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Lançamentos de IA

EBU amplia padrões soberanos com NVIDIA e Adobe turbinam buscas em vídeo

EBU expande padrões soberanos com NVIDIA para dar mais controle de dados a emissoras públicas europeias, enquanto Adobe usa GPUs NVIDIA para acelerar buscas semânticas em vídeo e cortar custos.

EBU amplia padrões soberanos com NVIDIA e Adobe turbinam buscas em vídeo

Tecnologia

EBU colabora com NVIDIA para fortalecer padrões de dados, enquanto Adobe otimiza buscas em vídeo com GPUs avançadas.

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A European Broadcasting Union (EBU) anunciou em Berlim a ampliação de seus padrões soberanos para mídia pública em parceria com a NVIDIA, ao mesmo tempo em que a Adobe apresentou, no mesmo evento, uma aceleração radical da busca semântica em vídeos na plataforma Frame.io usando GPUs da empresa de chips.

EBU envolve nuvem soberana e modelos abertos

No encontro com Adobe, Bertelsmann, NVIDIA e a produtora alemã UFA, a EBU detalhou que o framework soberano para emissoras públicas europeias passa a incluir provedores de nuvem soberana, desenvolvedores de modelos abertos e integradores de sistemas como a Qvest. A ideia é transformar princípios gerais em arquiteturas de referência concretas, com regras claras sobre onde as cargas de trabalho rodam, como os dados são governados, quais modelos de IA alimentam os serviços e como a segurança é mantida ao longo de todo o ciclo de vida.

A EBU, maior aliança mundial de mídia pública, reúne mais de 115 organizações em mais de 55 países. Com agentes inteligentes chegando a redações, ilhas de edição e serviços ao público, a entidade quer garantir que suas afiliadas mantenham controle sobre dados e infraestrutura, evitando dependência excessiva de grandes nuvens estrangeiras.

“Esses padrões dão aos membros da EBU uma base compartilhada para fortalecer a resiliência, manter o controle e entregar serviços avançados responsáveis que sustentam a confiança do público”, afirmou Antonio Arcidiacono, diretor de tecnologia e inovação (CTIO) da EBU.

O desenho do framework prevê que provedores de nuvem soberana mapeiem os requisitos para opções de implantação que obedeçam às legislações nacionais e europeias de proteção de dados. Já os modelos abertos dão transparência para inspeção e adaptação da IA a línguas locais, acervos históricos e políticas editoriais específicas, permitindo customizações finas para o serviço público de mídia.

Para garantir que tudo funcione fora do papel, empresas de consultoria e integração de sistemas especializadas em mídia, como a Qvest, serão responsáveis por adaptar e implantar essas arquiteturas nos ambientes reais das emissoras, preservando interoperabilidade entre fornecedores e evitando soluções fechadas.

Delphine Ernotte, CEO da France Télévisions e presidente da EBU, resumiu o objetivo político e tecnológico da iniciativa: “Infraestrutura de nuvem soberana e modelos abertos podem ajudar a mídia pública europeia a inovar protegendo dados, independência editorial e diversidade cultural”.

Entenda o contexto

Na prática, a expansão dos padrões soberanos significa que mais de 115 organizações em 55 países passam a ter um roteiro comum para desenvolver e operar seus próprios agentes de IA, mantendo sob controle dados sensíveis de redação, arquivos históricos e informações de audiência.

Ao distribuir cargas de trabalho em nuvens soberanas e modelos abertos, as emissoras reduzem o risco de ficar presas a fornecedores únicos, de sofrer com mudanças unilaterais em serviços comerciais ou de ver dados estratégicos sujeitos a legislações externas. A aposta em interoperabilidade também pressiona fornecedores de soluções tradicionais, muitas vezes baseadas em sistemas fechados, a se adaptarem aos novos requisitos se quiserem continuar relevantes nesse mercado.

