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Lançamentos de IA

Anthropic AI sofre invasão por IA em 12 horas; dados expostos

Startup Cathedral usou agentes de IA para explorar falhas em softwares de terceiros e acessar dados internos da Anthropic, expondo fragilidades em integrações externas e no uso de bug bounty.

Anthropic AI sofre invasão por IA em 12 horas; dados expostos

Segurança em IA

Startup Cathedral revela vulnerabilidades críticas em integrações externas da Anthropic usando agentes de IA.

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A startup de cibersegurança Cathedral usou agentes de inteligência artificial para atravessar softwares administrativos e comerciais de terceiros e acessar sistemas internos da Anthropic AI, expondo dados sensíveis de recursos humanos, vendas e TI e abrindo uma crise sobre a segurança da desenvolvedora do Anthropic Claude e da Anthropic API.

Agentes de IA atravessam softwares de terceiros

Segundo relatório preliminar da Cathedral, modelos avançados operando como agentes autônomos mapearam caminhos de acesso por meio de plataformas externas integradas à infraestrutura da Anthropic. Em menos de doze horas, esses agentes chegaram a transcrições de reuniões, informações salariais, vagas de emprego e mensagens do Slack, além de dados de contato de clientes e parceiros e informações básicas de contas de usuários. “O incidente levou menos de doze horas”, afirma a Cathedral.

A Anthropic confirma que houve acesso a um conjunto limitado de sistemas de vendas, recursos humanos e tecnologia da informação, mas nega que chats com Claude, código-fonte ou pesos de modelos tenham sido expostos. Após detectar a atividade, a empresa bloqueou, no mesmo dia, os pontos de acesso afetados, desativou os softwares de terceiros comprometidos e comunicou autoridades federais dos Estados Unidos.

De acordo com a investigação interna da Anthropic, o vetor principal foram duas vulnerabilidades em serviços externos integrados — ferramentas administrativas e de vendas que tinham permissões amplas dentro do ambiente corporativo. A Cathedral relatou apenas uma dessas falhas; a segunda, diz a Anthropic, foi descoberta e corrigida pela própria equipe de segurança.

Divergência sobre duração e alcance do ataque

A duração e a extensão do acesso se tornaram o principal ponto de atrito entre as versões. Enquanto a Cathedral insiste que toda a operação ocorreu em menos de meio dia, a Anthropic sustenta que “a tentativa de ataque durou vários dias”, nas palavras de Logan Graham, red teamer responsável por testar a segurança interna da empresa.

Graham afirma que a equipe da Cathedral passou dias sondando diretamente sistemas da Anthropic antes de mudar a tática e mirar os aplicativos de terceiros, onde encontrou as duas vulnerabilidades. Para ele, o episódio expõe tanto a eficácia dos agentes de IA em explorar superfícies pouco visíveis quanto a fragilidade estrutural de integrações externas, mesmo em empresas especializadas em defesa cibernética.

Essa tensão se acirrou com declarações de Will Depue, ex-funcionário da OpenAI, que acusa a Anthropic de minimizar o incidente. “Fontes confiáveis indicam que a Cathedral obteve acesso administrativo completo ao Slack da Anthropic”, disse. Segundo Depue, com esse nível de permissão seria possível ler todas as mensagens e assumir qualquer conta de usuário, o que ampliaria muito o impacto potencial da invasão.

Logan Graham rebate. Ele diz que as fontes citadas por Depue “estão erradas” e sustenta que a Anthropic não escondeu a gravidade do caso, mas não entra em detalhes técnicos alegando sigilo por razões de segurança. Ao mesmo tempo, admite que a preocupação de fundo é real: a combinação de integrações externas com agentes de IA ofensivos cria uma superfície de ataque inédita para todo o setor.

Bug bounty sob questionamento

O uso do próprio programa de bug bounty da Anthropic pela Cathedral é outro foco de controvérsia. A iniciativa, que oferece recompensas para pesquisadores que encontram falhas, foi o canal usado pela startup para reportar parte das vulnerabilidades — mas a Anthropic diz que as regras foram quebradas.

