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Lula em Curitiba: Janja é vaiada e promete vitória no voto

Primeira-dama é interrompida por opositores em ato de Lula em Curitiba, critica ódio e fake news e reforça discurso de soberania nacional e disputa no voto.

13/09/2026 09:01 8 min de leitura
Lula em Curitiba: Janja é vaiada e promete vitória no voto
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Política

Janja enfrenta vaias em ato de Lula e destaca importância do voto contra fake news e discurso de ódio.

A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, é vaiada e interrompida por opositores durante comício de Luiz Inácio Lula da Silva em Curitiba, mas transforma o ataque em combustível de campanha ao defender o voto como resposta ao ódio e às fake news.

Provocação em prédio, dedo do meio e recado sobre o voto

O episódio ocorre na Boca Maldita, no centro de Curitiba, em meio a um ato de rua que reúne militantes petistas, lideranças políticas e curiosos. Enquanto Janja fala ao microfone, um pequeno grupo em prédios próximos começa a gritar e provocar, o que desencadeia vaias e reação imediata do público.

Parte dos apoiadores responde às ofensas mostrando o dedo do meio em direção às janelas de onde vêm os gritos. A primeira-dama intervém para tentar conter a escalada. “Que foi? Para! Coisa chata. Liga não, gente. Liga não. Vamos seguir aqui, vamos seguir aqui. Não liga não”, pede, antes de engatar um discurso contra o clima de ódio.

Na sequência, Janja associa as provocações a um padrão de ataques que, segundo ela, mistura mentira, machismo e desinformação. “Deixa lá eles com a raiva, com o ódio deles, porque aqui é só amor. Aqui não tem ódio. Deixa esse povo lá com o ódio, com mentira, com a fake news, com a misoginia, com o ódio contra as mulheres. Deixa eles lá, porque nós vamos vencer eles é no voto. É no voto que eles vão ver o que que é bom”, afirma, arrancando aplausos.

A campanha de Lula minimiza o episódio e ressalta que as vaias partem de um grupo reduzido em um dos prédios, enquanto a maior parte da praça reage apoiando a primeira-dama. O gesto dos militantes, porém, expõe o nível de tensão que cerca a reta final da disputa presidencial deste ano.

Lava Jato, Moro e o fantasma da prisão de Lula

No mesmo palanque em Curitiba, Janja retoma o período em que Lula fica 580 dias preso na Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense, em razão das condenações da Lava Jato depois anuladas pelo Supremo Tribunal Federal. Ela classifica a prisão como “injusta” e aponta para a atuação do ex-juiz Sergio Moro, hoje adversário eleitoral no Paraná.

“Não vou citar aqui o nome do algoz dele [Lula], é tudo que ele [Moro] quer”, dispara, arrancando gritos de “Lula inocente” da plateia. A referência indireta reabre uma ferida que ainda mobiliza o eleitorado petista em Curitiba, cidade que se torna símbolo da operação e do período em que o ex-presidente é impedido de disputar eleições.

Lula reforça a mesma linha, também sem citar o ex-juiz pelo nome. “Não quero falar mal dos outros candidatos, mas aqui tem um que não vale o que come”, afirma, em tom de deboche. A frase é recebida com risos e coro contra o ex-magistrado, hoje apontado pelo PT como peça central de uma perseguição judicial com impacto direto na trajetória do presidente.

Os discursos buscam costurar dois planos: a memória da prisão em Curitiba e a disputa atual nas urnas. Ao relembrar os 580 dias na cela e confrontar o algoz sem nome, Lula e Janja tentam transformar um episódio de fragilidade em símbolo de resistência e injustiça reparada.

Porto Alegre, soberania e o “homem tocado por Deus”

Na véspera do ato em Curitiba, Janja participa de um evento de campanha em Porto Alegre e testa um discurso que volta a usar em falas posteriores: a eleição como escolha entre soberania nacional e submissão aos Estados Unidos. Diante de militantes gaúchos, ela polariza o cenário entre dois projetos de país.

“Não é uma escolha difícil. É escolher entre quem não faz e quem faz pelo povo. É escolher entre quem deixou o povo na fila do osso e quem tirou o Brasil do Mapa da Fome. É escolher para quem não está nem aí para a qualidade de vida dos trabalhadores e trabalhadoras e quem defende o fim da escala 6×1. É escolher entre quem quer entregar o Brasil para os Estados Unidos e quem defende nossa soberania, quem sabe que o Brasil é dos brasileiros e brasileiras. É uma escolha muito simples, não?”, pergunta, em tom didático.

