Datafolha mostra disputa apertada por 2026 nos estados
Levantamento Datafolha em cinco estados revela vantagem regional de Flávio Bolsonaro sobre Lula no Sudeste e no Centro-Oeste e força do petista no Nordeste, com cenário nacional fragmentado.
Eleições 2026
Pesquisa Datafolha destaca equilíbrio nas intenções de voto em diferentes regiões do país para a disputa presidencial.
Flávio Bolsonaro (PL) abre vantagem sobre Lula (PT) em São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, enquanto o presidente lidera em Minas Gerais e Pernambuco, mostra nova pesquisa Datafolha sobre a disputa pelo Planalto em 2026.
O levantamento, feito com entrevistas presenciais entre eleitores de cinco unidades da Federação, expõe um tabuleiro regionalmente fatiado e pressiona as campanhas a concentrar esforços em colégios decisivos, sobretudo São Paulo e Minas.
Sudeste racha entre Lula e Flávio, com peso de São Paulo e Minas
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, Flávio Bolsonaro aparece à frente em todos os cenários relevantes. Numa simulação de segundo turno, ele soma 47% das intenções de voto contra 42% de Lula. A margem de erro no estado é de 2 pontos percentuais, o que ainda garante uma folga numérica ao senador.
No primeiro turno entre paulistas, o quadro é mais embolado. Flávio registra 35%, Lula tem 33%, Augusto Cury (Avante) marca 7%, Renan Santos (Missão) aparece com 6% e Ronaldo Caiado (PSD) atinge 4%. Samara Martins (UP) e Romeu Zema (Novo) pontuam 2% cada, enquanto 6% declaram voto em branco ou nulo e 2% estão indecisos. A amostra paulista reúne 1.610 entrevistas presenciais com eleitores de 16 anos ou mais.
Em Minas Gerais, o Datafolha capta uma disputa no limite. Lula lidera com 46% em cenário de confronto direto, contra 45% de Flávio Bolsonaro, num empate técnico dentro da margem de erro de 3 pontos percentuais. A amostra mineira é de 1.204 entrevistas.
O instituto lembra, em seu relatório, o papel simbólico do estado na política nacional: “A vitória em Minas, o segundo maior eleitorado brasileiro, é tida como particularmente estratégica: por sua diversidade interna, reflete a média demográfica nacional, servindo como um espelho do Brasil — que, historicamente, costuma eleger o mesmo candidato que vence em Minas”.
Flávio domina no Rio e no DF; Lula abre frente em Pernambuco
No Rio de Janeiro, reduto político da família Bolsonaro, o senador amplia a dianteira sobre o presidente. “No Rio de Janeiro, o candidato do PL marca 49% das intenções de voto, superando os 41% de Lula”, registra o Datafolha. A amostra fluminense também é de 1.204 entrevistados, com margem de erro de 3 pontos percentuais.
A pesquisa carioca vem acompanhada de uma fotografia dura da popularidade do governo federal. “O Datafolha também perguntou aos eleitores do Rio se aprovam ou desaprovam o governo do presidente Lula. Aprovam: 39%. Desaprovam: 57%”, aponta o relatório. A avaliação por nota reforça o desgaste: 50% classificam a gestão como ruim ou péssima, 27% como ótima ou boa e 23% como regular.
No Nordeste, o cenário se inverte. Em Pernambuco, Lula sustenta ampla vantagem. Na síntese do instituto, “em Pernambuco, o atual presidente vence com folga, registrando 61% contra 30% do opositor bolsonarista”. Os dados gerais do levantamento, porém, trabalham com números arredondados a 55% para o petista e 24% para Flávio em outro recorte, o que confirma a liderança confortável do presidente no estado. A amostra pernambucana também é de 1.204 entrevistas.
No Distrito Federal, Flávio Bolsonaro volta a liderar. O senador marca 51% contra 39% de Lula, segundo o Datafolha. A pesquisa local, feita com 910 entrevistados, tem margem de erro de 3 pontos. O resultado reforça o enraizamento do bolsonarismo em áreas de forte presença do funcionalismo público federal e de forças de segurança.
