo eleitoral”, disse o magistrado, em resposta às suspeitas levantadas por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio sustenta que o tribunal estaria “dominado” pelo governo Lula, assim como a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Na visão dele, o Brasil “não vive uma democracia plena”. “O Brasil não vive uma democracia plena, porque não há liberdade de manifestação. Está tudo dominado pelo governo, inclusive o TSE”, afirmou.
Por que Flávio Bolsonaro diz que saiu do Brasil?
Ao explicar por que deixou o país, o senador vinculou a decisão a críticas diretas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, em especial, ao ministro Alexandre de Moraes. “Saí do país para não legitimar processo ditatorial comandado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes”, declarou.
Ele afirma temer perseguição a pessoas de seu círculo e se recusa a detalhar o chamado “plano de fuga” ou quem o ajudou a chegar aos Estados Unidos. “Qualquer pessoa do meu entorno vai ser perseguida”, disse, sem apresentar nomes ou situações concretas. Flávio é alvo de investigações no Brasil, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas em parceria com o advogado Willer Tomaz.
Na entrevista, o senador disse viver de reservas acumuladas ao longo da carreira. “Sou parlamentar desde os 21 anos, empresário e advogado. Minha principal renda vem da advocacia”, afirmou, admitindo que deverá trabalhar nos Estados Unidos para manter a família, mas sem detalhar planos profissionais.
Mandato no exterior e embate com instituições
Mesmo fora do país, Flávio descartou renunciar ao cargo. “De forma alguma vou abrir mão do resto do meu mandato como senador”, disse. Ele afirmou que pretende participar das sessões do Senado de forma virtual “sempre que houver a possibilidade”, apostando em modelos de votação a distância que foram ampliados na pandemia.
O senador retomou o tom mais radical associado ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Defendeu a implantação do voto impresso, acusou o governo Lula de seguir um “projeto comunista” e voltou a ecoar teorias conspiratórias sobre o processo eleitoral e os protestos que culminaram nos atos golpistas em Brasília.
As críticas atingem principalmente o STF, o TSE e órgãos de investigação. Flávio afirma que essas instituições estariam “aparelhadas” pelo governo federal, o que, na avaliação de ministros e integrantes do Judiciário, é uma tentativa de deslegitimar decisões judiciais em curso contra o ex-presidente e seus aliados.
Flávio pode ser candidato a presidente?
Na entrevista, o senador tratou também do futuro eleitoral da direita. Ele condicionou sua própria eventual candidatura ao cenário jurídico de Jair Bolsonaro, hoje inelegível. “Se Jair Bolsonaro retomar seus direitos políticos, será ele o candidato do PL; caso contrário, pretendo concorrer, se o partido concordar”, afirmou.
Flávio comentou ainda a movimentação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que já admitiu publicamente a disposição de disputar o Planalto em 2030. “Todo mundo tem o direito de se colocar como candidato”, disse, evitando confronto direto com o aliado, mas deixando claro que pretende se manter no centro do tabuleiro se o pai permanecer impedido.
Entenda o contexto
A entrevista em Miami é a primeira manifestação de fôlego de Flávio Bolsonaro a um veículo brasileiro desde que deixou o país. O movimento ocorre em meio à ofensiva jurídica do entorno bolsonarista contra o resultado da eleição de 2026 e à tentativa de construção de uma nova liderança na direita, diante da incerteza sobre o futuro político de Jair Bolsonaro.
No mesmo dia da entrevista, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, participava de um evento conservador em Mar-a-Lago, reduto do ex-presidente americano Donald Trump. A presença dos irmãos no exterior reforça a estratégia de internacionalizar o discurso contra as instituições brasileiras e buscar apoio em segmentos da direita global.
A investida de Flávio eleva a temperatura da crise política e institucional ao questionar, sem provas, a legitimidade do sistema eleitoral e atacar frontalmente o STF e o TSE. A tendência é de que o pedido de cassação da chapa Lula/Alckmin, quando formalizado, abra um novo capítulo de disputa jurídica e aprofunde a polarização em torno da confiança nas urnas e da estabilidade democrática no país.