Ao longo da fala, a primeira-dama apresenta Lula como figura quase religiosa. “Um homem que tira 33 milhões de pessoas do Mapa da Fome, só pode ser tocado por Deus”, afirma, chamando-o de “o verdadeiro homem ungido por Deus”. O enquadramento mira diretamente a base evangélica, campo em disputa intensa nas eleições deste ano.

Janja também incentiva o público a usar um QR Code com comparativos de governos, ferramenta da campanha para estruturar argumentos nas redes e em conversas de rua. A aposta é que militantes municiados de dados possam enfrentar boatos e narrativas adversárias.

Polarização exposta e disputa pela narrativa

Os episódios em Curitiba e Porto Alegre revelam o grau de polarização que marca a campanha de 2026. De um lado, o campo governista usa a prisão de Lula, a Lava Jato, a fome e a soberania como elementos centrais da narrativa. Do outro, adversários exploram justamente o passado judicial do presidente para contestar sua legitimidade.

A cena dos militantes mostrando o dedo do meio para janelas hostis sintetiza a dificuldade de diálogo entre campos políticos que já não se reconhecem. Em vez de debate programático, o que domina o ambiente é a troca de ofensas, acusações de ódio e fake news e a personalização extrema da disputa.

Na prática, isso pressiona a segurança de eventos de campanha, que precisa lidar com focos de conflito em ruas e prédios vizinhos aos comícios. As equipes monitoram manifestações adversárias e tentam evitar que provocações verbais se convertam em confrontos físicos.

Para o PT, o constrangimento inicial da vaia vira oportunidade de galvanizar a base. A imagem de Janja hostilizada, mas aplaudida pela maioria, ajuda a campanha a reforçar a ideia de que Lula e sua família são alvos de uma cruzada injusta. Para opositores, a estratégia é outra: mostrar que a rejeição ao presidente e à primeira-dama se manifesta até em praças tradicionalmente petistas.

À medida que a eleição se aproxima, a tendência é de que cenas como a de Curitiba se repitam em outras capitais. A campanha de Lula já sinaliza que seguirá investindo em atos de rua, fala em “vencer no voto” e aposta na comparação de governos para consolidar apoio. Adversários, por sua vez, prometem manter o foco na crítica à gestão atual e à trajetória judicial do presidente. A disputa pela narrativa, mais do que pelas propostas, segue no centro do palco.

O que aconteceu com Janja durante o ato de Lula em Curitiba?

Durante o comício de Lula na Boca Maldita, em Curitiba, a primeira-dama Janja é interrompida por provocações vindas de um pequeno grupo em prédios próximos, sofre vaias desses opositores e vê apoiadores reagirem mostrando o dedo do meio, antes de retomar o discurso conclamando a militância a responder aos ataques nas urnas, “no voto”.

Como Janja reagiu às vaias e ataques de bolsonaristas em Curitiba?

Janja reage às vaias pedindo calma à plateia, pedindo que ninguém “ligue” para as provocações, condena o “ódio”, a “fake news” e a “misoginia” dos adversários e reforça que a resposta deve vir nas urnas, ao afirmar que “nós vamos vencer eles é no voto” e que é assim que eles “vão ver o que que é bom”.

Qual foi a declaração de Janja sobre a eleição e a soberania do Brasil?

Em ato de campanha em Porto Alegre, Janja declara que a eleição de 2026 é uma escolha entre quem “defende nossa soberania” e quem “quer entregar o Brasil para os Estados Unidos”, contrapondo governos que deixaram o povo na “fila do osso” e o período em que, segundo ela, Lula tirou o Brasil do Mapa da Fome.

O que Janja disse sobre Lula ser “o verdadeiro ungido de Deus”?

Janja afirma em seu discurso que Lula é “o verdadeiro homem ungido por Deus” e sustenta a frase com um número: diz que “um homem que tira 33 milhões de pessoas do Mapa da Fome só pode ser tocado por Deus”, aproximando a imagem do presidente do universo religioso e, em especial, do eleitorado evangélico.

Como Janja defendeu Lula e as mulheres em seus discursos recentes?

Janja defende Lula ao chamar de “injusta” a prisão de 580 dias em Curitiba, critica o “algoz” que mandou o presidente para a cadeia sem citar Sergio Moro e denuncia um ambiente de “misoginia” e “ódio contra as mulheres”, ligando ataques a ela e a outras lideranças femininas a um padrão de violência política de gênero.

Qual foi a atitude de Janja que chamou atenção em evento com Lula?

A atitude que mais chama atenção é quando, em vez de incentivar confronto após ser vaiada, Janja interrompe a escalada de tensão, manda o público “não ligar” para as provocações e redireciona a energia para as urnas, repetindo que a vitória deve vir “no voto” e transformando o ataque em peça de mobilização eleitoral.


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