Possíveis temas de redação Enem 2026: 11 apostas para hoje
Professores veem inteligência artificial, proteção de crianças nas redes, mudanças climáticas, neurodivergência e desinformação científica entre os temas fortes para a redação do Enem 2026.

Enem 2026
Confira as principais apostas de temas de redação que podem aparecer na prova do Enem em 2026, segundo especialistas.
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Inteligência artificial, proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais, mudanças climáticas e inclusão de pessoas neurodivergentes estão entre os principais possíveis temas de redação do Enem 2026, aplicado neste domingo (8) em todo o Brasil, segundo professores especializados em escrever e corrigir textos do exame. Eles destacam que, além de conhecer os assuntos, os candidatos precisam mostrar capacidade de argumentar e propor soluções para problemas sociais.
Quais os temas mais cotados para o Enem 2026?
Cinco professores ouvidos apontam 11 eixos centrais como apostas para a redação deste ano, com forte presença de discussões sobre tecnologia, direitos sociais e meio ambiente.
Na lista, a inteligência artificial (IA) aparece como um dos assuntos mais fortes. A expansão de ferramentas de IA no estudo, no trabalho e na produção de conteúdo abre espaço para discutir ética, riscos e oportunidades. “A proposta pode abordar desde o uso de ferramentas de IA na aprendizagem até a substituição de atividades profissionais pela automação”, afirma Ávila Oliveira, professor de redação do Colégio Unificado. Ele recomenda que o estudante chegue à prova sabendo o mínimo sobre conceitos como algoritmos, inteligência artificial generativa, deepfakes, vieses algorítmicos e desinformação.
O professor piauiense Rógi Almeida, conhecido por já ter acertado tema de redação em edição anterior do exame, reforça o foco na responsabilidade no uso dessas tecnologias. Para ele, um recorte provável é “a necessidade de discutir responsabilidades e limites para a utilização dessas ferramentas”. A cobrança pode ir desde o uso de IA em tarefas escolares até decisões tomadas por sistemas automatizados em empresas e serviços públicos.
Outro eixo forte é a proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais, especialmente após a aprovação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, em 2025, que passa a valer neste ano. Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovação da Arco Educação, vê espaço para um tema que envolva “desafios para a proteção de crianças e adolescentes nos ambientes digitais brasileiros”, com problemas como cyberbullying, publicidade direcionada, acesso a conteúdos inadequados e coleta indevida de dados pessoais.
Nessa mesma linha, Daniel Bravo, professor de redação do Cubo Global School, chama atenção para a forma como plataformas digitais são construídas. “Redes sociais e plataformas de jogos utilizam mecanismos para estimular o engajamento e a permanência dos usuários, o que pode favorecer o uso excessivo”, diz. Uma proposta assim permitiria discutir o papel de famílias, escolas, empresas de tecnologia e poder público na educação digital e na regulação do ambiente online.
As mudanças climáticas, associadas ao racismo ambiental e à justiça socioambiental, completam o bloco de temas mais cotados. Enchentes, secas e queimadas recentes escancararam como desastres ambientais afetam mais duramente populações pobres e periféricas. Para Celedônio, “o assunto permite discutir prevenção, planejamento, justiça climática e a responsabilidade compartilhada entre governos, empresas e sociedade”. A prova poderia cobrar do candidato uma reflexão que ligue meio ambiente, desigualdade e políticas públicas.
Entre os 11 possíveis temas listados pelos especialistas também estão: preservação dos biomas brasileiros (com destaque para o Cerrado), poluição por microplásticos, direitos e inclusão das pessoas neurodivergentes, desinformação e confiança na ciência, importância do esporte, transformações no mercado de trabalho e direitos dos trabalhadores, cidadania e desigualdades no acesso a direitos, além de consumo, produtividade e relações sociais.
Como os professores estão apostando nos temas da redação do Enem 2026?
As apostas partem da leitura de tendências sociais, políticas e tecnológicas recentes, somada ao histórico do exame de cobrar problemas brasileiros que exigem análise crítica e proposta de intervenção.
Neste ano, os cinco professores consultados organizaram 11 grandes eixos temáticos para orientar a preparação dos estudantes na reta final. Em comum, todos os assuntos permitem discutir direitos humanos, políticas públicas e responsabilidade coletiva — ponto central da redação do Enem, que exige do candidato uma proposta de solução com respeito aos direitos humanos.
No campo da tecnologia, além da IA, ganha peso o debate sobre segurança digital de crianças e adolescentes, impulsionado pelo Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, aprovado em 2025 e em vigor em 2026. A nova legislação reforça deveres de plataformas e do poder público na proteção de menores na internet, o que, segundo os docentes, torna o tema “redondo” para cair porque envolve lei recente, problemas concretos e múltiplos atores sociais.
Na área ambiental, as apostas se distribuem entre três recortes: mudanças climáticas ligadas à desigualdade, preservação de biomas e poluição por microplásticos. Todos permitem discutir modelos de produção e consumo, planejamento urbano, fiscalização e justiça socioambiental. Casos de enchentes, crises hídricas e queimadas servem como pano de fundo para cobrar do estudante uma visão de longo prazo e senso de responsabilidade compartilhada.
Os direitos das pessoas neurodivergentes — como quem tem transtorno do espectro autista (TEA), TDAH ou dislexia — aparecem como um eixo que conecta educação, trabalho e inclusão social. Para os especialistas, um tema nesse campo poderia cobrar do candidato a reflexão sobre barreiras invisíveis, capacitismo (discriminação contra pessoas com deficiência), formação de professores e adaptações razoáveis em escolas e empresas.
Já a desinformação científica é vista como uma síntese de vários problemas atuais: circulação de notícias falsas sobre saúde, crise de confiança em instituições, ataques à pesquisa e dificuldade de comunicação científica. A redação, se seguir esse caminho, pode exigir que o candidato discuta o papel da escola, da mídia, das redes sociais e de governos na promoção da cultura científica.
Entenda o contexto
O Enem 2026 começa neste domingo (8) com a aplicação das provas de linguagens, ciências humanas e redação em milhares de locais de prova espalhados pelo país. A produção do texto dissertativo-argumentativo costuma ser decisiva na nota final e, por consequência, no acesso a vagas em universidades públicas e privadas.
Tradicionalmente, o tema da redação aborda um problema social brasileiro contemporâneo, com exigência de proposta de intervenção respeitando os direitos humanos. Isso faz com que debates sobre tecnologia, desigualdade, clima, saúde e direitos civis apareçam com frequência nas apostas de professores.
Para este ano, o fato de o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente ter começado a valer, a expansão acelerada da inteligência artificial no cotidiano e a sequência de eventos climáticos extremos reforçam a leitura de que a prova deve mirar questões que cruzam ética, regulação e justiça social.
Os docentes alertam, porém, que tentar “adivinhar” o tema costuma ser menos eficiente do que entender os grandes debates por trás dos assuntos. A orientação é que o candidato chegue ao local de prova com repertório variado, capaz de dialogar com qualquer um dos 11 eixos principais sugeridos, e preparado para propor soluções concretas e viáveis.


