Ações de IA caem trilhões em 2 dias e geram alerta global
Gigantes de tecnologia perdem mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado, Nasdaq desaba e Bolsa da Coreia do Sul chega a suspender negociações após forte volatilidade.

Inteligência Artificial
Mercado global reage com forte volatilidade após queda significativa nas ações de IA em apenas dois dias.
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As ações de empresas ligadas à inteligência artificial e à tecnologia despencam nos mercados globais nesta sexta-feira (6), depois de um tombo histórico na véspera em Nova York, que eliminou trilhões de dólares em valor de mercado e levou a Bolsa da Coreia do Sul a interromper negociações por 20 minutos por causa da forte volatilidade.
Por que as ações de empresas ligadas à inteligência artificial despencaram recentemente?
O estouro da bolha de expectativas em torno da inteligência artificial, somado ao temor de custos crescentes com infraestrutura e a um cenário político mais incerto nos Estados Unidos, está por trás da onda de vendas que atinge o setor nesta semana.
Na quinta-feira (5), o Nasdaq caiu 5,52%, na sexta maior queda diária desde janeiro de 2020, de acordo com levantamento da Elos Ayta. O movimento ganhou força após as eleições de meio de mandato nos EUA, realizadas na terça-feira (3), que resultaram na vitória de candidatos democratas e levantaram dúvidas sobre o rumo da regulação para data centers e grandes projetos de tecnologia.
Investidores questionam se o alto volume de recursos despejado em IA será convertido em lucro no ritmo esperado. A construção de data centers exige investimentos pesados e contínuos, aumenta a demanda por energia, água, chips e equipamentos e enfrenta resistência de comunidades locais, preocupadas com impactos ambientais e de infraestrutura.
Em paralelo, cresce o risco de novas regras para o setor, que podem atrasar obras, encarecer projetos e reduzir o retorno de longo prazo. Diante desse conjunto de incertezas, fundos e grandes gestores passaram a realizar lucros e reduzir exposição às empresas mais associadas à corrida da inteligência artificial.
Gigantes perdem mais de US$ 3 trilhões em valor de mercado
O baque se reflete nos números do S&P 500, índice que reúne as maiores empresas americanas. No pregão de quinta (5), as companhias do índice perderam juntas US$ 3,317 trilhões em valor de mercado.
Desse total, US$ 1,036 trilhão saiu apenas das chamadas Magnificent Seven — Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon, Nvidia, Meta e Tesla. Sozinha, essa perda equivale a 1,21 vez o valor de mercado de todas as empresas listadas na B3, estimado em US$ 857 bilhões.
“Na quinta-feira (5), o Nasdaq caiu 5,52%, na sexta maior queda diária desde janeiro de 2020”, aponta o levantamento da Elos Ayta, evidenciando a intensidade do movimento.
Entre os índices americanos, o S&P 500 recuou 4,36% e o Dow Jones caiu 3,44%. No campo das ações individuais, Tesla desabou 10,8%, Nvidia perdeu 9,3% e AMD derreteu 17,3% em um único dia.
Setor de chips é um dos mais atingidos
Empresas diretamente ligadas à produção de semicondutores — peça central dos sistemas de IA e de data centers — estão entre as mais pressionadas. O índice de semicondutores da Filadélfia, que reúne companhias do segmento, caiu 12,2%.
A Nvidia concentrou a maior perda absoluta entre as gigantes de tecnologia. A empresa viu desaparecer US$ 446 bilhões em valor de mercado, quase quatro vezes o valor total da Petrobras, estimado em US$ 116,3 bilhões.
Também registraram perdas expressivas Tesla, com US$ 164 bilhões; Broadcom, com US$ 162 bilhões; Micron, com US$ 157 bilhões; Microsoft, com US$ 147 bilhões; e AMD, com US$ 139 bilhões.
Turbulência se espalha para Ásia e paralisa Bolsa sul-coreana
O efeito da aversão ao risco chegou com força à Ásia nesta sexta-feira (6). O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, caiu 5,96%. Na Coreia do Sul, o Kospi recuou 6,02% e, no pior momento do pregão, chegou a acumular perda de 8,55%, rompendo o patamar dos 5 mil pontos.
A queda acentuada levou ao acionamento de um mecanismo automático de proteção na Bolsa sul-coreana às 9h03 no horário local, interrompendo as negociações por 20 minutos para tentar conter o pânico e a volatilidade.
Entre as ações mais atingidas na região estão SK Hynix, que despencou 10,4%, Samsung, que caiu 6,4%, SoftBank, com baixa de 11%, e TSMC, que recuou 4,7%. Todas são peças-chave na cadeia global de chips e equipamentos usados em aplicações de inteligência artificial.
Como a perda das gigantes de tecnologia se compara ao valor de uma Bolsa brasileira inteira?
As perdas de apenas sete gigantes americanas de tecnologia em um dia — Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon, Nvidia, Meta e Tesla — superam com folga o valor de toda a Bolsa brasileira.
No pregão de quinta (5), as Magnificent Seven encolheram US$ 1,036 trilhão em valor de mercado. A cifra corresponde a 1,21 vez o valor de mercado de todas as empresas listadas na B3, estimado em US$ 857 bilhões.
A comparação ajuda a dimensionar o tamanho do ajuste em curso: em poucas horas, o mercado apagou, em Wall Street, mais riqueza do que vale hoje a soma de todas as companhias negociadas em São Paulo, de bancos a petroleiras, passando por elétricas, varejistas e industriais.
Entenda o contexto
Nos últimos meses, empresas de tecnologia e inteligência artificial vinham acumulando fortes altas, embaladas pela expectativa de que a IA mudaria radicalmente negócios em diversos setores e abriria novas fontes de receita.
Esse otimismo levou a uma forte concentração de ganhos em poucas ações, elevando o peso das gigantes de tecnologia nos principais índices e tornando os mercados mais sensíveis a qualquer frustração de expectativa.
Com o resultado das eleições de meio de mandato nos EUA, investidores passaram a recalibrar cenários. A vitória de candidatos democratas reforça a possibilidade de uma agenda mais rigorosa em temas como consumo de energia, uso de água e impactos urbanos de grandes data centers, justamente no momento em que se consolidam dúvidas sobre a velocidade do retorno dos investimentos em IA.
Por ora, analistas destacam que parte da correção reflete a tentativa do mercado de reprecificar riscos que vinham sendo subestimados na euforia com a inteligência artificial.

