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Inteligência Artificial

Nasdaq cai 5,5% com medo de regras duras para IA nos EUA hoje

Medo de nova regulação dos EUA para inteligência artificial derrubou o Nasdaq em 5,5%, apagou US$ 2,5 tri em valor de mercado e espalhou perdas pela Ásia e Europa.

Nasdaq cai 5,5% com medo de regras duras para IA nos EUA hoje

Mercado Financeiro

Investidores reagem negativamente à possível regulação rigorosa da IA nos Estados Unidos, afetando bolsas globais.

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O medo de regras mais rígidas dos Estados Unidos para a inteligência artificial desencadeia uma queda histórica nas ações de tecnologia, derruba o Nasdaq em 5,5%, apaga US$ 2,5 trilhões em valor de mercado e espalha turbulência pelas bolsas da Ásia e da Europa, enquanto investidores correm para ativos considerados mais seguros.

O que causou a queda de US$ 3 trilhões nas bolsas dos EUA recentemente?

A liquidação de ações foi provocada pelo temor de que Washington imponha novas regras ao setor de inteligência artificial, pressionando a rentabilidade futura das gigantes de tecnologia e travando planos de expansão de infraestrutura. Na quinta-feira, o Nasdaq, fortemente concentrado em empresas do setor, despencou 5,5% e viu cerca de US$ 2,5 trilhões sumirem em valor de mercado. O S&P 500 perdeu outros US$ 3 trilhões.

Na prática, a combinação de incerteza regulatória com investimentos bilionários em centros de dados e chips de alto desempenho acendeu o sinal de alerta. Investidores passaram a questionar se os lucros futuros vão compensar o custo crescente da corrida pela IA em um cenário possivelmente mais restritivo.

O susto foi amplificado pelo resultado recente das eleições legislativas nos EUA, que fortaleceu o Partido Democrata e abriu espaço para uma agenda mais dura de regulação tecnológica. Em um dos movimentos simbólicos, a governadora eleita do Texas, Gina Hinojosa, anunciou a intenção de impor novas leis para limitar a expansão de megacentros de dados no estado, hoje um polo desse tipo de infraestrutura.

Com isso, fundos globais, investidores individuais e fundos de hedge iniciaram uma onda de vendas concentrada justamente nas ações que mais se beneficiaram do boom da IA. O gestor James Athey, da Marlborough, resumiu o clima nas mesas de operações: “Tem sido brutal”. Segundo ele, o comportamento de manada de investidores pessoa física e fundos alavancados reforçou o movimento, alimentando mais ordens de venda a cada nova queda.

Como Wall Street está tentando se recuperar após a derrocada?

Após o tombo da véspera, os contratos futuros do Nasdaq apontam recuperação de 1,5% nesta sexta-feira e indicam um pregão de alívio em Nova York. O índice de volatilidade VIX, termômetro do medo em Wall Street, também recua, sugerindo que a pressão de vendas perde força no curto prazo.

As ações de tecnologia, epicentro da correção, lideram o movimento de alta nos negócios pré-abertura. A Nvidia sobe 4,5%, depois de ter registrado na véspera sua maior queda diária em muitos meses. Outros grandes nomes de semicondutores, como AMD, Intel, Broadcom e Micron Technology, avançam entre 4,5% e 8%, em uma tentativa de recompor parte das perdas.

Empresas ligadas à economia digital mais ampla também voltam a respirar. A Tesla sobe 2%, enquanto a SpaceX registra alta de 4% nas negociações indicativas. O movimento é visto por analistas mais como realocação tática de posições do que como um sinal claro de que o pânico passou.

Para Athey, apesar do choque, os índices ainda trafegam perto de máximas históricas e o fluxo de capital para IA continua volumoso. “A questão é: para onde vamos agora? Ainda estamos olhando para índices próximos de máximas históricas e um setor (IA) onde o investimento de capital ainda é enorme”, afirma. “Portanto, acho que será um grande teste para o sentimento do mercado — e para a crença na IA — nos próximos dias”, completa.

Setor de IA no centro da tempestade

A correção atinge sobretudo as empresas mais expostas à inteligência artificial. Fabricantes de chips e operadores de grandes data centers são os mais pressionados, porque dependem de planos de investimento de longo prazo em infraestrutura pesada, com retorno incerto se o ambiente regulatório apertar.

