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Inteligência Artificial

Meta libera sexting com IA Muse e restringe creators br no PK XD

Meta permite sexting explícito com seu agente de IA Muse em app para maiores de 18 anos, enquanto restringe e derruba contas de criadores adultos reais em Instagram e Facebook, acirrando revolta no setor.

Meta libera sexting com IA Muse e restringe creators br no PK XD

Tecnologia

Meta libera interações explícitas com IA no app Muse, mas limita creators adultos brasileiros no Instagram e Facebook.

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A Meta passou a permitir que seu agente de inteligência artificial Muse faça sexting explícito com usuários adultos em um aplicativo exclusivo para maiores de 18 anos, mas mantém a mão pesada contra criadores reais de conteúdo adulto em plataformas como Instagram e Facebook, com restrições, quedas de alcance e remoções de contas que afetam diretamente renda e visibilidade desses profissionais.

Meta IA x criadores reais: regras diferentes

No app Muse, voltado apenas para maiores de 18 anos, a empresa autoriza conversas de teor sexual entre usuários e a IA, incluindo textos X-rated. O agente funciona como uma espécie de chat sempre ligado: organiza agenda, acessa e-mail e ainda está liberado para sexting, embora não gere imagens ou vídeos.

Ao justificar a diferença de tratamento entre a IA e criadores humanos, a Meta afirma que se trata de contextos distintos. “Uma conversa privada, um a um, entre um adulto e um agente de IA individualizado em uma plataforma restrita para maiores de 18 anos é muito diferente do marketing e promoção de serviços em uma rede social”, diz Tracy Clayton, porta-voz da empresa. A companhia reforça que não pretende “bloquear comportamentos legais de adultos” dentro do app Muse.

Na prática, porém, criadores adultos relatam que qualquer tentativa de mostrar sensualidade ou de divulgar seus perfis pagos enfrenta uma muralha de moderação no Instagram e no Facebook. Enquanto o Muse foi impulsionado pela distribuição em massa nessas redes e rapidamente chegou ao topo das lojas de aplicativos, contas de performers seguem sendo limitadas ou derrubadas.

Criadores veem injustiça e risco de substituição

Vanniall, criadora do OnlyFans que vive em Nova York, é um dos rostos dessa insatisfação. Sua conta no Instagram, com mais de 100 mil seguidores, está hoje restrita e só pode ser vista por quem faz login. Ao descobrir que a Meta lucra com um agente de IA sexualmente ativo enquanto restringe pessoas reais, ela não esconde a revolta. “Não é justo que eles consigam tirar dinheiro das pessoas com seu agente de IA sexualmente ativo, mas não deixam pessoas reais, adultos reais, se envolverem em qualquer tipo de sensualidade ou sexualidade”, afirma.

Além das restrições, Vanniall enfrenta outro problema trazido pela onda de IA generativa: deepfakes hiper-realistas com sua imagem circulam pela internet, muitas vezes sem que ela consiga removê-los. A sensação, diz, é de estar perdendo controle sobre o próprio corpo enquanto uma tecnologia apoiada pelas grandes plataformas ganha espaço e permissões que humanos não têm.

Quem acompanha os bastidores do pornô queer também enxerga dois pesos e duas medidas. “Já estamos vendo a IA sendo permitida a fazer mais do que humanos conseguiriam”, diz Jiz Lee, criadore e performer queer que mantém conta no OnlyFans. Lee já teve posts sinalizados no Instagram e aponta que pessoas queer e trans são alvo frequente de remoções, mesmo quando não publicam nudez explícita.

A preocupação não é só com o agora. Tony Genius, criador do OnlyFans e ator de filmes adultos, teme o impacto de um futuro pornô totalmente gerado por IA, treinado em cima de corpos e estilos de performers reais. “Quando estamos em premiações, e empresas fazem propagandas para agentes de IA, elas literalmente são vaiadas”, conta. Para ele, a indústria sente que está sendo usada como insumo para uma tecnologia que pode, depois, dispensar quem a alimentou.

Entenda o contexto

A disputa entre IA e criadores acontece em um ambiente regulatório que já vinha hostil ao conteúdo adulto. A legislação conhecida como FOSTA-SESTA, aprovada anos atrás nos Estados Unidos, reduziu proteções legais para plataformas que hospedam anúncios ligados a trabalho sexual. Muitas empresas reagiram apertando radicalmente a moderação de qualquer conteúdo que chegasse perto de nudez ou serviços adultos, mesmo quando legais.

Para Jiz Lee, a raiz do problema é a criminalização do trabalho sexual. “Se o trabalho sexual fosse descriminalizado, muitos desses problemas e censuras não estariam acontecendo”, defende. Segundo elx, plataformas usam o medo jurídico como justificativa para políticas que, na prática, silenciam sobretudo criadores queer, trans e profissionais independentes do entretenimento adulto.

