Alexandr Wang, 28, assume IA da Meta após compra de US$14,3 bi
Aos 28 anos, Alexandr Wang deixou o comando da Scale AI para liderar o Meta Superintelligence Labs após a Meta comprar 49% da startup por US$ 14,3 bi e lançar os modelos Muse.

Inteligência Artificial
Alexandr Wang assume liderança na Meta após aquisição significativa da Scale AI e lançamento dos modelos Muse.
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A Meta colocou a sua maior aposta em inteligência artificial nas mãos de Alexandr Wang. Aos 28 anos quando foi escolhido, o cofundador da Scale AI deixou o comando da startup após a Meta comprar 49% da empresa por US$ 14,3 bilhões e passou a liderar o Meta Superintelligence Labs, núcleo responsável pelos novos modelos Muse, já presentes em produtos da companhia.
Quem é o jovem de 28 anos que virou peça-chave para Zuckerberg?
Alexandr Wang é cofundador da Scale AI e hoje chefe de inteligência artificial da Meta, onde comanda o Meta Superintelligence Labs. Nascido em Los Alamos, no Novo México, filho de imigrantes chineses, ele aprendeu a programar ainda jovem, estudou no MIT e deixou a universidade para empreender.
Em 2016, fundou a Scale AI ao lado de Lucy Guo, focada em preparar dados para treinar sistemas de inteligência artificial usados por grandes empresas de tecnologia, companhias de veículos autônomos e órgãos governamentais. O negócio cresceu rápido e atingiu avaliação de US$ 7,3 bilhões em 2021, tornando Wang bilionário aos 24 anos.
Essa trajetória o aproximou dos times que construíam os modelos de IA de ponta — ainda que ele próprio não tivesse liderado diretamente o treinamento desses sistemas. Foi essa combinação de proximidade com a tecnologia, visão de produto e capacidade de gestão que chamou a atenção de Mark Zuckerberg.
Como o jovem de 28 anos conquistou Mark Zuckerberg?
Wang conquistou Mark Zuckerberg em uma conversa de 44 minutos por telefone, em abril de 2025, seguida de um memorando em que descreveu o que faria se estivesse no lugar do CEO da Meta. O documento propunha reconstruir a estratégia de IA da empresa com uma equipe pequena, de profissionais de alto nível, com liberdade para refazer o trabalho do zero.
Naquele momento, Zuckerberg estava insatisfeito com a direção da família de modelos Llama e buscava uma guinada. A clareza do plano de Wang, aliada à sua reputação como recrutador de talentos, pesou na decisão. No podcast em que os dois relembraram o episódio, o fundador do Facebook resumiu a escolha: “Alex é o cara”.
O próprio Zuckerberg admitiu a dúvida diante da aposta bilionária que estava em jogo e contou ter perguntado a Wang: “Alex, você tem certeza de que isso vai funcionar?”. A resposta prática veio na forma de um desenho de organização que concentrava menos de 200 pessoas no núcleo de pesquisa, apoiadas por uma infraestrutura muito maior espalhada pela Meta.
Qual é o papel do jovem de 28 anos na aposta de US$ 130 bilhões de Zuckerberg?
Wang é o responsável direto por transformar em produtos a aposta de entre US$ 130 bilhões e US$ 145 bilhões que a Meta prevê investir neste ano em infraestrutura e sistemas de inteligência artificial. À frente do Meta Superintelligence Labs, ele lidera o desenvolvimento dos modelos Muse, considerados os mais avançados da companhia.
O laboratório opera com um time enxuto, de menos de 200 pessoas, encarregado de treinar e aprimorar os modelos que depois são integrados às plataformas da Meta. Os recursos para rodar esses sistemas — data centers, chips e times de engenharia — estão espalhados pela empresa, mas a definição da direção técnica passa pela equipe de Wang.
Na prática, o executivo é o pivô que liga a aposta bilionária em infraestrutura à experiência final do usuário em aplicativos e serviços alimentados por IA. Se os modelos Muse entregarem o salto de capacidade prometido, Wang consolida sua posição como figura central na estratégia tecnológica de Zuckerberg.
Entenda o contexto
A aproximação entre Wang e Meta culminou em uma operação de peso. A companhia de Zuckerberg pagou US$ 14,3 bilhões por 49% da Scale AI, em um acordo que envolveu injeção de capital no negócio e liquidez para acionistas, mas não representou uma remuneração pessoal equivalente para Wang.
Com o acerto, o executivo deixou a função de CEO da Scale AI, manteve um assento no conselho e assumiu o novo cargo na Meta. A Scale anunciou em comunicado que “continuaria independente” e nomeou Jason Droege como CEO interino, preservando certa autonomia operacional mesmo com a presença forte da Meta no capital.
Para a Meta, o movimento garante acesso privilegiado a dados e expertise em preparação de bases para treinamento de modelos, ao mesmo tempo em que concentra a pesquisa de ponta em IA sob o comando do Meta Superintelligence Labs.
Muse Wonder é a vitrine da nova estratégia
O primeiro grande resultado visível dessa reorganização apareceu em 12 de outubro de 2026, com o anúncio do Muse Wonder e do Muse Wonder Full. Os modelos ampliam a família iniciada com o Muse Spark e foram apresentados como base para agentes capazes de executar tarefas pessoais e profissionais complexas.
Segundo a Meta, os Muse têm recursos para recuperar informações de conversas anteriores, manter o foco em atividades com várias etapas e lidar com programação. O Muse Wonder foi disponibilizado pela Meta Model API e pelo Muse Code, enquanto a versão Full chegou aos assinantes do Muse Code, em uma liberação gradual antes da integração total ao aplicativo Muse.
Ao apostar em um núcleo pequeno, altamente especializado e liderado por um executivo jovem, a Meta tenta ganhar velocidade em um mercado em que concorrentes disputam talentos e poder computacional. Wang, que chamou a atenção de Zuckerberg com um memorando, agora terá sua estratégia medida pelo desempenho dos modelos que chegam às mãos de milhões de usuários.
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