Apuração do TSE em 2026 tem oscilações entre Lula e Flávio
Apuração do segundo turno das eleições 2026 segue em curso neste domingo, com oscilações entre Lula e Flávio Bolsonaro e impacto da diferença de velocidade entre regiões.

Eleições 2026
Segundo turno com variações na apuração entre Lula e Flávio Bolsonaro, refletindo diferenças regionais na contagem dos votos.
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A contagem de votos das eleições 2026 mantém o país em suspense na noite deste domingo (25), com alternância na liderança entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) à medida que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebe dados de diferentes regiões. A totalização foi retomada após as 19h, depois de a votação ter sido prorrogada por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), o que empurrou o cronograma tradicional da apuração e concentrou boa parte dos números nas horas seguintes.
Apuração do TSE em ritmo acelerado, mas desigual
As urnas eletrônicas foram fechadas às 17h, mas, em razão da decisão judicial que estendeu a votação até as 19h, a apuração no sistema nacional só começou de fato após esse horário. Desde então, o TSE divulga atualizações da contagem de votos a cada 15 minutos, em tempo real, pela internet e pelos sistemas internos compartilhados com os tribunais regionais.
Na prática, a contagem avança em velocidades diferentes pelo país. Sul e Sudeste, com maior capilaridade digital e distâncias menores até os cartórios eleitorais, aparecem novamente como as primeiras regiões a ter seus Boletins de Urna (BU) totalizados. Isso tende a favorecer, na largada, candidatos mais fortes nessas áreas, como Flávio Bolsonaro.
Nordeste e Norte, ao contrário, têm presença mais lenta no painel nacional do TSE. Em muitos municípios, presidentes de seção ainda dependem de longos deslocamentos por estrada ruim ou barco para levar as mídias com os dados até os cartórios. Só depois disso os votos entram na rede do tribunal em Brasília, o que retarda a consolidação de redutos em que Lula tem desempenho historicamente mais robusto.
O resultado parcial, até agora, é uma disputa em que a liderança muda conforme novas fatias do mapa eleitoral passam a contar. Durante a primeira hora de totalização, Flávio chegou a abrir vantagem sobre Lula, reproduzindo o padrão visto no primeiro turno. Com o ingresso gradual de seções do Nordeste e do Norte, a diferença encolhe e, em alguns momentos, se inverte.
Entenda o contexto
A apuração das eleições 2026 segue o fluxo clássico em três etapas: primeiro, a apuração na própria seção, quando a urna encerra a votação e imprime o Boletim de Urna, o “extrato” dos votos registrados ali. Em seguida, esse BU é gravado em uma mídia física e transportado até o cartório eleitoral responsável. Só então vem a totalização, quando o TSE soma, em Brasília, os dados que chegam de todo o país.
O gargalo, como reconhecem técnicos do tribunal, está justamente na transmissão entre as seções e os cartórios. Em áreas urbanas do Sul e Sudeste, o trajeto é curto, com trechos asfaltados e maior cobertura de internet, o que permite que as mídias cheguem mais rápido e sejam processadas logo nas primeiras rodadas de atualização.
Já em partes do Norte e do Nordeste, a logística é mais complexa. Há seções a dezenas de quilômetros dos cartórios, acessíveis por estradas de terra, por rios ou em regiões com pouco transporte público. O cientista político Marco Antonio Faganello, pesquisador do FGV-CEPESP, resume o desafio: “Alguns trechos têm muito trânsito, outros têm trajetos de barco para superar. Muitos lugares são remotos”. Cada atraso nessa perna física adia a entrada daqueles votos no painel nacional.
Além da distância, há o procedimento de segurança que exige a cópia dos dados do Boletim de Urna em mais de uma mídia. Se ocorre falha técnica nessa gravação ou se é preciso refazer o processo, o tempo de envio cresce. Em bairros periféricos das grandes cidades, onde a infraestrutura de transporte é precária e as seções podem demorar mais a encerrar a votação por fila até o fim do horário, o reflexo também aparece na apuração.
Como a disputa presidencial chega ao segundo turno
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença de cerca de 2,2 milhões de votos entre os dois candidatos foi apertada o suficiente para alimentar previsões de um segundo turno decidido no detalhe.
Modelos estatísticos construídos a partir do comportamento da apuração têm apontado que a ordem de chegada dos votos distorce a fotografia inicial da disputa. O cientista político Rodrigo Mahlmeister, que estuda esse padrão, afirma que não há dúvida sobre quem tende a aparecer em vantagem nas primeiras parciais: “Se tem uma certeza, é que Flávio Bolsonaro vai começar na frente no domingo”.
Segundo ele, mesmo com avanços na infraestrutura ao longo dos anos, o desequilíbrio entre as regiões ainda pesa na largada da contagem. “Aquela apuração foi especialmente desigual em termos das regiões”, diz Mahlmeister, ao lembrar que esse tipo de descompasso já tinha sido decisivo em eleições anteriores, quando viradas ocorreram justamente após o ingresso em massa dos votos do Nordeste e do Norte.
