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Inteligência Artificial

Macronix corta produção de ROM e pressiona cartuchos da Nintendo

Taiwanesa Macronix decide descontinuar memórias ROM após queda de 39% na receita, enquanto NOR e NAND disparam. Mudança afeta cartuchos usados pela Nintendo.

Macronix corta produção de ROM e pressiona cartuchos da Nintendo

Tecnologia

A decisão da Macronix impacta diretamente o fornecimento de cartuchos para a Nintendo, refletindo mudanças no mercado de memórias.

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A fabricante taiwanesa Macronix decidiu descontinuar gradualmente a produção de memórias ROM, após registrar queda de 39% na receita desse segmento no terceiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A mudança atinge diretamente os cartuchos usados pela Nintendo em consoles como Switch e Switch 2 e reforça a aposta da companhia em memórias NOR e NAND, que tiveram alta explosiva de demanda.

Como a inteligência artificial ameaça os cartuchos da Nintendo?

A decisão da Macronix expõe um efeito indireto do avanço da inteligência artificial: a concentração de investimentos em memórias voltadas a centros de dados e aplicações de alto desempenho, em detrimento de formatos tradicionais como cartuchos físicos.

Os grandes modelos de IA e os serviços que rodam em nuvem exigem imensa capacidade de armazenamento rápido e confiável. Nesse cenário, memórias NAND Flash — base de SSDs e sistemas de armazenamento em data centers — e NOR Flash — presentes em equipamentos de comunicação e eletrônica industrial — ganham prioridade nas linhas de produção.

Ao ver a receita com NAND disparar 768% e com NOR subir 158% no trimestre, a Macronix passou a direcionar capacidade fabril para esses segmentos, enxugando o espaço para produtos ROM, usados em nichos como cartuchos de videogame. O resultado prático é que a cadeia de fornecimento dos cartuchos da Nintendo fica mais frágil, dependente de estoques e de possíveis novos acordos com outros fornecedores ou de migração para tecnologias diferentes.

Mesmo que a Macronix mantenha o fornecimento por um período de transição, a sinalização é clara: a indústria tende a priorizar soluções alinhadas à explosão da IA em nuvem, o que pressiona formatos físicos específicos, como os cartuchos proprietários da Nintendo.

Quais impactos a IA pode ter no mercado de jogos da Nintendo?

O impacto imediato é industrial: a Nintendo passa a conviver com a perspectiva de ter menos oferta — e possivelmente custos maiores — para um componente-chave dos seus cartuchos atuais. Isso pode influenciar decisões futuras sobre hardware, estratégia de distribuição e até o ritmo de transição para modelos mais digitais.

Ao mesmo tempo, o avanço da IA puxa o mercado em outra direção: mais processamento em nuvem, jogos com recursos de aprendizado de máquina rodando em servidores remotos e experiências que dependem menos de mídia física. Quanto mais a infraestrutura de data centers se fortalece, mais atraente fica para desenvolvedores explorar jogos conectados, atualizáveis e com forte componente online, o que favorece distribuição digital.

Para a Nintendo, que historicamente impulsiona o uso de cartuchos proprietários, o movimento da Macronix é um lembrete de que o ecossistema físico não está isolado das grandes tendências tecnológicas. Mesmo sem mudar de rumo no curto prazo, a empresa pode ser pressionada a acelerar planos de novas arquiteturas de armazenamento, diversificar fornecedores ou combinar cartucho e nuvem em futuros consoles e serviços.

Demanda por IA puxa virada da Macronix

No balanço do terceiro trimestre, a Macronix mostrou um retrato nítido da mudança de foco: enquanto a receita com chips ROM encolhe 39%, as linhas ligadas à economia digital em alta velocidade explodem, com alta de 158% para NOR e 768% para NAND.

As NAND Flash abastecem SSDs, dispositivos eletrônicos, sistemas embarcados e soluções de armazenamento industrial, hoje muito requisitados por centros de dados que suportam aplicações de IA, serviços de streaming, jogos em nuvem e grandes bases de dados corporativas. Já as NOR Flash, usadas em comunicação, eletrônica industrial, automóveis e outros equipamentos, também surfam a onda de digitalização e conexão constante.

As ROM, por outro lado, são memórias de uso mais estático, voltadas a firmware e dados permanentes em produtos como placas-mãe, equipamentos industriais, sistemas de telecomunicações, automóveis e cartuchos de videogame. Com menos demanda em um mundo que atualiza software e modelos de IA o tempo todo, elas perdem espaço na estratégia da fabricante.

A Macronix informou que a saída das ROM será gradual, de forma a atender contratos existentes enquanto realoca recursos de fábrica e de desenvolvimento para as famílias NOR e NAND. A companhia reforça que “não vai abandonar gradualmente a produção de chips ROM” de imediato, indicando um período de transição antes do fim definitivo da linha.

Entenda o contexto

A Macronix é uma das maiores produtoras globais de memórias não voláteis, o tipo de chip que mantém dados gravados mesmo sem energia elétrica. Nesse grupo estão as memórias ROM, NOR Flash e NAND Flash, cada uma com papel específico na indústria.

O movimento anunciado agora não é apenas uma readequação de portfólio, mas um sinal de como o mapa da demanda global vem sendo redesenhado pela IA e pela corrida por infraestrutura digital. Para empresas que ainda dependem de tecnologias de nicho, como os cartuchos dedicados da Nintendo, a mensagem é clara: o futuro da cadeia de hardware será ditado por onde a inteligência artificial empurrar o investimento.