Enquanto isso, concorrentes como X e Bluesky se consolidam como espaço de divulgação para OnlyFans e similares, justamente por aceitarem conteúdo sexual explícito. Muitos criadores mantêm presença nessas redes para conquistar assinantes, mas continuam tentando driblar as barreiras da Meta para não perder o alcance de Instagram e Facebook, ainda vistos como vitrines quase obrigatórias.

IA que faz sexting e acesso a dados pessoais

Um dos pontos que mais incomodam criadores é a combinação, no Muse, de acesso amplo a dados pessoais com liberdade para conversas sexuais. O agente da Meta pode ler e-mails, gerenciar compromissos e, ao mesmo tempo, participar de sexting com usuários adultos. A empresa não detalha publicamente que tipo de material alimentou o treinamento da IA, nem se performers foram remunerados pelo uso indireto de seus conteúdos.

Lee afirma ver, nos bastidores, um movimento tímido da indústria adulta para tentar se proteger. Contratos de estúdios e plataformas passam a incluir cláusulas sobre uso de IA e proibição de treinar modelos em cima de material de performers sem consentimento explícito. A preocupação é que vozes, corpos e estilos sejam replicados por agentes sintéticos que jamais pagam cachê.

Mesmo assim, alguns criadores tentam encontrar um meio-termo. Tony Genius diz ver utilidade em ferramentas de IA para tarefas de marketing, como editar e recortar vídeos para redes sociais, desde que isso não signifique abrir mão do controle sobre a própria imagem. Ele se diz até disposto a negociar uma versão digital de si com empresas de tecnologia, contanto que haja transparência e compensação justa.

Meta resiste a criar espaço adulto, mas libera Muse

O contraste mais gritante, para quem vive de conteúdo adulto, é a decisão da Meta de cercar o Muse com um portão de 18+ e autorizar sexting, mas não oferecer nada parecido com um ambiente adulto seguro nas redes sociais tradicionais do grupo.

“Poderia existir: Instacam”, provoca Tony Genius, ao sugerir um espaço dedicado, com regras claras, em que adultos pudessem divulgar serviços e conversar com fãs sem medo de ver suas contas sumirem da noite para o dia. Ele próprio diz estar em sua sétima conta no Instagram nos últimos cinco anos, após sucessivas derrubadas.

No dia a dia, criadores relatam uma rotina de apelos, formulários e denúncias respondidas por automatismos que pouco distinguem entre pornografia, educação sexual ou simples sensualidade. Publicações com lingerie, expressões de gênero fora do padrão ou referências indiretas ao trabalho em plataformas pagas podem bastar para travar o alcance ou levar a suspensões.

Enquanto isso, o Muse segue em expansão, impulsionado pelos mesmos feeds em que criadores adultos são abafados. A Meta divulga o app como um assistente pessoal capaz de organizar a vida do usuário e, de quebra, oferecer companhia em conversas íntimas. O modelo de negócio é visto por performers como mais um exemplo de plataforma que monetiza fantasia sexual sem assumir responsabilidades com trabalhadores do sexo que, há anos, sustentam esse tipo de mercado.

Para Vanniall, a resposta é simples: boicote ao app da empresa. “Pare de baixar esse aplicativo”, diz. “Você não precisa dar mais dinheiro ou mais informações pessoais para a Meta. Eles já têm o suficiente.”

Impacto na renda e fuga para outras plataformas

A combinação de censura, queda de alcance e clima de incerteza mexe diretamente no bolso. Menos visibilidade em Instagram e Facebook significa menos cliques em links para OnlyFans e outros serviços pagos, o que reduz assinaturas e gorjetas. Alguns criadores conseguem compensar migrando público para X, Bluesky e outras redes mais permissivas; outros, não.

Para quem tenta começar agora, o cenário é ainda mais complexo. Em meio a buscas por “Creators br”, “Creator pk xd” e tutoriais de “como ser um creator no pk xd” e em outras plataformas, criadores adultos veem crescer uma nova geração de influenciadores digitais, mas sem que haja orientação clara sobre direitos e riscos quando o conteúdo é sexualizado. No vácuo das políticas da Meta, o recado que chega é contraditório: há espaço e dinheiro para agentes de IA sexualmente ativos, mas não para adultos em carne e osso que queiram vender sua própria imagem de forma legal.

No setor de tecnologia, o caso Muse intensifica um debate que já vinha ganhando força: até que ponto plataformas podem usar IA para explorar nichos lucrativos enquanto terceirizam para algoritmos a tarefa de silenciar grupos vulneráveis? Com a pressão de criadores, ativistas e reguladores crescendo, a forma como a Meta responde a essa pergunta tende a influenciar não só o futuro da IA no entretenimento adulto, mas a própria lógica de moderação nas maiores redes sociais do mundo.

Fonte: matéria original