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Amazon investe R$ 8 bi em usina nuclear modular da X Energy

Amazon vai bancar o desenvolvimento de uma usina nuclear modular de 960 MW em Indiana, com 12 pequenos reatores da X-energy, para atender a rede elétrica e data centers da empresa.

Amazon investe R$ 8 bi em usina nuclear modular da X Energy

Energia Nuclear

Amazon financia projeto inovador de usina modular para suprir energia de data centers em Indiana.

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A Amazon anunciou nesta segunda-feira que vai financiar o desenvolvimento de uma usina nuclear modular de 960 megawatts em Indiana, em uma parceria com a X-energy e a American Electric Power, para fornecer energia à rede pública e a data centers da gigante de tecnologia.

Qual é o projeto da Amazon para os pequenos reatores nucleares em Indiana?

O projeto prevê a instalação de 12 pequenos reatores modulares Xe-100 da X-energy no terreno onde funcionava uma antiga usina de carvão já demolida, ao sul de Terre Haute, transformando o antigo complexo fóssil em um polo de geração nuclear de nova geração.

A American Electric Power (AEP) será responsável por operar a usina, enquanto a Amazon será a primeira cliente a comprar a energia gerada. Ao contrário de muitos projetos recentes, os reatores serão conectados diretamente à rede elétrica pública, com parte da produção destinada especificamente aos data centers da empresa, em um modelo híbrido de fornecimento.

Segundo as empresas, esta é a segunda parceria comercial entre Amazon e X-energy e é três vezes maior que o primeiro acordo firmado entre as duas. A meta estratégica conjunta é chegar a 5 gigawatts de nova capacidade nuclear instalada nos Estados Unidos até 2039, usando a tecnologia de pequenos reatores modulares.

Como a Amazon está financiando os reatores nucleares da X Energy?

A Amazon “anunciou financiamento para o desenvolvimento de uma usina nuclear modular de 960 megawatts em Indiana” e já vinha se posicionando como uma das principais financiadoras da X-energy, empresa responsável pelo projeto dos reatores Xe-100.

A companhia de tecnologia “liderou rodada de investimento de US$ 700 milhões na X-energy” em uma Série C-1 concluída em outubro de 2024, reforçando a aposta na tecnologia nuclear modular como pilar de sua estratégia de energia limpa para nuvem e inteligência artificial.

Na prática, o novo acordo consolida a Amazon como cliente-âncora e investidora da X Energy (também grafada como X-energy Amazon em materiais de mercado), criando um ciclo em que o capital da big tech ajuda a viabilizar a fábrica de reatores e, em troca, garante acesso prioritário à energia gerada pelos projetos.

Entenda o contexto

Os reatores Xe-100 são pequenos reatores modulares nucleares (small modular reactors, ou SMRs) projetados para serem produzidos em série em fábricas e montados em campo, com a promessa de reduzir custos e prazos em comparação às grandes usinas nucleares tradicionais, marcadas por atrasos e estouros de orçamento.

A avaliação de startups do setor e de grandes empresas de computação em nuvem é que a padronização, o tamanho reduzido e a fabricação em massa desses reatores podem ajudar a tirar a indústria nuclear do marasmo, oferecendo geração firme, sem carbono, para sustentar o crescimento explosivo de data centers e aplicações de IA. Especialistas, porém, alertam que os ganhos reais dessa produção em massa tendem a aparecer apenas ao longo de cerca de uma década de projetos repetidos.

Projeto em Indiana depende de usina piloto no Texas

O cronograma da usina de Indiana é descrito pelas empresas como agressivo e está diretamente condicionado ao primeiro grande teste da tecnologia Xe-100: um projeto em Seadrift, no estado do Texas. De acordo com a X-energy, “o cronograma agressivo do projeto depende do sucesso da X-energy em entregar seu primeiro projeto em Seadrift, Texas”.

Em Seadrift, quatro reatores Xe-100 serão instalados para fornecer calor e eletricidade a uma planta química. A construção ainda não começou, mas o pedido de licença de construção está nas etapas finais de análise pela Comissão Reguladora Nuclear dos Estados Unidos (NRC, na sigla em inglês).

O local texano também virou foco de pressão ambiental: a planta química associada ao projeto foi alvo de uma ação judicial do estado por supostas violações recorrentes de regras de água e resíduos sólidos, o que pode afetar prazos e a percepção pública em torno da iniciativa e, por consequência, da expansão em Indiana.

Impacto em uma antiga área de carvão

A escolha do terreno da velha usina de carvão, já demolida, ao sul de Terre Haute, é estratégica tanto do ponto de vista de infraestrutura quanto simbólico. A região já conta com conexão robusta à rede elétrica e logística preparada para um grande ativo de geração, o que reduz parte dos custos de implantação.

Ao mesmo tempo, a substituição de um complexo a carvão por uma planta nuclear de 960 megawatts com pequenos reatores modulares tende a cortar emissões locais de dióxido de carbono e outros poluentes associados à queima de carvão, reforçando o discurso de transição energética da Amazon, da X-energy e da AEP.

Por outro lado, a movimentação sinaliza perda de espaço para o setor de carvão e outras fontes fósseis na economia local, com impactos sobre cadeias de fornecedores e empregos ligados à mineração e ao transporte de combustível, que precisarão ser absorvidos por novas atividades ligadas à construção, operação e manutenção da usina nuclear.

Mercado e riscos para a X-energy

A X-energy abriu capital recentemente e viu forte volatilidade desde a estreia na bolsa. As ações, que chegaram a disparar na estreia, hoje valem quase um terço do preço inicial. O anúncio do acordo com a Amazon chegou a impulsionar os papéis em torno de 10% no pré-mercado, mas eles encerraram o pregão com leve queda, refletindo o misto de entusiasmo e cautela dos investidores.

Analistas apontam que o contrato em Indiana, somado ao projeto em Seadrift e à ambição de entregar 5 gigawatts até 2039, pode consolidar a X-energy como uma das protagonistas na corrida dos SMRs. Ao mesmo tempo, os desafios regulatórios, ambientais e de execução seguem altos: qualquer atraso relevante nas primeiras usinas pode comprometer cronogramas, custos e a confiança no modelo de pequenos reatores nucleares financiados por grandes clientes corporativos.

Para Amazon, X-energy e American Electric Power, os próximos meses serão decisivos na relação com órgãos reguladores, comunidades locais e investidores — uma etapa crucial para transformar o anúncio de hoje em megawatts efetivamente entregues à rede e aos servidores em nuvem.

Fonte: matéria original