Adobe Frame.io acelera busca semântica em vídeo

No mesmo palco em Berlim, a Adobe mostrou como está usando computação acelerada da NVIDIA para atacar um gargalo crítico da produção audiovisual: encontrar cenas específicas em acervos gigantescos de vídeo. A empresa integrou GPUs NVIDIA ao pipeline de busca do Frame.io, serviço em nuvem voltado para colaboração em pós-produção.

A solução combina três tecnologias da NVIDIA: NVDEC para decodificação de vídeo, TensorRT para inferência de IA otimizada e a plataforma CUDA para pré-processamento e geração de embeddings, que são representações numéricas usadas para buscas semânticas. Segundo a Adobe, o resultado é até 5 vezes mais rapidez na criação desses embeddings, até 4 vezes mais throughput (volume de conteúdo processado) e até 5 vezes menos latência no processamento das buscas.

Um dos destaques técnicos é um novo proxy de vídeo de 2 frames por segundo, cerca de 80% menor que a versão anterior em 360p. O arquivo reduzido corta custos de armazenamento e de transferência de dados, mas preserva detalhes visuais suficientes para que os modelos de IA identifiquem ações, expressões e cenários dentro de cada cena.

Além da busca, a Adobe também incorpora aceleração via NVENC e NVDEC no processo de ingestão de mídia, acelerando a codificação e a decodificação de grandes volumes de arquivos de vídeo. Isso é particularmente relevante em um setor em que o crescimento das bibliotecas é exponencial, pressionando tanto os orçamentos de infraestrutura quanto os prazos de entrega.

Produtoras ganham tempo com buscas por conceito

Quem sente diretamente o impacto dessa mudança são produtoras como a alemã UFA, que entrega mais de 3.500 horas de programação por ano, incluindo a novela diária “Gute Zeiten, schlechte Zeiten”. Em projetos de longa duração, editores frequentemente precisam recuperar cenas específicas de muitos anos atrás, como uma reação particular de um personagem ou um diálogo que volta a ser relevante em um flashback.

Nesse cenário, nomes de arquivo e pastas não dão conta: o editor precisa lembrar o momento, mas não sabe onde ele está. Com a busca semântica do Frame.io acelerada por GPUs NVIDIA, é possível procurar “um personagem olhando preocupado”, filtrar pelo nome do personagem, restringir a tomadas já aprovadas e ir direto para a revisão da cena.

O sistema combina vídeo, anotações, transcrições e status de aprovação em uma busca híbrida, o que encurta etapas manuais de triagem e navegação por pastas. A promessa é reduzir custos de armazenamento, acelerar o trabalho de equipes criativas e liberar tempo para atividades mais estratégicas do que simplesmente caçar trechos em arquivos antigos.

Os avanços no Frame.io fazem parte de uma colaboração mais ampla entre Adobe e NVIDIA, que se estende a ferramentas como Adobe Substance 3D, iniciativas ligadas ao Firefly e fluxos de trabalho com gêmeos digitais 3D para empresas — consolidando a NVIDIA como peça central na infraestrutura tecnológica de mídia e entretenimento.

Impacto para a mídia pública e próximos passos

Com a expansão dos padrões soberanos da EBU e a aceleração da busca semântica em vídeo, o setor de mídia europeia se move em duas frentes complementares: de um lado, fortalece soberania tecnológica e independência editorial; de outro, aumenta drasticamente a eficiência na gestão de enormes acervos audiovisuais.

Os próximos passos incluem detalhar e implementar as arquiteturas de referência acordadas pela EBU com seus parceiros de nuvem, fabricantes de tecnologia e integradores, além de ampliar a adesão entre membros que ainda operam com infraestruturas legadas. No front da produção audiovisual, a tendência é que os ganhos obtidos com busca semântica se estendam para outras etapas, como roteirização assistida, geração automática de versões e personalização de conteúdo, sempre sob pressão para respeitar os padrões de soberania e transparência que a mídia pública europeia começa a consolidar em Berlim.

Fonte: matéria original