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Política

Lula 4 enfrenta rejeição do Centrão e direita para base aliada

Negociações para formar a base aliada de Lula 4 travam no Congresso. Partidos de direita e Centrão rejeitam ministérios sem orçamento e cobram ajuste fiscal e controle de emendas.

Lula 4 enfrenta rejeição do Centrão e direita para base aliada

Política

Dificuldades nas negociações revelam impasses entre Lula 4 e aliados para composição da base no Congresso.

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O governo Lula 4 enfrenta forte resistência de partidos da direita e do Centrão nas primeiras rodadas de negociação para formar uma base aliada no Congresso Nacional, em Brasília. Emissários do presidente oferecem ministérios e tentam costurar acordo em torno de emendas parlamentares e de um ajuste fiscal, mas os cargos colocados à mesa são vistos como pouco atraentes e não têm convencido deputados e senadores a entrarem formalmente no bloco governista.

Ministérios sem verba viram “presente de grego”

Dirigentes partidários ouvidos nas conversas reservadas avaliam que o Planalto oferece, em boa parte, ministérios com orçamento reduzido ou quase nulo, o que os torna politicamente irrelevantes para quem aceita deixar o mandato parlamentar. As poucas pastas com volume real de recursos tendem a ser preservadas pelo PT e por siglas já alinhadas ao núcleo do governo.

Na prática, assumir um ministério sem capacidade de execução orçamentária significa perder a visibilidade do mandato e abrir mão do controle direto sobre verbas que alimentam bases eleitorais nos estados. Por isso, muitos congressistas classificam as ofertas como “presente de grego” e preferem permanecer na Câmara ou no Senado, onde mantêm poder próprio e margem de manobra.

O cálculo é simples: ser deputado ou senador com acesso a emendas e influência na pauta legislativa vale mais, hoje, do que virar ministro sem caneta forte sobre o dinheiro público.

Congresso controla emendas há cerca de dez anos

Um dos principais obstáculos para o governo é que o controle das emendas parlamentares migrou para o Congresso há cerca de dez anos. Desde então, deputados e senadores ampliaram a autonomia para decidir onde aplicar recursos do Orçamento, reduzindo o poder de barganha do Executivo.

Esse redesenho fortaleceu o Legislativo e esvaziou o tradicional “toma lá, dá cá” baseado apenas em cargos. Mesmo sem participar formalmente da base de um governo, parlamentares conseguem irrigar seus redutos eleitorais por meio de emendas individuais, de bancada e de instrumentos coletivos, mantendo presença nas obras e serviços financiados na ponta.

Com isso, o Planalto tem menos como pressionar ou premiar aliados eventuais. Em muitos casos, o governo se vê obrigado a negociar caso a caso, votações a cada semana, sem garantia de fidelidade em temas centrais.

Centrão e direita cobram ajuste fiscal “de verdade”

Além de mais poder sobre verbas, dirigentes do Centrão e de partidos de direita têm condicionado apoio consistente a um compromisso claro com o ajuste fiscal. Nas conversas desta semana, o recado foi de que a base só se consolida se o governo apresentar um plano considerado crível para equilibrar receitas e despesas e dar previsibilidade às contas públicas.

Parlamentares querem segurança de que medidas de aumento de gasto serão acompanhadas de cortes ou compensações. Sem essa sinalização, indicam que não pretendem assumir ministérios nem se comprometer com votações impopulares em nome do Planalto.

Interlocutores do governo admitem, nos bastidores, que Lula 4 promete mais do que consegue entregar neste momento: fala em ajuste fiscal e em rearranjo das emendas, mas encontra limites legais, políticos e orçamentários para cumprir o pacote completo exigido pelo Congresso.

Entenda o contexto

A dificuldade de Lula 4 em organizar uma base fiel não é vista apenas como problema de articulação do governo atual, mas como sintoma de um sistema político que se tornou altamente fragmentado e centrado no poder individual de cada parlamentar. Com o Congresso dominado por legendas de direita e pelo Centrão, a lógica que prevalece é a da independência em relação ao Executivo.

Deputados e senadores calculam que podem atravessar o mandato com protagonismo, decidindo o destino de recursos e pressionando o governo em temas sensíveis, sem se amarrarem a uma coalizão formal. Esse desenho favorece votações imprevisíveis e dificulta a construção de uma base coesa, como a que sustentava presidentes em períodos anteriores, quando ministérios com grande orçamento eram moeda de troca suficiente.

Nesse ambiente, a governabilidade passa a depender de negociações permanentes, muitas vezes pautadas por interesses regionais e imediatos, e menos por um programa comum de governo.

Governo corre risco de travar agenda no Congresso

O impasse na montagem da base aliada ameaça diretamente a capacidade de Lula 4 de aprovar projetos considerados essenciais, sobretudo na área econômica. Sem maioria estável, qualquer proposta de ajuste fiscal, reforma tributária pontual, mudanças em regras de gastos ou programas sociais pode emperrar ou ser desidratada no plenário.

Para a sociedade, o efeito tende a aparecer na lentidão da resposta do Estado: obras atrasadas, programas que demoram a sair do papel e incerteza em relação a medidas para segurar dívida e inflação. Especialistas alertam que a combinação de Executivo frágil com Legislativo empoderado pode prolongar a sensação de instabilidade política e econômica.

Nos próximos dias, emissários do governo devem retomar as conversas com dirigentes partidários em busca de uma fórmula alternativa: redistribuição mais fina de cargos, compromissos formais em torno de emendas e eventuais concessões em pontos do ajuste fiscal. Por ora, porém, a sinalização predominante no Congresso é de que a independência dos parlamentares seguirá sendo prioridade sobre qualquer convite para integrar o primeiro escalão.