Palanques estaduais e efeito Tarcísio entram na conta
O Datafolha testa ainda cenários para os governos estaduais, peça central na formação de palanques para a disputa presidencial. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado direto de Flávio Bolsonaro, aparece em situação folgada na corrida pela reeleição.
Tarcísio lidera com 49% dos votos totais no primeiro turno, contra 29% de Fernando Haddad (PT). Entre os votos válidos, quando se excluem brancos e nulos, a vantagem aumenta: “Em um eventual segundo turno paulista, Tarcísio bateria Haddad por 56% a 35%”, registra o instituto. O desempenho do governador tende a impulsionar a campanha de Flávio no estado, ao oferecer estrutura e capilaridade municipal.
Em Minas, o quadro estadual é mais fragmentado, com Cleitinho Azevedo (Republicanos), identificado com o eleitorado bolsonarista, liderando com 37% e seguido de perto por nomes ligados ao campo lulista. No Rio, Eduardo Paes (PSD) mantém vantagem sobre Douglas Ruas (PL), mas com diferença em trajetória de queda, o que pode alterar o equilíbrio entre os palanques de Lula e Flávio.
Em Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) travam embate apertado, enquanto no Distrito Federal a governadora Celina Leão (PP) surge como favorita. Essas disputas locais alimentam negociações por tempo de TV, composição de chapas e apoio de lideranças regionais às campanhas presidenciais.
Marçal em suspenso e disputa fragmentada até o segundo turno
A pesquisa também mede o impacto da eventual presença de Pablo Marçal (PRTB) na disputa, embora a candidatura siga sub judice no Tribunal Superior Eleitoral. Os cenários testados indicam que sua entrada não provoca mudanças significativas no equilíbrio geral entre Lula e Flávio, mas pode embaralhar o campo da direita em alguns estados.
Os dados nacionais e regionais reforçam a ideia de uma eleição polarizada, porém com espaço para candidaturas alternativas ocuparem nichos específicos de eleitorado. O desempenho de nomes como Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado em São Paulo e no Rio sugere uma fatia do eleitorado disposta a escapar da dicotomia clássica, ainda que sem força, no momento, para romper a liderança dos dois principais polos.
A avaliação negativa do governo Lula em praças estratégicas como o Rio tende a pressionar o Planalto por ajustes de política pública e comunicação, especialmente em temas urbanos, segurança e custo de vida. Para Flávio, o desafio é transformar o favoritismo regional em viabilidade nacional consistente, sem depender apenas da memória do governo do pai.
As campanhas agora miram a reta de consolidação de candidaturas, com expectativa de novos levantamentos nas próximas semanas. Até lá, São Paulo e Minas concentram as maiores apostas de investimento em agendas, alianças e propaganda, enquanto Pernambuco e Rio funcionam como termômetros da resiliência dos dois campos nas suas bases históricas. O quadro permanece aberto, e a curva de intenção de voto dos indecisos e dos eleitores que hoje flertam com nomes alternativos pode definir a margem de vitória — ou o risco real para qualquer um dos lados.
O que a nova pesquisa Datafolha diz sobre a disputa presidencial de 2026?
A nova pesquisa Datafolha mostra Flávio Bolsonaro à frente de Lula em São Paulo (47% a 42% no segundo turno), Rio (49% a 41%) e Distrito Federal (51% a 39%), enquanto o presidente lidera em Minas Gerais (46% a 45%) e Pernambuco, desenhando um cenário regionalmente dividido e altamente competitivo.
Por que São Paulo e Minas Gerais são decisivos nas pesquisas para presidente em 2026?
São Paulo é decisivo porque concentra o maior número de eleitores do país, com 1.610 entrevistados na amostra Datafolha e vantagem atual de Flávio Bolsonaro, enquanto Minas Gerais, com 1.204 entrevistas e Lula na frente por 46% a 45%, é considerado “espelho do Brasil” e costuma votar como o vencedor nacional.
Como está a avaliação do governo Lula nos estados pesquisados?
No Rio de Janeiro, principal termômetro da pesquisa Datafolha, 57% dos eleitores desaprovam o governo Lula e 39% aprovam, com 50% classificando a gestão como ruim ou péssima, 27% como ótima ou boa e 23% como regular, cenário que pressiona o Planalto a revisar estratégias em grandes centros urbanos.