Os semicondutores estão no olho do furacão. Chips avançados são a base dos modelos de IA e exigem fábricas caríssimas, consumo intenso de energia e água e cadeias de suprimento complexas. Qualquer sinal de limite regulatório para o crescimento dos centros de dados ou para o uso de IA em larga escala derruba as projeções de demanda para esse segmento.

Na outra ponta, a percepção de risco faz investidores migrarem para ativos considerados porto seguro. Títulos públicos de países centrais e moedas de proteção, como dólar e iene, ganham procura, num movimento clássico de fuga de risco que costuma acompanhar quedas bruscas nas bolsas.

Ásia sente o tranco com força

O impacto foi especialmente violento nas bolsas asiáticas, onde se concentram alguns dos principais polos globais de tecnologia e semicondutores. O índice Nikkei, no Japão, tombou cerca de 6%, espelhando a derrocada de Wall Street. Na Coreia do Sul, o KOSPI recuou em proporção semelhante.

Em Taiwan, centro mundial da produção de chips avançados, o índice de referência chegou a despencar mais de 8% durante o pregão, antes de encerrar o dia com queda de 4,5%. No acumulado da semana, a bolsa taiwanesa já perde 12,2%, no pior desempenho semanal em décadas. O recuo reflete o nervosismo com a possibilidade de desaceleração na demanda por semicondutores de IA.

Entre os nomes mais atingidos está o grupo japonês SoftBank, fortemente exposto a investimentos em tecnologia e startups. As ações da empresa caíram 11%, e o custo de proteção contra calote de sua dívida atingiu o maior nível em quatro anos, sinal de que o mercado enxerga mais risco no conglomerado.

Autoridades asiáticas tentam acalmar os investidores. Na Coreia do Sul, o governo afrouxou temporariamente regras para investimentos alavancados de pessoas físicas, numa tentativa de reduzir vendas forçadas em momentos de queda. Em Taiwan, o Ministério das Finanças convocou executivos de bancos estatais e orientou as instituições a apoiar o mercado, o que ajudou a conter uma queda ainda maior.

Mesmo assim, o clima nas corretoras permanece tenso. Christopher Forbes, responsável pelas operações da CMC Markets na Ásia e no Oriente Médio, descreve o dia a dia recente das mesas de negociação: “Na verdade, é um pouco desastroso. Durante toda a noite, durante todo o dia, tivemos chamadas de margem de clientes, reclamações de clientes… porque é algo muito emocional, certo? As pessoas ficam apegadas às suas posições e opiniões sobre uma ação ou um resultado, e você está dizendo a elas: olhe, você acabou de perder dinheiro”.

As chamadas de margem — quando investidores que operam com dinheiro emprestado precisam colocar mais garantias para manter as posições — forçam novas vendas em série e podem transformar uma correção forte em queda generalizada, como a vista nesta semana.

Entenda o contexto

A corrida global pela inteligência artificial transformou empresas de tecnologia em gigantes trilionárias e puxou os principais índices acionários a recordes recentes. Ao mesmo tempo, ergueu um debate intenso sobre riscos éticos, sociais e de concentração de poder econômico.

Nos Estados Unidos, esse debate ganha força com a mudança na correlação de forças no Congresso e em governos estaduais. A agenda de regulação da IA inclui desde regras de transparência para algoritmos e proteção de dados até limites para o consumo de energia e uso de terrenos por megacentros de dados em comunidades locais.

Para o mercado financeiro, o nó está no equilíbrio entre controle e crescimento. Regras mais claras podem reduzir incertezas no longo prazo, mas restrições duras demais podem frear lucros e encurtar o horizonte de retorno dos investimentos já feitos. O choque desta semana expõe essa tensão: ativos ligados à IA continuam caros e com forte fluxo de capital, mas a percepção de risco regulatório subiu de patamar.

Enquanto monitora os próximos passos de Washington, o investidor global recalibra a carteira: reduz exposição às ações mais sensíveis à regulação de IA, reforça posições em renda fixa e mantém atenção redobrada sobre qualquer sinal de nova intervenção estatal no setor tecnológico.