“A startup violou as regras do programa de bug bounty ao não divulgar completamente as vulnerabilidades”, afirma Graham. Ele também alega que o uso de softwares de terceiros para puxar dados extrapola as proteções do programa, que define um “porto seguro” para testes responsáveis dentro de limites claros.

A Cathedral, por sua vez, argumenta que seguiu práticas padrão de pesquisa em segurança e que o uso intensivo de agentes de IA foi justamente o que permitiu revelar riscos reais, que poderiam ser explorados por invasores mal-intencionados. Na prática, a startup se beneficia da exposição: o episódio funciona como demonstração pública de seus produtos, voltados para governos e grandes empresas.

A disputa deve alimentar um debate mais amplo sobre a regulamentação e a padronização de programas de bug bounty, especialmente quando agentes de IA passam a atuar como “pentesters” automatizados, capazes de escanear infraestruturas complexas 24 horas por dia em busca de brechas.

Entenda o contexto

A Anthropic se tornou um dos nomes mais citados em segurança aplicada à inteligência artificial ao oferecer modelos avançados, como o Anthropic Claude e a Anthropic API, para tarefas de defesa cibernética, auditoria e automação corporativa. O fato de uma empresa com esse perfil ter sido penetrada por agentes de IA reforça a percepção de que nenhuma organização está imune às novas técnicas de ataque.

A Cathedral surgiu de ex-funcionários da agência de eficiência do governo dos EUA DOGE e vende ferramentas baseadas em IA para monitorar sistemas em tempo real e testar defesas digitais. Em vez de ataques manuais, seus produtos prometem orquestrar agentes autônomos que buscam, encadeiam e exploram vulnerabilidades em escala.

Antes mesmo do caso, vozes internas já alertavam para riscos. Jacob Coxon, que deixou a Anthropic em setembro de 2026, vinha criticando o uso de softwares de escritório, como Slack, para armazenar discussões sensíveis sobre pesquisa em IA, incluindo chaves de acesso administrativas. As alegações sobre o Slack ganham mais peso à luz da nova invasão, embora a extensão exata do acesso siga em disputa.

Especialistas veem falha estrutural em integrações

Para especialistas em segurança, o ponto mais preocupante não é apenas a invasão em si, mas o vetor: aplicativos de terceiros amplamente usados por grandes empresas e integrados a sistemas internos com permissões generosas. Alex Stamos, diretor de segurança da Cognition, startup que também usa modelos da Anthropic, considera as descobertas significativas. “A Anthropic poderia ter feito um trabalho melhor na segurança dos serviços externos”, afirma.

Stamos aponta que essa dependência de integrações prontas de RH, vendas e colaboração é generalizada no setor de tecnologia, o que transforma cada conector em um potencial ponto de entrada. A exploração automatizada dessas brechas por agentes de IA torna o problema ainda mais urgente.

Logan Graham, da Anthropic, reforça o alerta e defende uma mudança de cultura na indústria. “A indústria precisa reinventar sua segurança todo ano”, diz. Segundo ele, ataques com IA já ocorrem 24 horas por dia e não exigem os modelos mais sofisticados do mercado para serem bem-sucedidos. “Você provavelmente quer fazer red team em si mesmo o tempo todo. Modelos atuais são muito criativos”, resume.

Entre as recomendações que começam a ganhar espaço estão a adoção de testes internos contínuos com apoio de IA, a reconstrução de componentes críticos com técnicas de verificação formal — que buscam provar matematicamente que um software se comporta como esperado — e uma revisão rígida de políticas de integração de aplicativos de terceiros, incluindo limites de permissão e segregação de dados sensíveis.

Enquanto Anthropic e Cathedral mantêm versões conflitantes sobre o alcance da invasão, as correções emergenciais já foram aplicadas e as autoridades federais foram acionadas. O mercado de segurança digital observa o caso de perto, vendo no incidente um ensaio do que deve se tornar rotina: ataques e testes conduzidos principalmente por máquinas, em um ritmo para o qual grande parte das empresas ainda não está preparada.