Neste domingo, essa dinâmica se repete com nuances. Com a votação prorrogada até as 19h por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), boa parte das seções encerrou mais tarde o trabalho, o que empurrou a janela em que as primeiras regiões aparecem no sistema. “A apuração foi prorrogada até as 19h por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF)”, registra a informação oficial do STF, destacando o impacto direto sobre o cronograma da totalização.
Por que a liderança muda tanto durante a apuração?
A oscilação na frente da disputa presidencial não indica mudança brusca no comportamento do eleitorado, e sim o caminho que os dados percorrem até o TSE. Na prática, a contagem é um grande quebra-cabeça em que as peças de Sul e Sudeste costumam ser encaixadas primeiro, enquanto Norte e Nordeste chegam depois.
Quando entram quase só votos de áreas onde a direita é mais forte, candidaturas desse campo aparecem disparadas à frente. À medida que chegam os resultados de regiões onde Lula e o PT historicamente têm mais apoio, a curva dos percentuais se aproxima, cruza ou se inverte. Em eleições passadas, essa virada ocorreu quando o percentual de urnas apuradas já estava alto, com boa parte dos votos do Nordeste ainda fora da conta durante as primeiras parciais.
Especialistas lembram que, em pleitos anteriores, a fotografia das 19h30 — muitas vezes com perto de 90% das urnas apuradas — ainda escondia bolsões importantes de votos em regiões mais lentas na transmissão. “É por isso que a porcentagem de votos que um candidato abre no início da apuração não significa nada”, alerta Mahlmeister. A leitura correta, dizem, precisa considerar de onde vêm os votos que já foram totalizados e quais regiões ainda estão sub-representadas no painel do TSE.
Faganello reforça que essa desordem na transmissão não é apenas uma questão entre grandes regiões, mas também dentro das próprias capitais e cidades médias. Seções próximas aos cartórios entram cedo; zonas afastadas, periféricas ou com transporte difícil entram no fim, o que pode gerar pequenas “viradas locais” na reta final da contagem em cada município ou Estado.
Decisão do STF muda rotina da noite eleitoral
A determinação do ministro Cristiano Zanin, do STF, de estender o horário da votação até as 19h em todo o país alterou um ritual já conhecido do eleitor. Em eleições anteriores, a totalização nacional começava logo depois das 17h, e, em poucos minutos, os primeiros números oficiais já estavam disponíveis. Agora, a pausa obrigatória entre o fechamento das urnas e o início da totalização nacional foi ampliada, concentrando o fluxo de dados em um intervalo menor de tempo.
Na prática, cartórios e equipes de tecnologia do TSE passaram a lidar com um volume mais intenso de Boletins de Urna chegando quase simultaneamente, pouco depois das 19h. Isso torna as curvas de votos mais “abruptas” nas primeiras atualizações e contribui para oscilações rápidas na liderança nacional, conforme determinados Estados conseguem colocar seus dados no sistema com mais agilidade.
Segundo a informação oficial do Supremo, a medida foi tomada para garantir que todos os eleitores pudessem votar, diante de registros de filas e atrasos em seções ao longo do dia. A mudança, porém, empurrou também a expectativa pelo resultado final para mais tarde na noite, sobretudo por causa dos municípios mais afastados dos grandes centros, que já costumam chegar por último na totalização.
Impacto na confiança dos eleitores e nos próximos passos
A forma como a contagem se desenrola alimenta narrativas distintas nas campanhas e nas redes sociais. Enquanto apoiadores de Flávio Bolsonaro tendem a destacar as lideranças iniciais do candidato nas primeiras parciais, aliados de Lula chamam atenção para o fato de que votos de seus principais redutos costumam entrar mais tarde. A comunicação do TSE e das demais instituições do sistema eleitoral tenta, ao longo da noite, reforçar que oscilações são normais e não indicam irregularidades.
Cientistas políticos ouvidos pelas reportagens ao longo do ciclo eleitoral afirmam que a transparência na divulgação a cada 15 minutos, com recortes por Estado e município, ajuda a reduzir a margem para desinformação, mas não elimina o risco de interpretações apressadas. “O padrão existe até hoje, mas ficou menos intenso”, avalia Mahlmeister, ao defender que comparações com eleições anteriores e análises regionais sejam usadas para contextualizar as mudanças de liderança.
A expectativa no TSE é de que, nas próximas horas, a chegada de votos dos colégios eleitorais mais distantes permita apontar com clareza o vencedor da disputa presidencial e das eleições para governador em cinco Estados e no Distrito Federal. A totalização completa, com 100% das urnas apuradas, ainda depende dos locais mais remotos, mas a tendência é que um quadro irreversível se consolide antes disso.
Concluída a contagem, o tribunal deve divulgar os relatórios detalhados da apuração, que embasam tanto a proclamação oficial dos eleitos quanto futuras auditorias de partidos e entidades fiscalizadoras. O desempenho da infraestrutura de transmissão, sobretudo nas regiões com maior dificuldade logística, entra no radar para ajustes e investimentos antes das próximas eleições nacionais.


